Homilia Solenidade da Assunção da Virgem Santa Maria
Dom Afonso VIEIRA, OSB
Meus irmãos e irmãs, hoje, Jesus ressuscitado acolhe a sua mãe na glória do céu… Hoje, Jesus vivo, glorificado à direita do Pai, põe sobre a cabeça da sua mãe a coroa de doze estrelas…
Na Primeira leitura, nós vemos Maria como a imagem da Igreja. Como Maria, a Igreja gera na dor um mudo novo. E como Maria, participa na vitória de Cristo sobre o Mal. Na Segunda leitura, Maria é nova Eva, pois o novo Adão, Jesus faz da Virgem Maria uma nova Eva, sinal de esperança para todos os homens; e no Evangelho, Maria, Mãe dos crentes é repleta do Espírito Santo, é a primeira a encontrar as palavras da fé e da esperança; de agora em diante todas as gerações a chamarão bem-aventurada!
O cântico de Maria, que acabamos de ler no Evangelho, descreve o programa que Deus tinha começado a realizar desde o começo do mundo, e que ele prosseguiu em Maria para cumprir agora na Igreja, para todos os tempos. Pela Visitação que teve lugar na Judeia, Maria levava Jesus pelos caminhos da terra. Pela Dormição e pela Assunção, é Jesus que leva a sua mãe pelos caminhos celestes, para o templo eterno, para uma Visitação definitiva. Nesta festa, com Maria, proclamamos a obra grandiosa de Deus, que chama a humanidade a se juntar a ele pelo caminho da ressurreição, porque em Maria, O Senhor já realizou a sua obra na totalidade; com ela, nós proclamamos que Ele “dispersou os soberbos, exaltou os humildes”. Os humildes são aqueles que creem no cumprimento das palavras de Deus e se põem a caminho, aqueles que acolhem até ao mais íntimo do seu ser a Vida nova, Cristo, para o levar ao nosso mundo e assim, Deus debruça-se sobre nós e cumpre em nós as suas maravilhas.
Frequentemente nós ouvimos a expressão “rezar à Virgem Maria”… Esta maneira de falar não é absolutamente exata, porque a oração cristã dirige-se a Deus, ao Pai, ao Filho e ao Espírito e só Deus atende a oração. Rezar por Maria é pedir que ela reze por nós, quando dizemos “Rogai por nós pecadores agora e na hora da nossa morte!” A sua intervenção maternal em Caná resume bem a sua intercessão em nosso favor. Ela é nossa “advogada” e nos diz “Fazei tudo o que Ele vos disser!” Maria está ao nosso lado para nos levar na oração, como uma mãe sustenta a palavra balbuciante do seu filho. Na glória de Deus, na qual nós a honramos hoje, aquela que chamamos de Nossa Senhora, ela prossegue a missão que Jesus lhe confiou sobre a Cruz “Eis o teu Filho!” Mais que nos ajoelharmos diante dela, é ajoelhar-se ao seu lado para nos juntarmos à sua oração. Ela nos acompanha e nos guia na nossa caminhada para Deus.
De Maria, nós aprendemos os caminhos da oração. Na escola daquela que “guardava e meditava no seu coração” os acontecimentos do nascimento e da infância de Jesus, nós meditamos o Evangelho e, à luz do Espírito Santo, vamos pelos caminhos da verdade. A nossa oração torna-se ação de graças ecoando o Magnificat. Devemos colocar nossos passos nos passos de Maria para dizer com ela na confiança “que tudo seja feito segundo a tua Palavra, Senhor!” Esse é o segredo da fé que não falha de tão bem ajustada a Deus (“Eis a serva do Senhor”…); o segredo da sua esperança confiante em Deus (“nada é impossível a Deus”…); o segredo da sua caridade missionária (“Maria pôs-se a caminho apressadamente”…). Peçamos a Maria para nos acompanhar no caminho das nossas vidas…
Hoje nós celebramos maior de todas as Solenidades Marianas, que é a sua Assunção Gloriosa ao Céu, e a Liturgia resumi nessa Solenidade o que é essencial reconhecendo a grandeza daquela que é Imaculada e sempre Virgem; o Cristo que ressuscitou e venceu, concedeu a sua Imaculada Mãe a sua Vitória, e ela nunca se afastou de seu filho amado! Assim, após sua morte, que chamamos de dormição, ela foi elevada a glória do céu, isto é, à glória de Cristo que ressuscitou como primícia da nossa ressurreição. Nós podemos exclamar, como Isabel, “Bendita és tu entre as mulheres e Bendito é o fruto do teu ventre. Bem aventurada aquela que acreditou, porque será cumprido o que o Senhor prometeu!” Irmãos, não esqueçamos que nosso destino é o céu, participando da Glória de Cristo, da qual Maria participa plenamente de corpo e alma, e então poderemos cantar com ela “A Minh ‘alma engrandece o Senhor e o meu espírito exulta em Deus meu Salvador: o Poderoso fez em mim maravilhas!”
Seja o Senhor bendito agora e sempre, na Virgem Toda Santa, Maria, na Igreja e em cada um de nós. Amém!