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	<description>Em Vossa luz contemplamos a Luz</description>
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		<title>Santíssima Trindade</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Dom Paulo]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 02 Jun 2026 21:56:10 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Homilias]]></category>
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					<description><![CDATA[HOMILIA SOLENIDADE DA SANTÍSSIMA TRINDADE D. Afonso VIEIRA, OSB A Solenidade que hoje celebramos não é um convite a decifrar o mistério que se esconde por detrás de “um Deus em três pessoas”; mas é um convite a contemplar o Deus que é amor, que é família, que é comunidade [&#8230;]]]></description>
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<p class="wp-block-paragraph">HOMILIA SOLENIDADE DA SANTÍSSIMA TRINDADE</p>



<p class="wp-block-paragraph">D. Afonso VIEIRA, OSB</p>



<p class="wp-block-paragraph">A Solenidade que hoje celebramos não é um convite a decifrar o mistério que se esconde por detrás de “um Deus em três pessoas”; mas é um convite a contemplar o Deus que é amor, que é família, que é comunidade e que criou os homens para os fazer comungar nesse mistério de amor. Na primeira leitura, o Deus da comunhão e da aliança, quer estabelecer laços familiares com o homem, se auto apresentando, Ele é clemente e compassivo, lento para a ira e rico de misericórdia. Na segunda leitura, Paulo expressa &#8211; através da fórmula litúrgica “a graça do Senhor Jesus Cristo, o amor do Pai e a comunhão do Espírito Santo estejam convosco” &#8211; a realidade de um Deus que é comunhão, que é família e que pretende atrair os homens para essa dinâmica de amor, e no Evangelho, João nos convida a contemplar um Deus cujo amor pelos homens é tão grande, a ponto de enviar ao mundo o seu Filho único; e Jesus, o Filho, cumprindo a vontade do Pai, fez da sua vida um dom total, até à morte na cruz, a fim de oferecer aos homens a vida definitiva. Nesta fantástica história de amor (que vai até ao dom da vida do Filho único e amado), mostra-se a grandeza do amor de Deus.<br>Depois de explicar a Nicodemos que o Messias tem de “ser levantado ao alto”, como “Moisés levantou a serpente” no deserto, a fim de que ‘todo aquele que n&#8217;Ele acredita tenha vida definitiva” (Jo 3,14-15), Jesus explica como é que a cruz se insere no projeto de Deus. A explicação vem em três passos…<br>O primeiro (vers. 16) refere-se ao significado último da cruz. Esse Homem que vai ser levantado na cruz veio ao mundo, incarnou na nossa história humana, correu o risco de assumir a nossa fragilidade, partilhou a nossa humanidade; e, como consequência de uma vida gasta a lutar contra as forças das trevas e da morte que escravizavam os homens, foi preso, torturado e morto numa cruz. A cruz é o último ato de uma vida vivida no amor, na doação, na entrega. Deus comporta-Se como Abraão, que foi capaz de desprender-se do próprio filho por amor (no caso de Abraão, amor a Deus; no caso de Deus, amor aos homens) … A cruz é, portanto, a expressão suprema do amor de Deus pelos homens. Aí temos o incomensurável amor de Deus por essa humanidade a quem Ele quer oferecer a salvação. Os homens aprendem que a vida definitiva está na obediência aos planos do Pai e no dom da vida aos homens, por amor.<br>O segundo (vers. 17) deixa claro que a intenção de Deus, ao enviar ao mundo o seu Filho único. Jesus veio ao mundo porque o Pai ama os homens e quer salvá-los. O Messias não veio com uma missão judicial, nem veio excluir ninguém da salvação. Pelo contrário, Ele veio oferecer aos homens &#8211; a todos os homens &#8211; a vida definitiva, ensinando-os a amar sem medida e dando-lhes o Espírito que os transforma em Homens Novos. Deus enviou o seu Filho único ao encontro de homens pecadores, egoístas, autossuficientes, a fim de lhes apresentar uma nova proposta de vida… E foi o amor de Jesus &#8211; bem como o Espírito que Jesus deixou &#8211; que transformou esses homens egoístas, orgulhosos, e os inseriu numa dinâmica de vida nova e plena.<br>O terceiro (vers. 18) descreve as duas atitudes que o homem pode tomar, diante da oferta de salvação que Jesus faz. Quem aceita a proposta do Senhor, adere a Ele, recebe o Espírito, vive no amor e na doação, escolhe a vida definitiva. A salvação ou a condenação não são, nesta perspectiva, um prémio ou um castigo que Deus dá ao homem pelo seu bom ou mau comportamento; mas são o resultado da escolha livre do homem, face à oferta incondicional de salvação que Deus lhe faz. A responsabilidade pela vida definitiva ou pela morte eterna não recai assim sobre Deus, mas sobre o homem.<br>De acordo com a perspectiva de João, também não existe um julgamento futuro, no final dos tempos, no qual Deus pesa na sua balança os pecados dos homens, para ver se há de os salvar ou condenar. O juízo realiza-se aqui e agora e depende da atitude que o homem assume diante da proposta de Jesus. Em resumo: porque amava a humanidade, Deus enviou o seu Filho único ao mundo com uma proposta de salvação. Essa oferta nunca foi retirada; continua aberta e à espera de resposta. Diante da oferta de Deus, o homem pode escolher a vida eterna, ou pode excluir-se da salvação. Nós, que cremos, devíamos ser as testemunhas desse Deus que é amor; e as nossas comunidades cristãs ou religiosas deviam ser a expressão viva do amor trinitário.<br>A celebração da Solenidade da Trindade não pode ser a tentativa de compreender e decifrar essa estranha charada de “um em três”. Mas deve ser, sobretudo, a contemplação de um Deus que é amor e que é, portanto, comunidade. Dizer que há três pessoas em Deus, como há três pessoas numa família &#8211; pai, mãe e filho &#8211; é afirmar três deuses e é negar a fé; inversamente, dizer que o Pai, o Filho e o Espírito são três formas diferentes de apresentar o mesmo Deus, como três fotografias do mesmo rosto, é negar a distinção das três pessoas e é, também, negar a fé. A natureza divina de um Deus amor, de um Deus família, de um Deus comunidade, expressa-se na nossa linguagem imperfeita das três pessoas. O Deus família torna-se trindade de pessoas distintas, porém unidas. Chegados aqui, temos de parar, porque a nossa linguagem finita e humana não consegue “dizer” o indizível, não consegue definir o mistério de Deus, um Amor, que se tornou pessoa, derramado sobre nós, para que pudéssemos viver como filhos de Deus. Deste modo, entendemos porque, hoje, a liturgia nos faz viver a solenidade da Santíssima Trindade: Pai, Filho e Espírito Santo, uma espécie de síntese e, sobretudo, meta do caminho até agora percorrido.</p>
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		<title>PENTECOSTES</title>
		<link>https://www.transfiguracao.com.br/pentecostes-4/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Dom Paulo]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 24 May 2026 21:41:58 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Homilias]]></category>
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					<description><![CDATA[DOMINGO DE PENTECOSTES (At 2,1-11) D. Paulo DOMICIANO, OSB Nos Atos dos Apóstolos lemos que após a sua ressurreição, durante quarenta dias, Jesus apareceu aos apóstolos e falou-lhes do Reino de Deus. Certo dia, enquanto comia com eles, ordenou-lhes: “Não vos afasteis de Jerusalém, mas esperai a realização da promessa [&#8230;]]]></description>
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<p class="wp-block-paragraph"><strong>DOMINGO DE PENTECOSTES (At 2,1-11)</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">D. Paulo DOMICIANO, OSB</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nos Atos dos Apóstolos lemos que após a sua ressurreição, durante quarenta dias, Jesus apareceu aos apóstolos e falou-lhes do Reino de Deus. Certo dia, enquanto comia com eles, ordenou-lhes: “Não vos afasteis de Jerusalém, mas esperai a realização da promessa do Pai, da qual vós me ouvistes falar:&nbsp;‘João batizou com água; vós, porém, sereis batizados com o Espírito Santo, dentro de poucos dias’” (At 1,4-5). Mais adiante, acrescentou: “recebereis o poder do Espírito Santo que descerá sobre vós, para serdes minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judeia e na Samaria, e até os confins da terra” (At 1,8).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Tendo contemplado o Senhor subir aos céus, como celebramos no último domingo, os apóstolos, junto com Maria e outros discípulos, permaneceram em Jerusalém, como em um retiro, reunidos unânimes em oração (cf At 1,14; 2,1), aguardando a realização da promessa de Jesus. Em uma manhã como esta, aqueles homens e mulheres temerosos, trancados no Cenáculo &#8211; porque sabiam que estavam sendo perseguidos &#8211; experimentaram a poderosa presença do Espírito Santo, que transformou suas vidas para sempre, fazendo deles instrumentos que mudaram a história.</p>



<p class="wp-block-paragraph">De modo inesperado, o Espírito desceu sobre eles em forma de línguas de fogo, como ouvimos no relato dos Atos dos Apóstolos, e “todos ficaram cheios do Espírito Santo”. O Espírito os encheu com o seu Amor, com o Amor de Deus, como cantamos: “O amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo seu Espírito que habita em nós” (cf Rm 5,5). Este Amor os envia agora a toda a terra para proclamar as maravilhas de Deus, a boa nova do perdão dos pecados e do dom da vida divina.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os Apóstolos são arrancados de seu medo e de sua timidez, abrem as portas do cenáculo, onde estavam trancados e escondidos, e começam a anunciar com toda a força e coragem as maravilhas de Deus. A multidão, confusa, os compreende em sua própria língua. Isso porque a linguagem do amor é universal, rompe as barreiras das diferenças e das distâncias, estabelecendo as pontes da comunhão e da fraternidade, que brotam do seio da Trindade. Essa linguagem é compreensível para todos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O milagre das línguas não é secundário no relato; é mais uma prova do amor de Deus. Pentecostes é o antídoto do episódio de Babel, que ouvimos na primeira leitura da Vigília desta noite (Gn 11,1-9). Em Babel todos falavam a mesma língua, mas, por causa de seu orgulho e por terem buscado a própria glória e não a de Deus, as línguas se confundem. O orgulho e o egoísmo provocam justamente isso: cada um fala a língua dos próprios interesses, rompendo a comunicação. Em Pentecostes, ao contrário, as pessoas entendiam o que os Apóstolos falavam, pois eles se tornaram instrumentos da voz de Deus, eles desapareceram, dando lugar a Deus, com coração simples, humilde, reconhecendo o próprio pecado. A elevação da torre de Babel é fruto do desejo de autoafirmação e de exaltação do ser humano, mas, em Pentecostes temos justamente o contrário, onde se edificam os fundamentos do edifício da Igreja, sobre os alicerces da unidade, para glorificar a Deus.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Peçamos hoje ao Senhor que renove em nós esta fonte de amor e de comunhão que borbulha em nosso interior desde o nosso batismo, a fonte do Espírito Santo. Que Ele sopre mais uma vez sobre nós dizendo: “Recebei o Espírito Santo”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Que os homens e mulheres de nosso tempo encontrem em nós o testemunho do Amor de Deus derramado em nossos corações. O mundo precisa ouvir que Deus continua realizando maravilhas entre nós, que Ele é o Senhor da Vida, não da morte ou da destruição, e pode tudo renovar, como cantamos no Salmo: “Enviai o vosso Espírito, Senhor, e da terra toda a face renovai” (Sl 103).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nós temos a missão de anunciar aos nossos irmãos que estão desanimados e tristes, que perderam sua esperança, sua fé, que o Senhor ressuscitado está junto de nós e não nos abandona. Que seu Espírito habita em nosso coração e nos fortalece para recomeçar, para retomar o caminho e reconstruir a vida.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Que a Virgem Maria, a Mãe do Cenáculo, interceda por nós, para que sejamos abertos, dóceis e disponíveis ao Espírito como ela foi, como foram os Apóstolos, para que sejamos, também nós, testemunhas audaciosas do Amor e da Misericórdia de Deus. Por isso peçamos: Vinde Espírito Santo!</p>
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		<title>Ascensão do Senhor</title>
		<link>https://www.transfiguracao.com.br/ascensao-do-senhor-3/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Dom Paulo]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 17 May 2026 22:16:11 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Homilias]]></category>
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					<description><![CDATA[DOMINGO DA ASCENSÃO DO SENHOR – A (Mt 28,16-20) D. Paulo DOMICIANO, OSB A bela oração da liturgia de hoje sintetiza o sentido profundo do mistério que celebramos com a Ascensão do Senhor e colocando nos lábios da Igreja esta súplica: “Deus todo-poderoso, fazei-nos exultar de santa alegria e fervorosa [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">DOMINGO DA ASCENSÃO DO SENHOR – A (Mt 28,16-20)</p>



<p class="wp-block-paragraph">D. Paulo DOMICIANO, OSB</p>



<p class="wp-block-paragraph">A bela oração da liturgia de hoje sintetiza o sentido profundo do mistério que celebramos com a Ascensão do Senhor e colocando nos lábios da Igreja esta súplica: “Deus todo-poderoso, fazei-nos exultar de santa alegria e fervorosa ação de graças, pois na ascensão de Cristo nossa humanidade foi elevada junto a vós e, tendo ele nos precedido como nossa cabeça, nos chama para a glória como membros do seu corpo”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A Ascensão nos revela a nossa vocação mais profunda: sermos de Deus. Como batizados fazemos parte do Corpo de Cristo e estamos unidos a Ele. Se Ele vai para o Pai, como Cabeça desse Corpo, o destino dos membros todos só pode ser a união com o Pai também. Por isso a Ascensão nos lembra que não somos desse mundo, que fomos criados para muito mais. Nossa esperança está junto de Deus e por isso não vale a pena perder tudo por causa das coisas desse mundo. Como repetiremos daqui um pouco, no diálogo que inicia a liturgia eucarística, “Corações ao alto. O nosso coração está em Deus”. &nbsp;Contudo, não deixamos de viver neste mundo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os anjos dizem aos apóstolos: “Homens da Galiléia, por que ficais aqui parados, olhando para o céu?” Viver a esperança na vida futura junto de Deus não significa ficar parado olhando para o céu. Como os apóstolos, nós também somos enviados pelo Senhor à realidade cotidiana deste mundo: “ide e fazei discípulos meus todos os povos, …&nbsp;e ensinando-os a observar tudo o que vos ordenei!” (Mt 28,19,20). Mas não vamos sozinhos: o Senhor está conosco todos os dias, como Ele mesmo prometeu: “Eis que estarei convosco até ao fim dos tempos” (Mt 28, 20). O Senhor sobe aos céus, mas deixa sobre a terra os seus discípulos, que somos nós, a Igreja, que, pelo batismo, fomos feitos sinais de sua presença. Ele nos confia o mandamento novo do seu amor para que possamos vivê-lo e ensiná-lo, dizendo: “Amai-vos uns aos outros. Como eu vos amei, assim também vós deveis amar-vos uns aos outros” (Jo 13, 34).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Como sacramentos de seu amor, nós somos sinais de esperança, que orientam a história dos homens para o seu verdadeiro destino, que é o céu. Nossa missão é testemunhar aos homens e mulheres de nosso tempo que existe algo maior e mais belo do que tudo isso que encontramos neste mundo; que apesar de tanto sofrimento e tristeza, o Senhor da vida está conosco, caminha conosco, e está nos conduzindo para a morada do Pai, para onde Ele sobe hoje, como nos prometeu no Evangelho há dois domingos. “Vou preparar um lugar para vós,&nbsp;e quando eu tiver ido preparar-vos um lugar, voltarei e vos levarei comigo, a fim de que onde eu estiver estejais também vós” (Jo 14, 3).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Jesus sobe ao céu, não para nos deixar – Ele não nos abandona –, mas vai, justamente, para &#8220;estar conosco” de um modo novo, para ser Emanuel, o Deus conosco. Com sua ressurreição, a vida de Jesus é nova, é a vida do Senhor vivente, aquele que dá a vida, a vida divina, que brota de sua intimidade com o Pai e que se comunica a nós pela força de seu Espírito. Ele volta para junto do Pai para interceder por nós, para nos enviar o Espírito que renova tudo e todos e revela a sua presença entre nós.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Antes de partir, Jesus pede aos discípulos: “permanecei na cidade, até que sejais revestidos da força do alto” (Lc 29,49). Assim, esta semana que segue a solenidade da Ascensão é para nós um convite para permanecermos unidos, junto com os apóstolos e com Maria, para pedir este derramamento do Espírito Santo sobre nós, sobre a Igreja e sobre o mundo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Que a certeza da presença do Senhor entre nós nos anime em nossa esperança, como pedimos no início da nossa celebração, e nos encha de alegria. Que nosso coração se abra à novidade do Espírito Santo prometido, pedindo junto com toda a Igreja: Vinde, Santo Espírito.</p>
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		<title>5º Domingo da Páscoa</title>
		<link>https://www.transfiguracao.com.br/5o-domingo-da-pascoa/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Dom Paulo]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 08 May 2026 21:54:26 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Homilias]]></category>
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					<description><![CDATA[HOMILIA DO V DOMINGO DA PÁSCOA – A&#160;(Jo 14,1-12) D. Paulo DOMICIANO, OSB O Evangelho deste quinto domingo da Páscoa já começa a fazer alusão aos acontecimentos da Ascensão e de Pentecostes que se aproxima. Estamos no contexto da última ceia, onde Jesus pronuncia este discurso de despedida a seus [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">HOMILIA DO V DOMINGO DA PÁSCOA – A&nbsp;(Jo 14,1-12)</p>



<p class="wp-block-paragraph">D. Paulo DOMICIANO, OSB</p>



<p class="wp-block-paragraph">O Evangelho deste quinto domingo da Páscoa já começa a fazer alusão aos acontecimentos da Ascensão e de Pentecostes que se aproxima. Estamos no contexto da última ceia, onde Jesus pronuncia este discurso de despedida a seus discípulos, como um testamento espiritual, dando-lhes o “mandamento novo” do amor.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Diante do anúncio de sua partida, Jesus pacifica os discípulos dizendo: “Não se perturbe o vosso coração. Tendes fé em Deus, tende fé em mim também”. Os discípulos sabem bem que devem crer em Deus, mas a novidade está neste pedido de Jesus: “tendes fé em mim também”. Crer em Deus onipotente, invisível e eterno parece obvio, mas crer em Jesus, em sua aparente fragilidade e obscuridade, é o excesso da fé a que Jesus nos convida.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Depois diz que vai preparar um lugar e voltará para levá-los consigo, “a fim de que onde eu estiver estejais também vós”. O amigo deseja estar com os amigos… é assim que Jesus quer estar junto de seus discípulos. Jesus nos revela que na casa do Pai existem muitas moradas, lugar para todos aqueles que permanecem unidos e confiantes Nele. Não é um lugar reservado para alguns privilegiados apenas… mas casa de acolhida gratuita, paterna, que recebe todos os filhos com o mesmo amor. É Jesus, o Filho amado do Pai, que abre o caminho para a casa do Pai, que nos conduz à sua morada, que é também a nossa morada.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Qual o caminho para esta casa? É a pergunta de Tomé. Jesus lhe declara: “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida. Ninguém vai ao Pai senão por mim”. Ele não somente mostra o caminho para este encontro, mas Ele mesmo se apresenta como o Caminho. Unidos a Ele, somos introduzidos na casa do Pai, em sua intimidade e amizade filial. “Tendes fé em mim também”. Mas a pergunta de Tomé e dos demais, por consequência, revela que para nós é difícil compreender que o acesso à casa do Pai se dê pela aceitação do caminho vivido por Jesus; caminho pascal, de doação de si mesmo até o fim, até a morte de si mesmo, para abraçar uma vida nova. A pergunta revela que buscamos ainda um atalho, quem sabe, um caminho alternativo, mais fácil, menos assustador. Mas não há… Jesus é o Caminho, e Ele nos repete: “não se perturbe o vosso coração. Tendes fé em Deus, tendes fé em mim também”. O convite de Jesus é o convite à confiança nele. É preciso entregar nossos temores, nossas resistências e incapacidades humanas em suas mãos e Ele mesmo vai se ocupar do resto, pois Ele é “o Caminho, a Verdade e a Vida”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O Caminho não é um percurso anônimo, mas uma pessoa, o próprio Jesus, com um rosto, que revela a face do Pai. Ele é o Caminho para ir ao Pai. Ele é a Verdade que revela Pai. Ele é a Vida Eterna oferecida pelo Pai. A declaração de Jesus é uma das afirmações mais fortes e ousadas de todo o Evangelho. Ele “se revela como o Caminho definitivo para entrar no mistério de Deus, a Verdade necessária para uma existência saudável e a Vida abundante desejada pelo coração humano. Nele está o segredo para tudo de que precisamos ou desejamos” (fr. Luis Felipe).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os discípulos ainda não entenderam que Jesus é o caminho para o Pai, que Ele é a face visível do Deus invisível. “Senhor, mostra-nos o Pai, isso nos basta!” – agora é Felipe que fala – Jesus respondeu: “Há tanto tempo estou convosco, e não me conheces, Felipe? Quem me viu, viu o Pai. Como é que tu dizes: ‘Mostra-nos o Pai’?&nbsp;Não acreditas que eu estou no Pai e o Pai está em mim?”</p>



<p class="wp-block-paragraph">E nós, como compreendemos isso? De fato acreditamos que na humanidade de Jesus podemos ver Deus? Cremos que somente através de Jesus, que é o Caminho, conhecemos quem é o Pai? Isto é o que há de mais específico e singular na fé cristã, o escândalo para toda busca religiosa, toda sabedoria humana, mas que professamos com confiança.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Que o Senhor Ressuscitado dissipe de nosso coração toda incerteza, todo medo de crer em Jesus como Caminho, Verdade e Vida, confessando com coragem esta verdade de fé, que nos conduz à alegria da casa do Pai, nos reconhecendo como seus filhos amados.</p>
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		<title>2º Domingo da Páscoa</title>
		<link>https://www.transfiguracao.com.br/2o-domingo-da-pascoa/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Dom Paulo]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 21 Apr 2026 14:09:01 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Homilias]]></category>
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					<description><![CDATA[Domingo da Oitava da Páscoa (Lc 24,13-35) D. Afonso VIEIRA, OSBEsta passagem do Evangelho me faz sempre lembrar uma reflexão que ouvi quando frequentava a catequese, quando era criança: o que mais faz sofrer a Deus é acreditar que Ele não nos ama verdadeiramente, é duvidar do Seu amor e [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">Domingo da Oitava da Páscoa <strong>(Lc 24,13-35)</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">D. Afonso VIEIRA, OSB<br>Esta passagem do Evangelho me faz sempre lembrar uma reflexão que ouvi quando frequentava a catequese, quando era criança: o que mais faz sofrer a Deus é acreditar que Ele não nos ama verdadeiramente, é duvidar do Seu amor e da Sua misericórdia. E, precisamente hoje, neste Domingo da Misericórdia, em vez de considerar esse aspeto de incredulidade tradicionalmente associado a São Tomé, é com prazer que me deterei na sua profissão de fé “Meu Senhor e meu Deus “, no ato de fé que ele realiza graças a uma experiência totalmente pessoal do Ressuscitado, depois de ter colocado o dedo no lugar dos pregos e a mão no lado.<br>É, de fato, a partir da sua dúvida, a partir das suas interrogações, que Tomé será desafiado na sua fé e estabelecerá uma aliança de uma forma agora nova. Ele queria tocar nas chagas do crucificado agora ressuscitado, e o faz, mas imediatamente Jesus irá chamá-lo a ir mais além dessa experiência. Enquanto Tomé talvez quisesse reencontrar Jesus de Nazaré, com quem tinha caminhado e que tinha sido crucificado, é o Ressuscitado que virá até ele e o chamará a acreditar de outra forma, de maneira sempre renovada, como faz hoje por cada um de nós. Sim, se o crucificado sabe chegar até nós, encontrar-nos nas nossas cruzes atuais, no meio das nossas dificuldades, das nossas feridas, é sem dúvida para nos lembrar que temos de ir além da cruz na qual não estamos destinados a permanecer pregados para toda a eternidade. Ao permitir que toquemos nas suas chagas, Jesus nos revela, de certa forma, as nossas, as nossas próprias feridas na verdade, mas numa verdade que lhes dá sentido, que abre para a vida em vez de nos encerrar num sofrimento estéril. Ao tocar nas suas chagas, são as nossas próprias chagas e feridas que descobrimos na verdade e na luz do seu amor, as nossas, mas também as do irmão, da irmã. Essas feridas de Cristo que Tomé toca vão revelar uma misericórdia, uma compaixão, um amor que nos atingem até ali, até às nossas próprias feridas e outras dimensões infernais.<br>Tal como São Tomé, saibamos então entrar neste ato de fé que sabe, finalmente, reconhecer o Ressuscitado no crucificado. Sim, saibamos reconhecê-lo vivo nas nossas vidas, onde, para além e mesmo no coração das nossas feridas que ganham sentido graças às suas, Ele nos chama a ser vivos. Ousemos reconhecê-lo ressuscitado e saber-nos chamados a entrar nesta Ressurreição. Arrisquemo-nos desde já a este ato de fé. Ousemos ouvi-Lo dizer-nos novamente: a paz esteja convosco, bem-aventurados os que acreditam sem ter visto. Felizes aqueles que, ao verem as feridas do Mestre, conseguem compreender e assumir as suas próprias, as suas próprias feridas que, assim transfiguradas, serão tantas brechas e portas por onde poderá ser acolhida a graça da sua misericórdia, do seu amor, para que sejam também canais dessa misericórdia e desse amor louco que não cessa de querer alcançar todos, para que sejam vivos, para que todos permaneçam um dia no seu amor. Como sugere a primeira carta de São João, deixemos que o Espírito da verdade trabalhe mais nos nossos corações, nas articulações, nas conexões profundas do nosso ser; deixemos que este espírito da verdade evangelize mais as nossas profundezas para que escolhamos bem a vida e não a morte que certos valores contemporâneos gostariam de nos apresentar como um remédio. Acolhamos cada vez mais este amor do Pai que nos chega através das chagas do Filho, do Ressuscitado, que desde já deseja ardentemente levar-nos já no ímpeto de vida da sua Ressurreição, no ímpeto da Vida trinitária.</p>
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		<title>DOMINGO DA RESSURREIÇÃO</title>
		<link>https://www.transfiguracao.com.br/domingo-da-ressurreicao-3/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Dom Paulo]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 06 Apr 2026 14:52:59 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Homilias]]></category>
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					<description><![CDATA[HOMILIA DOMINGO DA RESSURREIÇÃO DO SENHOR (Jo 20,1-9) D. Paulo DOMICIANO, OSB “No primeiro dia da semana, Maria Madalena foi ao túmulo de Jesus, bem de madrugada” (Jo 20,1); “Saíram, então, Pedro e o outro discípulo e foram ao túmulo” (20,3).&#160; Junto com Maria, as outras mulheres, Pedro e João, [&#8230;]]]></description>
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<p class="wp-block-paragraph">HOMILIA DOMINGO DA RESSURREIÇÃO DO SENHOR (Jo 20,1-9)</p>



<p class="wp-block-paragraph">D. Paulo DOMICIANO, OSB</p>



<p class="wp-block-paragraph">“No primeiro dia da semana, Maria Madalena foi ao túmulo de Jesus, bem de madrugada” (Jo 20,1); “Saíram, então, Pedro e o outro discípulo e foram ao túmulo” (20,3).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Junto com Maria, as outras mulheres, Pedro e João, somos nós hoje os peregrinos do oitavo dia, que saem à procura de Jesus. Aproximando-nos de um túmulo vazio com os perfumes de nossa boa vontade, nossa necessidade de respostas, a dor de nossas perdas… Mas o que encontramos é apenas um túmulo vazio. Este túmulo vazio não é prova da ressurreição… contudo, olhando para dentro e vendo as faixas de linho no chão, João “viu e acreditou” (20,8). Mas o que ele vê é justamente o contrário daquilo que ele acredita. Vê a ausência e acredita na presença do Senhor Ressuscitado.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os discípulos testemunharam a Paixão, a morte e o sepultamento na Sexta-feira Santa. Mais tarde, viram Jesus nas diversas aparições após a Ressurreição, como contemplaremos nos Evangelhos desta semana. Mas ninguém estava presente no momento da Ressurreição. Ninguém “viu” esse momento tão crucial. A vida de Jesus pode ser objeto de conhecimento histórico e científico; pode ser interpretada pelo teatro, pelo cinema, pelas séries de TV, mas a Ressurreição não é nem pode ser objeto de conhecimento científico. Este evento só pode ser compreendido a partir do espaço vazio do sepulcro, o espaço de fé.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Diante da efusão de alegria dos aleluias que este dia nos inspira, o Evangelho da manhã de Páscoa nos convida a uma atitude silenciosa e contemplativa. A celebração da Ressurreição nos introduz em um sepulcro vazio e nos indica que para fazermos a experiência da ressurreição é preciso entrar neste espaço onde as palavras cessam e nossa expectativas humanas precisam ser despojadas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O Senhor nos deixa alguns traços, algumas pistas de onde e como podemos encontrá-lo. Não é, decididamente, em um cenário de espetáculo, como a arte ao longo da história preferiu retratar este momento, mas dentro de um túmulo vazio. É lá, no íntimo de nós, onde cada um é habitado por suas próprias sombras e vazios, dúvidas e incoerências, medos e angústias, que o Senhor deseja fazer brotar a nova luz, a nova esperança, a nova alegria.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No Evangelho desta noite o anjo e o próprio Senhor Ressuscitado enviam as mulheres para anunciar aos outros discípulos: “Ide anunciar aos meus irmãos que se dirijam para a Galileia. Lá eles me verão” (Mt 28,10). Sim, o Senhor também nos indica a direção de nossa Galiléia para encontrá-lo, no cotidiano de nossa vida.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Tendo visitado o túmulo vazio, tendo aceitado entrar neste espaço sombrio de nosso coração, em silêncio e com fé, onde enterramos nosso velho homem, nossas ambições, nosso orgulho e vaidade, somos convidados a ir ao encontro do Ressuscitado na Galiléia de nosso cotidiano: no pão repartido, no olhar de compaixão, nos pés que precisam ser lavados, no ombro que é oferecido ao outro. Este caminho nos coloca na direção da vida nova e transfigurada que o Ressuscitado nos oferece hoje. Como ouvimos de São Paulo: “Se ressuscitastes com Cristo, esforçai-vos por alcançar as coisas do alto”. Ressuscitamos com Cristo em nosso batismo; ressuscitamos com Ele quando somos alimentados com seu Corpo e seu Sangue. Por isso, fomos capacitados a viver desde já a vida do alto, a vida dos filhos de Deus, reconhecendo nos espaços vazios de nossa vida a presença luminosa e transformadora de Jesus Ressuscitado.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Peçamos ao Senhor que a sua Ressurreição seja para nós a fonte de uma vida nova, de uma transformação profundo e duradoura em nosso ser, em nossas atitudes e escolhas de cada dia. Por isso, retomemos a nossa oração do início de nossa celebração: “Concedei que, celebrando a solenidade da sua ressurreição, renovados pelo vosso Espírito, ressuscitemos para a luz da vida”.</p>
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		<title>VIGÍLIA PASCAL</title>
		<link>https://www.transfiguracao.com.br/vigilia-pascal/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Dom Paulo]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 06 Apr 2026 14:51:35 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Homilias]]></category>
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					<description><![CDATA[D. Paulo DOMICIANO, OSB Não me canso de repetir a cada ano o quando é impactante para mim celebrar a Vigília Pascal, a “mãe de todas as vigílias”, como diz Santo Agostinho: há praticamente 2000 anos a Igreja se reúne todos os anos nesta noite santa para celebrar a Páscoa [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">D. Paulo DOMICIANO, OSB</p>



<p class="wp-block-paragraph">Não me canso de repetir a cada ano o quando é impactante para mim celebrar a Vigília Pascal, a “mãe de todas as vigílias”, como diz Santo Agostinho: há praticamente 2000 anos a Igreja se reúne todos os anos nesta noite santa para celebrar a Páscoa do Senhor, a noite da ressurreição, a noite da vida nova! E cabe a nós, hoje, como herdeiros deste tesouro, viver novamente os mistérios de nossa salvação através desta liturgia.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Estamos no coração da noite – este é o sentido de uma vigília &#8211; durante a passagem das trevas para a luz. Esta passagem é uma expressão simbólica da longa trajetória desde as trevas e o caos original do início do Gênesis até a luz de Cristo ressuscitado na manhã de Páscoa.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A longa sequência de leituras do Antigo Testamento, que acabam de ser proclamadas, não pretende ser um simples resumo da história da salvação – pois faltariam aqui episódios essenciais –, mas um caminho que nos conduz, pedagogicamente, a contemplar o modo de Deus agir entre nós através das várias passagens das trevas para a luz ao longo de toda a história da salvação. Esta história começa com a separação da luz das trevas no caos primordial. Depois, há a passagem do caos religioso das muitas religiões antigas para a luz da revelação de Deus a Israel. Segue-se a passagem do cativeiro no Egito para a libertação do Êxodo. Outra passagem muito mais importante vem a seguir: a do coração de pedra para o coração de carne animado pelo Espírito. E, finalmente, a grande passagem de Jesus, das trevas da morte para a luz da Ressurreição.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Isso nos mostra que a história humana e a história de cada um de nós se constitui de uma série de passagens das trevas para a luz, da tristeza para a alegria, do pecado para a vida. E deste modo, Deus vai realizando uma obra nova, uma nova criação em nossas vidas a cada uma dessas passagens, dessas pequenas páscoas. Contudo, nenhuma delas se compara à obra nova realizada por Cristo em sua Páscoa.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Neste sentido, gostaria de retomar com vocês a primeira oração da liturgia da Palavra, que segue imediatamente a leitura do relato da Criação e o canto do Salmo 103, onde rezamos:</p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>Deus Eterno e todo-poderoso, que dispondes de modo admirável todas as vossas obras, dai aos que foram resgatados pelo vosso Filho a graça de compreender que o sacrifício do Cristo, nossa Páscoa, na plenitude dos tempos, ultrapassa em grandeza a criação do mundo realizada no princípio.</em></p>



<p class="wp-block-paragraph">Temos aqui uma síntese e um anúncio da obra da Salvação: a Criação é uma obra maravilhosa, como ouvimos: “Deus viu que tudo era bom/belo”, o Genesis repete como um refrão. Estamos acompanhando a missão dos astronautas enviados à Lua e ficamos fascinados, como eles, certamente, com a beleza do universo, com sua imensidão e perfeita harmonia entre todos seus elementos. Mas a nova Criação inaugurada no Novo Adão, Cristo Jesus, é uma obra ainda mais maravilhosa, que <em>ultrapassa em grandeza a criação do mundo realizada no princípio</em>. Pelos sacramentos da Páscoa — batismo, crisma e eucaristia —, nos é dada a possibilidade de participar desta nova criação e de sermos, nós mesmos, recriados, <em>re-generados</em>, assumindo a vida nova de Cristo em nós. É o que São Paulo nos anuncia em sua carta ao Romanos: “Pelo batismo na sua morte, fomos sepultados com ele, para que, como Cristo ressuscitou dos mortos pela glória do Pai, assim também nós levemos uma vida nova” (Rm 6,4).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mas como esta nova criação é possível? Na sequência ao relato da Criação, nós respondemos com o Salmo 103, suplicando ao Senhor para que envie sobre nós o seu Espírito: <em>Enviai, Senhor, o vosso Espírito e renovai a face da terra</em>. Não somente a face da terra, mas o nosso coração e toda a humanidade. Este renascimento se realiza em nós em nosso batismo, a obra mais maravilhosa que a própria obra da criação, pela ação do Espírito Santo que o Ressuscitado nos envia. Assim, nesta noite, nós temos a graça de renovar nossas promessas batismais, renovar nosso desejo de vivermos como filhos de Deus, conformados à Jesus Cristo, o Filho Único do Pai, sendo alimentados por seu Corpo e seu Sangue e renovados por seu Espírito.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Que o Senhor abra nossos corações e nossa inteligência para compreendermos a grandeza deste dom que nós recebemos. Seja este o motivo de nossa verdadeira alegria: sermos novas criaturas em Cristo. Assim como as mulheres que receberam o anúncio do anjo e do próprio Ressuscitado, que vem ao nosso encontro hoje, sejamos nós a correr para anunciar esta boa-nova ao mundo: “Alegrai-vos!”; “Não tenhais medo. Ide anunciar aos meus irmãos”. &nbsp;Aleluia!</p>
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		<title>CELEBRAÇÃO DA PAIXÃO DO SENHOR</title>
		<link>https://www.transfiguracao.com.br/celebracao-da-paixao-do-senhor/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Dom Paulo]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 06 Apr 2026 14:50:13 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Homilias]]></category>
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					<description><![CDATA[HOMILIA CELEBRAÇÃO DA PAIXÃO DO SENHOR D. Paulo DOMICIANO, OSB A Liturgia da noite de ontem nos introduziu no primeiro ato do drama divino da Paixão. Na Última Ceia, Cristo ofereceu sacramentalmente aos discípulos seu Corpo e seu Sangue, no pão e no vinho, antecipando a imolação sangrenta na cruz, [&#8230;]]]></description>
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<p class="wp-block-paragraph">HOMILIA CELEBRAÇÃO DA PAIXÃO DO SENHOR</p>



<p class="wp-block-paragraph">D. Paulo DOMICIANO, OSB</p>



<p class="wp-block-paragraph">A Liturgia da noite de ontem nos introduziu no primeiro ato do drama divino da Paixão. Na Última Ceia, Cristo ofereceu sacramentalmente aos discípulos seu Corpo e seu Sangue, no pão e no vinho, antecipando a imolação sangrenta na cruz, na Sexta-feira.</p>



<p class="wp-block-paragraph">É na cruz que Jesus radicaliza a sua entrega ao Pai e seu sacrifício por nós. Como ouvimos no Evangelho de ontem, Ele nos amou até o fim. Ou seja, nos amou em excesso, sem medir consequências, sem nenhuma reserva; nos amou até a última gota de sangue, até o último suspiro, quando exclama do alto da cruz: “tudo está consumado” e entrega o seu Espírito nas mãos do Pai.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Contudo, este último suspiro não põe fim ao seu amor, mas o multiplica. Do lado aberto de Cristo na cruz jorram sangue e água, sinais do Batismo e da Eucaristia, origens da Igreja. Assim, a cruz de Cristo se torna para nós o lugar e a fonte de onde brotam a abundância deste amor que se oferece até o fim, da libertação e da vida nova para nós conquistadas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">É por isso que ontem cantávamos a bela antífona de entrada: “Nós, porém, devemos gloriar-nos na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo; nele está a salvação, nossa vida e ressurreição; por ele somos salvos e libertos” (Cf. Gl 6, 14).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Cruz e salvação, morte e ressurreição, fracasso e glória se conjugam no mistério da cruz de Cristo. Nesta celebração da Paixão do Senhor, somos chamados a ir além para reconhecer, por trás das aparências de fracasso, a vitória de um amor que se deixa aniquilar sem, no entanto, deixar-se vencer. Por isso, as palavras da Carta aos Hebreus tocam diretamente o cerne de nossa busca por uma resposta a tanto amor: “Aproximemo-nos então, com toda a confiança, do trono da graça, para conseguirmos misericórdia e alcançarmos a graça de um auxílio no momento oportuno” (Hb 4,16).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A escuta do relato da Paixão de nosso Senhor nos impele a nos aproximar da cruz, o trono da graça de Cristo, do qual esperamos receber a misericórdia e a força que nos capacitam a dar uma resposta de amor semelhante a daquele que nela está assentado. Nós adoramos esta cruz, a abraçamos e beijamos, como sinal de nosso desejo de assumir em nossa vida a nossa própria cruz, apesar de nossas fraquezas e infidelidades.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O crucificado não nos dá uma resposta prontas aos paradoxos que nos afligem nesta vida, mas Ele os assume sobre si. Ele “tomava sobre si nossas enfermidades e sofria, ele mesmo, nossas dores” (Is 53, 4), nos anuncia o profeta. Deste modo, não nos oferece respostas, mas nos abre à possibilidade de encontrar sentido em nossas dores e angústias, nas divisões e traições, nas injustiças e humilhações, nos sofrimentos e na morte.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A última palavra para todos estes paradoxos não é o desespero, mas um grito de confiança levado ao máximo limite nos lábios do Salvador: “Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?”. “Confiança que resiste até quando tudo se cala” (pp Leão XIV). Por isso, peçamos ao Senhor que aumente em nós esta ousadia da confiança, a ousadia do amor e da fé, para que, unidos a Cristo, abracemos a nossa cruz e o sigamos em sua Páscoa.</p>
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		<title>QUINTA-FEIRA SANTA: IN COENA DOMINI</title>
		<link>https://www.transfiguracao.com.br/quinta-feira-santa-in-coena-domini/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Dom Paulo]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 06 Apr 2026 14:48:12 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Homilias]]></category>
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					<description><![CDATA[HOMILIA DA QUINTA-FEIRA SANTA: IN COENA DOMINI (Jo 13,1-15) D. Paulo DOMICIANO, OSB A solene liturgia desta noite abre o Tríduo Pascal, os três dias pascais, em que celebramos os mistérios da vida de Jesus Cristo, sua paixão, morte e ressurreição. Os ritos litúrgicos que realizamos não são, como disse [&#8230;]]]></description>
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<p class="wp-block-paragraph">HOMILIA DA QUINTA-FEIRA SANTA: IN COENA DOMINI (Jo 13,1-15)</p>



<p class="wp-block-paragraph">D. Paulo DOMICIANO, OSB</p>



<p class="wp-block-paragraph">A solene liturgia desta noite abre o Tríduo Pascal, os três dias pascais, em que celebramos os mistérios da vida de Jesus Cristo, sua paixão, morte e ressurreição. Os ritos litúrgicos que realizamos não são, como disse no Domingo de Ramos, encenações piedosas, mas a atualização dos eventos de nossa salvação, de modo que nos tornamos participantes do mistério de Cristo. Esta é a dinâmica litúrgica e sacramental que fundamenta nossas liturgias pascais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O Tríduo Pascal, celebrado durante estes três dias, não se trata de uma fragmentação da Páscoa cristã das origens, que era celebrada em uma única noite de Páscoa, mas podemos considerá-lo como três atos de uma única e mesma “ópera” da Salvação. Esta dissociação é apenas aparente, pois, na realidade, a missa da Ceia desta noite, bem como a Sexta-feira Santa, a noite da ressurreição e o dia de domingo, formam uma única Solenidade, um único Mistério pascal (<em>sacramentum paschale</em>).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Esta liturgia de hoje é mais do que o aniversário da Última Ceia, mais do que uma homenagem ao sacramento da Eucaristia e ao sacerdócio cristão. É a entrada do Salvador na sua Páscoa: <em>Era antes da festa da Páscoa. Jesus sabia que tinha chegado a sua hora de passar deste mundo para o Pai </em>(Jo 13, 1). Sua hora finalmente chegou; a hora de dar a sua vida e realizar a sua Páscoa para nos salvar, amando-nos “até o fim” (Jo13,1), sem nenhuma reserva ou condição. Deste modo, a sua Páscoa, é também a nossa Páscoa, a nossa passagem do pecado para a graça, da morte para a vida nova em Deus.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A Igreja revive esta Páscoa em mistério, ou seja, através do sacramento; através da liturgia, ela renova a Última Ceia, a refeição que o Senhor fez com os seus discípulos no limiar da noite, antecipando, desde modo, a sua entrega na cruz, e inaugurando a Páscoa da nova Aliança: Cristo instituiu ali os santos mistérios do seu corpo entregue e do seu sangue derramado; ao mesmo tempo, investiu os seus Apóstolos para prolongar na história este mistério sacramentalmente até a sua volta, confiando-lhes o mandato: <em>Fazei isto em memória de mim</em> (cf. 1Cor 11, 24.25).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Curiosamente, nesta celebração, o mistério da Eucaristia não nos é proposto pelo Evangelho, mas pela leitura da carta de São Paulo aos Coríntios (1Cor 11,23-26). O Evangelho nos recorda outro mistério de Cristo: o lava-pés, que é o sacramento do serviço. Assim, temos duas ações de Jesus, ou dois sinais, que antecipam o mistério de sua entrega ao Pai por nós.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Jesus confia hoje aos seus apóstolos e a toda a Igreja &#8211; nós aqui reunidos hoje &#8211; o mandato de repartir o pão e o cálice, como Ele fez, em sua memória. Mas também lhes dá o mandato de despojarem-se, abaixarem-se e servirem-se uns aos outros: “Dei-vos o exemplo, para que façais a mesma coisa que eu fiz” (Jo 13,15).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Jesus nos entrega esses dois sacramentos hoje, antecipando o seu Mistério de amor, como antídotos para as doenças da divisão e da guerra, da sede de poder e de vingança. Abaixar-se para servir, oferecer-se a si mesmo como alimento e sustento ao outro: é este modo novo de viver que o Senhor nos convida a partilhar com Ele nesta Ceia Sagrada. “Dei-vos o exemplo, para que façais a mesma coisa que eu fiz” (Jo 13,15).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Aproximemo-nos desta mesa santa hoje com o desejo seguir os passos do Senhor em seu Mistério Pascal, configurando a nossa vida com a sua vida. Ele que nos ensina este único mandamento: amar até o fim e sem medida.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
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		<title>5º Domingo da Quaresma</title>
		<link>https://www.transfiguracao.com.br/5o-domingo-da-quaresma/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Dom Paulo]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 24 Mar 2026 22:00:16 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Homilias]]></category>
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					<description><![CDATA[D. Agostinho FAGUNDES, OSB Meus caros irmãos em Cristo,a liturgia deste V Domingo da Quaresma nos convida à esperança, à confiança de que o Senhor é capaz de transformar em vida, em recomeço, em reencontro todas as nossas experiências de morte – sejam elas físicas, espirituais, existenciais.Na primeira leitura deste [&#8230;]]]></description>
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<p class="wp-block-paragraph">D. Agostinho FAGUNDES, OSB</p>



<p class="wp-block-paragraph">Meus caros irmãos em Cristo,<br>a liturgia deste V Domingo da Quaresma nos convida à esperança, à confiança de que o Senhor é capaz de transformar em vida, em recomeço, em reencontro todas as nossas experiências de morte – sejam elas físicas, espirituais, existenciais.<br>Na primeira leitura deste dia o povo de Deus encontra-se em solo estrangeiro, exilados na Babilônia,<br>experimentando uma verdadeira desolação: fora da terra que havia sido dada por Deus, sem o Templo de<br>Jerusalém, lugar principal do culto e dos sacrifícios, e vivendo tudo isso como um sinal de que eles haviam rompido a Aliança de Amor com o Deus Vivo e, por isso, Ele os havia abandonado à própria sorte. Em meio a esse sofrimento, o profeta afirma que o próprio Deus os levantará da morte, infundindo neles a força de Seu Espírito para que possam voltar à vida.<br>Então o salmo retoma esta reflexão, afirmando que no Deus Vivo encontra-se toda a graça e redenção, e<br>que o povo de Israel aguarda ansiosamente a manifestação da salvação de Deus. Pois Ele está sempre próximo, e ouve o clamor e a prece de seus filhos, sem ficar continuamente nos acusando por causa de nossos pecados, fraquezas e fracassos. Somos pecadores, mas reafirmarmos nossa esperança em sua misericórdia: Ele virá nos perdoar e salvar.<br>Na segunda leitura, São Paulo nos afirma que embora estejamos marcados, por causa do pecado, pela<br>mortalidade, pela caducidade, o Espírito de Deus habita em nós, permitindo-nos viver orientados por Sua Força, movidos por Seu Amor, de tal modo que possamos viver conforme o chamado de Deus porque cremos que fomos justificados em Jesus Cristo. Na cruz do Cristo Jesus se manifestou a justiça de Deus. E tal como Deus o levantou da morte pelo poder do Espírito, assim também fará conosco. E essa experiência também se dá a cada dia, à medida que rompemos com o egoísmo e somos capazes, por dom de Deus, de gerarmos vida ao redor de nós à medida que nos colocamos a serviço de nossos irmãos.<br>Então chegamos ao Evangelho deste domingo que, ao narrar a ressurreição de Lázaro, torna-se imagem<br>bastante vívida de tudo o que ouvimos nas leituras anteriores e cantamos no Salmo Responsorial. Lázaro, amigo de Jesus, morre. E Jesus Cristo, no quarto dia, chega à casa de suas irmãs. O que Jesus Cristo demandava de todos aqueles que o seguiam e com quem se encontrava era a fé: crer em Jesus Cristo, aquele que foi enviado pelo Pai e a quem o Pai sempre escuta, é passar da morte para a vida. E a revivificação de Lázaro será o sinal de que Ele é verdadeiramente aquele que vence a morte. Ele já a vencera em outros momentos – lembremo-nos do filho da viúva de Naim e da filha de Jairo. Mas será a sua própria Ressurreição que estabelecerá sua vitória final.<br>O Cordeiro de Deus, o cordeiro pascal, tira o pecado mundo ao dar a sua vida por nós, por amor a nós, e ser Ressuscitado pelo poder de Deus. Muitas vezes, de dentro de nossas cavernas morais e existenciais, do mais profundo de nosso coração atribulado e sem esperança, cansado, mergulhado no próprio egoísmo e mediocridade, escutamos o Cristo Jesus nos chamando pelo nosso próprio nome e convidando-nos a “vir para fora”. É a Sua Palavra que nos tira da morte, da incredulidade, do fechamento em nós mesmos e em nosso próprio pecado. Lázaro é símbolo da nossa humanidade enferma, necessitada da força vital que nos vem do Cristo Jesus. É o seu amor por nós, seus discípulos, que nos tira de uma vida sem sentido e nos mostra que Deus quer nos dar a vida em plenitude. Importa atentar, ainda, neste relato evangélico, para as palavras de Marta: “Senhor, já cheira mal. Está morto há quatro dias”. Basta recordar-nos de que, ao recitarmos o Credo, dizemos que o Senhor Jesus Cristo “ressuscitou ao terceiro dia”. O que o evangelista quer destacar apontando para o quarto dia é que antes de Jesus Cristo, toda a humanidade estava condenada à morte. Agora, Ele, que é a Ressurreição e a Vida, as transmite a todos aqueles que aderem a Ele pela fé. O quarto dia era símbolo da morte sem esperança. Agora, a nossa vida está no Cristo, o Filho do Deus Vivo, em quem cremos e esperamos.<br>Terminemos ouvindo as palavras de Santo Atanásio em sua Homilia sobre a ressurreição de Lázaro:<br>Eu sou a voz da vida que ressuscita os mortos. Eu sou o doce perfume que dissipa o mau cheiro.<br>Eu sou a voz da alegria que dissipa a tristeza e a dor […]. Eu sou o auxílio para os tristes. Os alegres me pertencem, pois eu sou a alegria do mundo inteiro. Alegrem-se todos os meus amigos, pois eu me alegrarei com eles! “Eu sou o pão da vida.”<br>Que o Deus Vivo continue nos sustentando em nosso caminho penitencial rumo à celebração pascal</p>
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