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	<title>Mosteiro da Transfiguração</title>
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	<description>Em Vossa luz contemplamos a Luz</description>
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		<title>23º Domingo do Tempo Comum</title>
		<link>https://www.transfiguracao.com.br/23o-domingo-do-tempo-comum-2/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Dom Paulo]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 07 Sep 2026 18:51:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>
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					<description><![CDATA[HOMILIA 23º Domingo do Tempo Comum Dom Afonso VIEIRA, OSB As leituras deste domingo nos sugerem uma reflexão sobre a nossa responsabilidade diante daqueles que nos rodeiam, afirmando claramente, que ninguém pode ficar indiferente diante daquilo que ameaça a vida e a felicidade de um irmão e que todos somos [&#8230;]]]></description>
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<p class="wp-block-paragraph">HOMILIA 23º Domingo do Tempo Comum</p>



<p class="wp-block-paragraph">Dom Afonso VIEIRA, OSB</p>



<p class="wp-block-paragraph">As leituras deste domingo nos sugerem uma reflexão sobre a nossa responsabilidade diante daqueles que nos rodeiam, afirmando claramente, que ninguém pode ficar indiferente diante daquilo que ameaça a vida e a felicidade de um irmão e que todos somos responsáveis uns pelos outros. A primeira leitura nos fala do profeta como uma “sentinela”, alguém que Deus colocou para vigiar a cidade dos homens, o profeta apercebe-se daquilo que está tirando o foco dos planos de Deus e impedindo a felicidade dos homens. Como sentinela responsável, ele alerta a comunidade para os perigos que a ameaçam. Na segunda leitura, Paulo convida os cristãos de Roma (e de todos os lugares e tempos) para colocar no centro da vida humana, o mandamento do amor. Trata-se de uma “dívida” que temos para com todos os nossos irmãos, e que nunca estará completamente saldada.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Tendo em vista as leituras, o Evangelho deixa clara a nossa responsabilidade em ajudar cada irmão a tomar consciência dos seus erros. Trata-se de um dever que resulta do mandamento do amor. O Senhor Jesus ensina que o caminho correto para atingir esse objetivo não passa pela humilhação ou pela condenação de quem falhou, mas pelo diálogo fraterno, leal, amigo, que revela ao irmão que a nossa intervenção resulta do amor. O capítulo 18 do Evangelho de Mateus é conhecido como o “discurso eclesial” por apresentar uma catequese de Jesus sobre a experiência de caminhada em comunidade. A comunidade de Mateus é uma comunidade “normal”, é uma comunidade parecida com a nossa e com qualquer uma das que nós conhecemos. Nessa comunidade existem tensões entre os diversos grupos e problemas de convivência: há irmãos que se julgam superiores aos outros e que querem ocupar os primeiros lugares; há irmãos que tomam atitudes prepotentes e que escandalizam os mais fracos; há irmãos que magoam e ofendem outros membros da comunidade; há irmãos que têm dificuldade em perdoar as falhas e os erros dos outros&#8230; Para responder isso, Mateus elaborou uma exortação que convida à simplicidade e humildade, ao acolhimento dos pequenos, ao perdão e ao amor. Ele desenha, assim, um “modelo” de comunidade para os cristãos de todos os tempos. A comunidade de Jesus tem de ser uma família de irmãos, que vive em harmonia, que dá atenção aos mais fracos, que escuta os apelos e os conselhos do Pai e que vive no amor. O fragmento do “discurso eclesial” que hoje nos é proposto refere-se, especialmente, ao modo de proceder para com o irmão que errou e que provocou conflitos. Neste quadro, as decisões radicais e fundamentalistas raramente são cristãs. É preciso tratar o problema com bom senso, com maturidade, com equilíbrio, com tolerância e, acima de tudo, com amor. Assim Mateus propõe um caminho em várias etapas&#8230;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em primeiro lugar, propõe um encontro com esse irmão, em privado, e que se fale com ele cara a cara sobre o problema (vers. 15). O caminho correto não passa por dizer mal “por trás”, por publicitar a falta, por criticar publicamente (ainda que não se invente nada). O caminho coreto passa pelo confronto pessoal, leal, honesto, sereno, compreensivo e tolerante com o irmão em causa. Se esse encontro não resultar, Mateus propõe uma segunda tentativa. Essa nova tentativa implica o recurso a outros irmãos (“toma contigo uma ou duas pessoas” &#8211; diz Mateus &#8211; vers. 16) que, com serenidade, sensibilidade e bom senso, sejam capazes de fazer o infrator perceber o sem sentido do seu comportamento. Se também essa tentativa falhar, resta o recurso à comunidade. A comunidade será então chamada para recordar-lhe as exigências do caminho cristão e a pedir-lhe uma decisão (vers. 16a). No caso de um irmão obstinado no seu comportamento errado, a comunidade terá que reconhecer, com dor, a situação em que esse irmão se colocou a si próprio; e terá de aceitar que esse comportamento o colocou à margem da comunidade. Trata-se de imagens tipicamente judaicas para falar de pessoas que estão instaladas em situações de erro, que se obstinam no seu mau proceder e que recusam todas as oportunidades de integrar a comunidade da salvação. Na realidade, a Igreja é uma realidade divina e humana, onde coexistem a santidade e o pecado. O que Mateus aqui sugere é que a Igreja tem de tomar posição quando algum dos seus membros, de forma consciente e obstinada estão frontalmente contra as propostas que Cristo veio trazer. Nesse caso, contudo, nem é a Igreja que exclui o irmão, ele é que, pelas suas opções, se coloca à margem da comunidade. A Igreja tem, no entanto, que constatar o fato e agir em consequência. Depois desta instrução sobre a correção fraterna, Mateus acrescenta três “ditos” de Jesus (Mt 18,18-20) que, originalmente, seriam independentes da temática precedente, mas que Mateus encaixou neste contexto.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O primeiro (vers. 18) refere-se ao poder, conferido à comunidade, de “ligar” e “desligar”, usando a expressão que designava o poder para interpretar a Lei com autoridade, para declarar o que era ou não permitido e para excluir ou reintroduzir alguém na comunidade do Povo de Deus; significando que a comunidade tem o poder para interpretar as palavras de Jesus, para acolher aqueles que aceitam as suas propostas e para excluir aqueles que não estão dispostos a seguir o caminho que Jesus propôs. O segundo (vers. 19) sugere que as decisões graves para a vida da comunidade devem ser tomadas em clima de oração, pois reunidos em oração, o Pai os escutará. O terceiro (vers. 20) garante aos discípulos a presença de Jesus “no meio” da comunidade. Neste contexto, sugere que as tentativas de correção e de reconciliação entre irmãos, no seio da comunidade, terão o apoio e a assistência de Jesus.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O Evangelho de hoje sugere a nossa responsabilidade em ajudar cada irmão a tomar consciência dos seus erros. Convida-nos a respeitar o nosso irmão, mas a não pactuar com as atitudes erradas que ele possa assumir. Amar alguém é não ficar indiferente quando ele está fazendo mal a si próprio, amar significa, muitas vezes, corrigir, admoestar, questionar, discordar, interpelar&#8230; É preciso amar muito e respeitar muito o outro, para correr o risco de não concordar com ele, de lhe fazer observações que o vão magoar; no entanto, trata-se de uma exigência que resulta do mandamento do amor&#8230; A Igreja tem o direito e o dever de pronunciar palavras de denúncia e de condenação, diante de atos que afetam gravemente o bem comum&#8230; No entanto, deve distinguir claramente entre a pessoa e os seus atos errados. As ações erradas devem ser condenadas; os que cometeram essas ações devem ser vistos como irmãos, a quem se ama, a quem se acolhe e a quem se dá sempre outra oportunidade de acolher as propostas de Jesus e de integrar a comunidade que caminha rumo ao céu!</p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>
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		<title>22º Domingo do Tempo Comum</title>
		<link>https://www.transfiguracao.com.br/22o-domingo-do-tempo-comum-2/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Dom Paulo]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 30 Aug 2026 21:48:18 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Homilias]]></category>
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					<description><![CDATA[HOMILIA DO XXII DOMINGO DO TC &#8211; A &#160;(Mt 16,21-27) Dom Manel Gasch, OSB &#8211; Abade de Montserrat O tema mais clássico para uma reflexão sobre o Evangelho de hoje seria o daabnegação, do sacrifício de si mesmo, da cruz que Jesus nos pede paracarregar com Ele.Não quero negar a [&#8230;]]]></description>
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<p class="wp-block-paragraph">HOMILIA DO XXII DOMINGO DO TC &#8211; A <strong>&nbsp;(Mt 16,21-27)</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Dom Manel Gasch, OSB &#8211; Abade de Montserrat</p>



<p class="wp-block-paragraph">O tema mais clássico para uma reflexão sobre o Evangelho de hoje seria o da<br>abnegação, do sacrifício de si mesmo, da cruz que Jesus nos pede para<br>carregar com Ele.<br>Não quero negar a importância de tudo isso na vida cristã. Mas precisamos<br>reconhecer como essa linguagem é contracultural para nós hoje.<br>Perder a vida para reencontrá-la? Renunciar agora para ganhar depois?<br>Tentemos explicar isso a um jovem, a um adolescente e até mesmo a uma<br>criança que vive na imediaticidade de uma conexão permanente com a<br>realidade através do celular, esperando respostas antes mesmo de terminar<br>as perguntas!<br>Por isso, parece-me que as leituras de hoje nos convidam a colocar diante do<br>tema da cruz um prólogo necessário: o sacrifício pessoal só faz sentido<br>quando estamos seguros de que a cruz que carregamos é a cruz de Jesus,<br>e não simplesmente a nossa própria cruz.<br>E é aqui que entra o discernimento.<br>O discernimento não deveria ser apenas aquilo que fazemos antes de tomar<br>uma decisão. Deveria ser, antes de tudo, uma atitude permanente de escuta<br>de Deus.<br>Deus pode confirmar o caminho que estamos percorrendo. Pode abrir novas<br>possibilidades. Pode também nos fazer perceber autoenganos e armadilhas<br>que nós mesmos criamos.<br>As leituras de hoje nos mostram um discernimento muito ligado à<br>experiência de Deus, ao desejo de Deus.<br>Tudo começa reconhecendo Deus como a fonte de tudo.<br>Jeremias diz:<br>Vós me seduzistes.<br>O salmo:<br>Vós, Senhor, sois o meu Deus.<br>E São Paulo nos recorda o amor entranhado que Deus tem por nós.<br>E desse reconhecimento nasce a nossa disponibilidade:<br>Eu vos procuro.<br>Minha alma tem sede de vós.<br>É muito bom poder experimentar essa plenitude, essa paz de estar com<br>Deus. É uma verdadeira confirmação.<br>Mas não podemos permanecer somente nesse sentimento.<br>O passo seguinte é a obediência: colocar diante de Deus aquilo que fazemos,<br>aquilo que somos, aquilo que estamos vivendo, e perguntar se tudo isso<br>realmente nasce da sua vontade.<br>E é justamente aí que pode começar a cruz.<br>Às vezes, será a cruz das dificuldades próprias da fidelidade.<br>Outras vezes, será a cruz de descobrir que talvez tenhamos nos enganado.<br>Lembro-me de uma frase que um pregador jesuíta, o Pe. Armendáriz, nos<br>disse há muitos anos, durante a Quaresma de 1998:<br>A linha que separa procurar a Deus de usar Deus como desculpa para<br>procurar a nós mesmos é muito tênue.<br>É uma frase que merece ser guardada.<br>Porque podemos dizer que estamos buscando a vontade de Deus quando, na<br>realidade, estamos apenas procurando uma justificativa religiosa para fazer<br>a nossa própria vontade.<br>Por isso, gostaria de destacar dois critérios que podem nos ajudar no<br>discernimento.<br>O primeiro é o critério das dificuldades.<br>Se estamos no caminho da fidelidade, haverá dificuldades.<br>Jeremias experimenta isso de maneira muito forte. O chamado de Deus é<br>exigente, quase insuportável. Ele sente a força da missão, algo que não o<br>deixa sequer dormir.<br>Mas essa dificuldade pode ser simplesmente o preço da fidelidade.<br>Por outro lado, também podemos estar equivocados.<br>É o que acontece com Pedro no Evangelho.<br>Pedro fala de boa-fé. Quer proteger Jesus. Quer evitar que Ele sofra. Quer<br>poupá-lo das dificuldades de sua missão.<br>Mas Jesus é muito claro:<br>Você não pensa como Deus, mas como os homens.<br>Talvez esta seja a frase que resume toda a nossa reflexão:<br>Pensar como Deus.<br>Como é humana a atitude de Pedro!<br>E justamente por isso é tão fácil reconhecermo-nos nele.<br>Podemos ter boas intenções e, mesmo assim, não estar pensando como<br>Deus.<br>Por isso, tanto as dificuldades da fidelidade quanto o desconforto de<br>perceber que talvez não estejamos alinhados com Jesus podem se tornar<br>ocasiões de discernimento.<br>As dificuldades não precisam ser evitadas a qualquer preço.<br>Elas podem nos ensinar.<br>Podem nos converter.<br>Podem transformar nossa maneira de pensar e de viver.<br>Mas há um segundo critério que me parece igualmente importante: o<br>concreto.<br>É preciso amar o concreto.<br>Porque a vontade de Deus precisa tornar-se concreta na nossa vida.<br>Se continuássemos a leitura da Carta aos Romanos, encontraríamos muitos<br>exemplos disso. Quando fizemos nossa vestição e entramos no noviciado,<br>escolhemos justamente Romanos 12. E retiramos os dois primeiros<br>versículos — justamente os que ouvimos hoje.<br>Lembro-me do Pe. A. Cassià, nosso mestre, perguntando, surpreso, por que<br>os havíamos retirado, se eram tão bonitos!<br>Talvez a linguagem de sermos vítimas nos custasse um pouco&#8230;<br>Mas a intenção era tornar a nossa resposta a Deus concreta, para que<br>pudesse ser realmente compreendida e vivida.<br>E talvez esse seja o segundo critério: aquilo que Deus quer de nós precisa<br>aparecer na vida concreta.<br>Porque não há nada mais contraditório do que fazer grandes discursos sobre<br>o amor e, ao mesmo tempo, não tratar com amor aquele que está ao nosso<br>lado.<br>Todos sabemos disso por experiência.<br>A cruz não está somente nas grandes decisões.<br>A cruz está na vida concreta de cada dia.<br>Está na paciência.<br>Está no serviço.<br>Está no perdão.<br>Está na fidelidade às pequenas coisas.<br>Está naquele esforço silencioso que ninguém vê.<br>É o martírio sem sangue da vida cotidiana.<br>É aí que somos chamados a imitar Jesus.<br>Não para fugir da vida, mas para vivê-la plenamente.<br>Aqui e sempre.<br>Por isso, talvez a pergunta que o Evangelho de hoje nos deixa não seja<br>simplesmente:<br>“Qual é a cruz que eu tenho que carregar?”<br>Mas antes:<br>“Como posso saber se esta é realmente a cruz de Jesus?”<br>E a resposta passa pelo discernimento.<br>Escutar.<br>Desejar.<br>Obedecer.<br>Deixar-se corrigir.<br>Olhar para as dificuldades.<br>E, sobretudo, verificar se aquilo que dizemos buscar em Deus se transforma<br>concretamente em amor por aqueles que estão ao nosso lado.<br>No fundo, depois de tudo isso, o que nos resta é rezar.<br>Rezar para que o nosso coração permaneça aberto àquilo que Deus quer de<br>nós.<br>Que Deus nos dê a graça de discernir.<br>A graça de escolher.<br>A graça de obedecer.<br>E, sobretudo, a graça de pensar como Deus.<br>Amém.</p>
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		<title>Santa Rosa de Lima</title>
		<link>https://www.transfiguracao.com.br/santa-rosa-de-lima-2/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Dom Paulo]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 28 Aug 2026 14:45:02 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Homilias]]></category>
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					<description><![CDATA[HOMILIA NA SOLENIDADE DE SANTA ROSA DE LIMA (Mt 13,44-46) D. Paulo DOMICIANO, OSB Há alguns domingos nós já meditamos sobre estas duas pequenas parábolas (XVII DTC). Elas falam da preciosidade do Reino de Deus e são, elas mesmas, como duas pedras preciosas dentro do Evangelho. Santo Irineu de Lyon [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">HOMILIA NA SOLENIDADE DE SANTA ROSA DE LIMA (Mt 13,44-46)</p>



<p class="wp-block-paragraph">D. Paulo DOMICIANO, OSB</p>



<p class="wp-block-paragraph">Há alguns domingos nós já meditamos sobre estas duas pequenas parábolas (XVII DTC). Elas falam da preciosidade do Reino de Deus e são, elas mesmas, como duas pedras preciosas dentro do Evangelho. Santo Irineu de Lyon comenta que, “na verdade, ele (Cristo) é &#8216;o tesouro escondido no campo&#8217;, isto é, no mundo (Mt 13,38). Um tesouro escondido nas Escrituras, porque se manifestou por meio de figuras e parábolas que, humanamente falando, não podiam ser compreendidas antes do cumprimento das profecias, isto é, antes da vinda do Senhor” (Contra as Heresias, IV, 26).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Apesar de valiosos, este tesouro e esta pérola, podem facilmente passar despercebidos por nós, que andamos tão distraídos à procura de outras riquezas. Descobrir o tesouro e dar-se conta de seu valor é, sem dúvida, uma grande graça; e isto as parábolas deixam claro para nós. Mas Jesus quer pôr em evidência ainda um outro aspecto: não é suficiente dar-se conta do valor do tesouro ou saber que a pérola é rara e preciosa se não há em nós a disposição e a coragem para conquistá-los. &nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em ambos casos apresentados por nossas parábolas énecessário agir para adquirir o tesouro ou a pérola.O imperativo é o mesmo em ambos os casos: “ele vai, vende todos os seus bens e compra aquele campo” (Mt 13,44) e novamente “ele vai, vende todos os seus bens e compra aquela pérola” (13,46). Jesus nos convida, portanto, a perceber a preciosidade do Reino dos Céus e o fato de que sua chegada em nossa história e em nossa vida, embora surpreendente, exige que apreciemos seu valor e invistamos plenamente nele, concentrando todas as nossas melhores energias em sua busca.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Santa Rosa de Lima, que hoje celebramos, não só descobriu o grande tesouro do Reino dos Céus no terreno concreto de sua vida, mas pôs-se em busca para conquistá-lo, para viver só desse tesouro, abrindo mão de todos os possíveis tesouros que a vida poderia lhe oferecer. Ela, como este comprador de pérolas preciosas, encontrou a mais preciosa das pérolas, Jesus Cristo, e não hesitou em abrir mão de tudo para conquistá-la.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Embora seja verdade que devemos preferir a mensagem do Evangelho a qualquer outro tesouro, considerando-a mais preciosa do que qualquer &#8220;pérola de grande valor&#8221; (Mt 13,46), é ainda importante notar que tudo isso deve ser vivido com entusiasmo e alegria. O homem que encontra o tesouro no campo, corre “cheio de alegria” para vender “todos os seus bens” e comprar aquele campo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Este entusiasmo e esta alegria são próprios de quem ama. Nunca devemos esquecer que tornar-se discípulo de Cristo não é uma mortificação, mas uma expansão da esperança e uma expansão da alegria de viver. Do mesmo modo, quem ama não teme correr riscos, pois no amor não há cálculos, mas confiança.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Santa Rosa, apesar de todas as suas mortificações e sacrifícios de penitência, próprios da espiritualidade de seu tempo, soube saborear e testemunhar a alegria de servir a Deus e de servir aqueles que mais necessitavam de seu amor, encontrando neles a face de Cristo, seu esposo. Com o coração cheio desta coragem, abriu mão do seu pouco para ser rica só de Deus.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Hoje, contemplando a beleza destas parábolas e a beleza do testemunho de Rosa de Lima, “a mais bela flor do Peru” e de toda a América, poderíamos prestar atenção particular sobre o que temos feito para conquistar este tesouro e esta pérola. E não só isso, mas como temos buscado o tesouro do Reino dos Céus em nossa vida cotidiana. A nossa tarefa, como foi de Santa Rosa, é compartilhar,&nbsp;na simplicidade da vida cotidiana,&nbsp;o fruto daquilo que buscamos e encontramos como o segredo íntimo da nossa alegria, ou seja, a boa-nova que recebemos e que transforma as nossas vidas.</p>
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		<title>Homilia Santa Rosa de Lima</title>
		<link>https://www.transfiguracao.com.br/homilia-santa-rosa-de-lima/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Dom Paulo]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 28 Aug 2026 14:36:27 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Homilias]]></category>
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					<description><![CDATA[HOMILIA NA SOLENIDADE DE SANTA ROSA DE LIMA (Mt 13,44-46) D. Paulo DOMICIANO, OSB Há alguns domingos nós já meditamos sobre estas duas pequenas parábolas (XVII DTC). Elas falam da preciosidade do Reino de Deus e são, elas mesmas, como duas pedras preciosas dentro do Evangelho. Santo Irineu de Lyon [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">HOMILIA NA SOLENIDADE DE SANTA ROSA DE LIMA (Mt 13,44-46)</p>



<p class="wp-block-paragraph">D. Paulo DOMICIANO, OSB</p>



<p class="wp-block-paragraph">Há alguns domingos nós já meditamos sobre estas duas pequenas parábolas (XVII DTC). Elas falam da preciosidade do Reino de Deus e são, elas mesmas, como duas pedras preciosas dentro do Evangelho. Santo Irineu de Lyon comenta que, “na verdade, ele (Cristo) é &#8216;o tesouro escondido no campo&#8217;, isto é, no mundo (Mt 13,38). Um tesouro escondido nas Escrituras, porque se manifestou por meio de figuras e parábolas que, humanamente falando, não podiam ser compreendidas antes do cumprimento das profecias, isto é, antes da vinda do Senhor” (Contra as Heresias, IV, 26).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Apesar de valiosos, este tesouro e esta pérola, podem facilmente passar despercebidos por nós, que andamos tão distraídos à procura de outras riquezas. Descobrir o tesouro e dar-se conta de seu valor é, sem dúvida, uma grande graça; e isto as parábolas deixam claro para nós. Mas Jesus quer pôr em evidência ainda um outro aspecto: não é suficiente dar-se conta do valor do tesouro ou saber que a pérola é rara e preciosa se não há em nós a disposição e a coragem para conquistá-los. &nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em ambos casos apresentados por nossas parábolas énecessário agir para adquirir o tesouro ou a pérola.O imperativo é o mesmo em ambos os casos: “ele vai, vende todos os seus bens e compra aquele campo” (Mt 13,44) e novamente “ele vai, vende todos os seus bens e compra aquela pérola” (13,46). Jesus nos convida, portanto, a perceber a preciosidade do Reino dos Céus e o fato de que sua chegada em nossa história e em nossa vida, embora surpreendente, exige que apreciemos seu valor e invistamos plenamente nele, concentrando todas as nossas melhores energias em sua busca.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Santa Rosa de Lima, que hoje celebramos, não só descobriu o grande tesouro do Reino dos Céus no terreno concreto de sua vida, mas pôs-se em busca para conquistá-lo, para viver só desse tesouro, abrindo mão de todos os possíveis tesouros que a vida poderia lhe oferecer. Ela, como este comprador de pérolas preciosas, encontrou a mais preciosa das pérolas, Jesus Cristo, e não hesitou em abrir mão de tudo para conquistá-la.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Embora seja verdade que devemos preferir a mensagem do Evangelho a qualquer outro tesouro, considerando-a mais preciosa do que qualquer &#8220;pérola de grande valor&#8221; (Mt 13,46), é ainda importante notar que tudo isso deve ser vivido com entusiasmo e alegria. O homem que encontra o tesouro no campo, corre “cheio de alegria” para vender “todos os seus bens” e comprar aquele campo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Este entusiasmo e esta alegria são próprios de quem ama. Nunca devemos esquecer que tornar-se discípulo de Cristo não é uma mortificação, mas uma expansão da esperança e uma expansão da alegria de viver. Do mesmo modo, quem ama não teme correr riscos, pois no amor não há cálculos, mas confiança.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Santa Rosa, apesar de todas as suas mortificações e sacrifícios de penitência, próprios da espiritualidade de seu tempo, soube saborear e testemunhar a alegria de servir a Deus e de servir aqueles que mais necessitavam de seu amor, encontrando neles a face de Cristo, seu esposo. Com o coração cheio desta coragem, abriu mão do seu pouco para ser rica só de Deus.</p>
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		<title>Santa Rosa de Lima</title>
		<link>https://www.transfiguracao.com.br/santa-rosa-de-lima/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Dom Paulo]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 25 Aug 2026 14:11:24 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Homilias]]></category>
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					<description><![CDATA[HOMILIA NA SOLENIDADE DE SANTA ROSA DE LIMA (Mt 13,44-46) D. Paulo DOMICIANO, OSB Há alguns domingos nós já meditamos sobre estas duas pequenas parábolas (XVII DTC). Elas falam da preciosidade do Reino de Deus e são, elas mesmas, como duas pedras preciosas dentro do Evangelho. Santo Irineu de Lyon [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">HOMILIA NA SOLENIDADE DE SANTA ROSA DE LIMA (Mt 13,44-46)</p>



<p class="wp-block-paragraph">D. Paulo DOMICIANO, OSB</p>



<p class="wp-block-paragraph">Há alguns domingos nós já meditamos sobre estas duas pequenas parábolas (XVII DTC). Elas falam da preciosidade do Reino de Deus e são, elas mesmas, como duas pedras preciosas dentro do Evangelho. Santo Irineu de Lyon comenta que, “na verdade, ele (Cristo) é &#8216;o tesouro escondido no campo&#8217;, isto é, no mundo (Mt 13,38). Um tesouro escondido nas Escrituras, porque se manifestou por meio de figuras e parábolas que, humanamente falando, não podiam ser compreendidas antes do cumprimento das profecias, isto é, antes da vinda do Senhor” (Contra as Heresias, IV, 26).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Apesar de valiosos, este tesouro e esta pérola, podem facilmente passar despercebidos por nós, que andamos tão distraídos à procura de outras riquezas. Descobrir o tesouro e dar-se conta de seu valor é, sem dúvida, uma grande graça; e isto as parábolas deixam claro para nós. Mas Jesus quer pôr em evidência ainda um outro aspecto: não é suficiente dar-se conta do valor do tesouro ou saber que a pérola é rara e preciosa se não há em nós a disposição e a coragem para conquistá-los. &nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em ambos casos apresentados por nossas parábolas énecessário agir para adquirir o tesouro ou a pérola.O imperativo é o mesmo em ambos os casos: “ele vai, vende todos os seus bens e compra aquele campo” (Mt 13,44) e novamente “ele vai, vende todos os seus bens e compra aquela pérola” (13,46). Jesus nos convida, portanto, a perceber a preciosidade do Reino dos Céus e o fato de que sua chegada em nossa história e em nossa vida, embora surpreendente, exige que apreciemos seu valor e invistamos plenamente nele, concentrando todas as nossas melhores energias em sua busca.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Santa Rosa de Lima, que hoje celebramos, não só descobriu o grande tesouro do Reino dos Céus no terreno concreto de sua vida, mas pôs-se em busca para conquistá-lo, para viver só desse tesouro, abrindo mão de todos os possíveis tesouros que a vida poderia lhe oferecer. Ela, como este comprador de pérolas preciosas, encontrou a mais preciosa das pérolas, Jesus Cristo, e não hesitou em abrir mão de tudo para conquistá-la.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Embora seja verdade que devemos preferir a mensagem do Evangelho a qualquer outro tesouro, considerando-a mais preciosa do que qualquer &#8220;pérola de grande valor&#8221; (Mt 13,46), é ainda importante notar que tudo isso deve ser vivido com entusiasmo e alegria. O homem que encontra o tesouro no campo, corre “cheio de alegria” para vender “todos os seus bens” e comprar aquele campo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Este entusiasmo e esta alegria são próprios de quem ama. Nunca devemos esquecer que tornar-se discípulo de Cristo não é uma mortificação, mas uma expansão da esperança e uma expansão da alegria de viver. Do mesmo modo, quem ama não teme correr riscos, pois no amor não há cálculos, mas confiança.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Santa Rosa, apesar de todas as suas mortificações e sacrifícios de penitência, próprios da espiritualidade de seu tempo, soube saborear e testemunhar a alegria de servir a Deus e de servir aqueles que mais necessitavam de seu amor, encontrando neles a face de Cristo, seu esposo. Com o coração cheio desta coragem, abriu mão do seu pouco para ser rica só de Deus.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Hoje, contemplando a beleza destas parábolas e a beleza do testemunho de Rosa de Lima, “a mais bela flor do Peru” e de toda a América, poderíamos prestar atenção particular sobre o que temos feito para conquistar este tesouro e esta pérola. E não só isso, mas como temos buscado o tesouro do Reino dos Céus em nossa vida cotidiana. A nossa tarefa, como foi de Santa Rosa, é compartilhar,&nbsp;na simplicidade da vida cotidiana,&nbsp;o fruto daquilo que buscamos e encontramos como o segredo íntimo da nossa alegria, ou seja, a boa-nova que recebemos e que transforma as nossas vidas.</p>
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		<title>Assunção da Bem-Aventurada Virgem Maria</title>
		<link>https://www.transfiguracao.com.br/assuncao-da-bem-aventurada-virgem-maria-2/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Dom Paulo]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 16 Aug 2026 14:30:18 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Homilias]]></category>
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					<description><![CDATA[Homilia Solenidade da Assunção da Virgem Santa Maria Dom Afonso VIEIRA, OSB Meus irmãos e irmãs, hoje, Jesus ressuscitado acolhe a sua mãe na glória do céu&#8230; Hoje, Jesus vivo, glorificado à direita do Pai, põe sobre a cabeça da sua mãe a coroa de doze estrelas&#8230; Na Primeira leitura, [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">Homilia  Solenidade da Assunção da Virgem Santa Maria</p>



<p class="wp-block-paragraph">Dom Afonso VIEIRA, OSB</p>



<p class="wp-block-paragraph">Meus irmãos e irmãs, hoje, Jesus ressuscitado acolhe a sua mãe na glória do céu&#8230; Hoje, Jesus vivo, glorificado à direita do Pai, põe sobre a cabeça da sua mãe a coroa de doze estrelas&#8230;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na Primeira leitura, nós vemos Maria como a imagem da Igreja. Como Maria, a Igreja gera na dor um mudo novo. E como Maria, participa na vitória de Cristo sobre o Mal. Na Segunda leitura, Maria é nova Eva, pois o novo Adão, Jesus faz da Virgem Maria uma nova Eva, sinal de esperança para todos os homens; e no Evangelho, Maria, Mãe dos crentes é repleta do Espírito Santo, é a primeira a encontrar as palavras da fé e da esperança; de agora em diante todas as gerações a chamarão bem-aventurada!</p>



<p class="wp-block-paragraph">O cântico de Maria, que acabamos de ler no Evangelho, descreve o programa que Deus tinha começado a realizar desde o começo do mundo, e que ele prosseguiu em Maria para cumprir agora na Igreja, para todos os tempos. Pela Visitação que teve lugar na Judeia, Maria levava Jesus pelos caminhos da terra. Pela Dormição e pela Assunção, é Jesus que leva a sua mãe pelos caminhos celestes, para o templo eterno, para uma Visitação definitiva. Nesta festa, com Maria, proclamamos a obra grandiosa de Deus, que chama a humanidade a se juntar a ele pelo caminho da ressurreição, porque em Maria, O Senhor já realizou a sua obra na totalidade; com ela, nós proclamamos que Ele “dispersou os soberbos, exaltou os humildes”. Os humildes são aqueles que creem no cumprimento das palavras de Deus e se põem a caminho, aqueles que acolhem até ao mais íntimo do seu ser a Vida nova, Cristo, para o levar ao nosso mundo e assim, Deus debruça-se sobre nós e cumpre em nós as suas maravilhas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Frequentemente nós ouvimos a expressão “rezar à Virgem Maria”&#8230; Esta maneira de falar não é absolutamente exata, porque a oração cristã dirige-se a Deus, ao Pai, ao Filho e ao Espírito e só Deus atende a oração. Rezar por Maria é pedir que ela reze por nós, quando dizemos “Rogai por nós pecadores agora e na hora da nossa morte!” A sua intervenção maternal em Caná resume bem a sua intercessão em nosso favor. Ela é nossa “advogada” e nos diz “Fazei tudo o que Ele vos disser!” Maria está ao nosso lado para nos levar na oração, como uma mãe sustenta a palavra balbuciante do seu filho. Na glória de Deus, na qual nós a honramos hoje, aquela que chamamos de Nossa Senhora, ela prossegue a missão que Jesus lhe confiou sobre a Cruz “Eis o teu Filho!” Mais que nos ajoelharmos diante dela, é ajoelhar-se ao seu lado para nos juntarmos à sua oração. Ela nos acompanha e nos guia na nossa caminhada para Deus.</p>



<p class="wp-block-paragraph">De Maria, nós aprendemos os caminhos da oração. Na escola daquela que “guardava e meditava no seu coração” os acontecimentos do nascimento e da infância de Jesus, nós meditamos o Evangelho e, à luz do Espírito Santo, vamos pelos caminhos da verdade. A nossa oração torna-se ação de graças ecoando o Magnificat. Devemos colocar nossos passos nos passos de Maria para dizer com ela na confiança “que tudo seja feito segundo a tua Palavra, Senhor!” Esse é o segredo da fé que não falha de tão bem ajustada a Deus (“Eis a serva do Senhor”&#8230;); o segredo da sua esperança confiante em Deus (“nada é impossível a Deus”&#8230;); o segredo da sua caridade missionária (“Maria pôs-se a caminho apressadamente”&#8230;). Peçamos a Maria para nos acompanhar no caminho das nossas vidas&#8230;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Hoje nós celebramos maior de todas as Solenidades Marianas, que é a sua Assunção Gloriosa ao Céu, e a Liturgia resumi nessa Solenidade o que é essencial reconhecendo a grandeza daquela que é Imaculada e sempre Virgem; o Cristo que ressuscitou e venceu, concedeu a sua Imaculada Mãe a sua Vitória, e ela nunca se afastou de seu filho amado! Assim, após sua morte, que chamamos de dormição, ela foi elevada a glória do céu, isto é, à glória de Cristo que ressuscitou como primícia da nossa ressurreição. Nós podemos exclamar, como Isabel, “Bendita és tu entre as mulheres e Bendito é o fruto do teu ventre. Bem aventurada aquela que acreditou, porque será cumprido o que o Senhor prometeu!” Irmãos, não esqueçamos que nosso destino é o céu, participando da Glória de Cristo, da qual Maria participa plenamente de corpo e alma, e então poderemos cantar com ela “A Minh ‘alma engrandece o Senhor e o meu espírito exulta em Deus meu Salvador: o Poderoso fez em mim maravilhas!”</p>



<p class="wp-block-paragraph">Seja o Senhor bendito agora e sempre, na Virgem Toda Santa, Maria, na Igreja e em cada um de nós. Amém!</p>
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		<title>TRANSFIGURAÇÃO DO SENHOR</title>
		<link>https://www.transfiguracao.com.br/transfiguracao-do-senhor/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Dom Paulo]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 07 Aug 2026 21:59:19 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Homilias]]></category>
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					<description><![CDATA[HOMILIA DA TRANSFIGURAÇÃO DO SENHOR (Mt 17,1-9) Dom Paulo DOMICIANO, OSB Segundo a tradição de Mateus, Jesus transfigurado se apresenta sobretudo como o novo Moisés, que encontra a Deus sobre o novo Sinai, no meio da nuvem, com o rosto luminoso, assistido por duas testemunhas do AT que personificam a [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">HOMILIA DA TRANSFIGURAÇÃO DO SENHOR (Mt 17,1-9)</p>



<p class="wp-block-paragraph">Dom Paulo DOMICIANO, OSB</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo a tradição de Mateus, Jesus transfigurado se apresenta sobretudo como o novo Moisés, que encontra a Deus sobre o novo Sinai, no meio da nuvem, com o rosto luminoso, assistido por duas testemunhas do AT que personificam a Lei e os Profetas, que viram a glória de Deus no alto da montanha (cf. Ex 19,16-25; 24,12-18.33.18-34.28; 1 ​​Reis 19,8-18), mas agora contemplam a glória de Cristo, que é o perfeito cumprimento de toda Lei e de toda Profecia.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Marcos e Mateus nos dizem que Jesus &#8220;foi transfigurado&#8221; (<em>metemorphóthe</em>: Mc 9,2; Mt 17,2), enquanto Lucas escreve que &#8220;a aparência do seu rosto mudou&#8221; (Lc 9,29). O certo é que, no alto da montanha, Jesus não foi visto por Pedro, Tiago e João em sua condição comum de homem frágil e mortal, mas em outra forma: radiante de luz, brilhando como o Senhor cantado no Salmo 75 (&#8220;Resplendente e majestoso apareceis&#8221;: v. 5a) e no Salmo 103 (&#8220;De majestade e esplendor vos revestis e de&nbsp;luz&nbsp;vos envolveis como num manto&#8221;: v. 2). Para usar a linguagem paulina, aquele que estava &#8220;<em>en morphê theoû</em>&#8220;, &#8220;na forma de Deus&#8221;, e que havia assumido a &#8220;<em>morphé doúlou</em>&#8220;, &#8220;a forma de servo&#8221; (cf. Fl 2,6-7), agora assume a forma de Deus e, assim resplandece. Deste modo se cumpre a profecia de Isaías: “Então a glória do Senhor será revelada, e toda a humanidade a verá” (Is 40,5), e ocorre o que é testemunhado no Evangelho de João: “E o Verbo se fez carne, armou a sua tenda entre nós, e vimos&nbsp;<em>a sua glória</em>” (Jo 1,14). Mas, se recuarmos alguns versículos neste Evangelho que ouvimos, constataremos que o próprio Jesus profetiza sobre o evento da Transfiguração, quando, após o primeiro anúncio de sua Paixão-Morte-Ressurreição, diz aos seus discípulos: “Alguns daqueles que estão aqui não morrerão antes de verem o Filho do Homem vindo com seu Reino” (Mt 16,28).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Jesus é o Reino de Deus em pessoa, como bem compreendeu Orígenes; Jesus, que anunciou a vinda do Reino de Deus, é agora revelado pelo Pai como o Reino que vem com poder, e o evento da Transfiguração aparece como uma antecipação disso. Seis dias depois dessas palavras, “Jesus tomou consigo Pedro, Tiago e João, seu irmão, e os levou a um lugar à parte, sobre uma alta montanha”. Ele faz uma escolha, e dos doze leva consigo apenas três, dentre os primeiros chamados a segui-lo (cf. Mt 4,18-22). São os três discípulos mais próximos de Jesus, já escolhidos como testemunhas da ressurreição da filha de Jairo (cf. Mc 5,37-43), os mesmos que também serão testemunhas de sua desfiguração no Jardim do Getsêmani, na véspera de sua paixão (cf. Mt 26,36-46). São escolhidos não por algum mérito particular, mas, na insondável vontade de Deus, para que possam se tornar testemunhas de Jesus.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mas aqui nos fazemos uma pergunta. Visto que Marcos e Mateus escrevem que Jesus &#8220;foi transfigurado&nbsp;<em>diante</em>&nbsp;deles&#8221; (Mc 9,2; Mt 17,2), e somente diante deles, perguntamo-nos: foi o corpo de Jesus que foi transfigurado, ou foram os discípulos, pela graça de uma revelação, que viram na frágil carne humana de Jesus a sua glória divina? Orígenes já havia feito essa pergunta e concluído que foram os discípulos que sofreram uma transfiguração da sua visão na fé, a ponto de verem na humanidade do Servo, na forma de escravo, a forma de Deus (cf.&nbsp;&nbsp;<em>Comentário sobre Mateus</em>&nbsp;&nbsp;XII, 37, 1-21; sobre Mt 17,2).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mas todo aquele que se dispõe a seguir a Cristo, a subir o seu monte santo, é chamado a receber a graça de ser transfigurado com Ele, de ter um coração convertido e olhos iluminados para contemplar a sua Luz. Para isso, é a voz do Pai, do meio da nuvem luminosa, que nos guia: “Este é o meu Filho amado, no qual eu pus todo meu agrado. Escutai-o!” Assim, o grande preceito dirigido ao povo eleito – <em>Shemá, Israel! </em>(Dt 6,4) – agora ressoa como: “Escutai a Jesus!”</p>



<p class="wp-block-paragraph">Eis a mensagem da Transfiguração:<em> ouvir Jesus</em>. Esta é nossa vocação como seus discípulos, mas, sobretudo, como monges: “Escuta, filho”. Educar nossos ouvidos para escutá-lo é uma exigência radical, pois sempre somos tentados a ouvir outras vozes, incluindo aquelas que se movem em nosso interior, murmurando sobre tudo e sobre todos. Estas vozes nos afastam de nosso ideal, nos afastam do Tabor de nossa conversão e da Luz de Cristo. &nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Permanecer com esta única voz, a Palavra que veio habitar entre nós e em nós, talvez seja a grande ascese do monge. “Os discípulos ergueram os olhos e não viram mais ninguém, a não ser somente Jesus”. Permanecer só com Jesus e com Jesus só, ouvindo a sua Palavra na solidão. Eis aqui um programa de vida para um monge da Transfiguração.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
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		<title>XVIII DOMINGO DO TC</title>
		<link>https://www.transfiguracao.com.br/xviii-domingo-do-tc/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Dom Paulo]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 03 Aug 2026 13:37:34 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Homilias]]></category>
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					<description><![CDATA[HOMILIA DO XVIII DOMINGO DO TEMPO COMUM (Mt 14,13-21) D. Paulo DOMICIANO, OSB Nada, diz São Paulo, é capaz de nos separar do amor de Cristo. Todas essas duras e difíceis realidades da vida, que podem nos desanimar e abater, podem se tornar uma ocasião para experimentarmos uma plenitude inesperada, [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">HOMILIA DO XVIII DOMINGO DO TEMPO COMUM (Mt 14,13-21)</p>



<p class="wp-block-paragraph">D. Paulo DOMICIANO, OSB</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nada, diz São Paulo, é capaz de nos separar do amor de Cristo. Todas essas duras e difíceis realidades da vida, que podem nos desanimar e abater, podem se tornar uma ocasião para experimentarmos uma plenitude inesperada, que somente Deus pode nos oferecer. A palavra do profeta Isaías ressoa das profundezas dos séculos e questiona especialmente aqueles, incluindo nós mesmos, que pensam que não precisam de nada nem de ninguém: “Por que gastar dinheiro com outra coisa que não o pão, desperdiçar o salário senão com satisfação completa?” (Is 55,2).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Esta pergunta do profeta, que expõe nossa pretensão de autossuficiência e a ilusão de poder comprar tudo, é seguida por um convite: “Ouvi-me com atenção, e alimentai-vos bem, para deleite e revigoramento do vosso corpo.&nbsp;Inclinai vosso ouvido e vinde a mim, ouvi e tereis vida” (v.2-3).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Tudo isso se realiza para nós no Evangelho de hoje, que termina com uma nota que deve ser compreendida por nós como anúncio de Boa nova para todos os anseios de nossa vida: “Todos comeram e ficaram satisfeitos, e dos pedaços que sobraram, recolheram ainda doze cestos cheios” (Mt 14,20).</p>



<p class="wp-block-paragraph">O episódio aqui descrito nos mostra Jesus como o novo Moisés, que se ocupa da multidão como de seu rebanho. O ambiente é o mesmo: um deserto. A situação também é semelhante: não têm o que comer. Contudo, Jesus oferece um maná, um pão, bem superior ao antigo. Ao mesmo tempo, o relato prefigura o dom da Eucaristia, sublinhado pela fórmula litúrgica do v. 19: “Então pegou os cinco pães e os dois peixes, ergueu os olhos para o céu e pronunciou a bênção. Em seguida partiu os pães, e os deu aos discípulos. Os discípulos os distribuíram às multidões”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os discípulos se preocupam com o que a multidão vai comer estando naquele lugar deserto e com a noite se aproximando. É uma preocupação válida, que demonstra a sensibilidade deles. Contudo, o que Jesus sente por aquela multidão vai além de preocupação, Ele sente compaixão por aquelas pessoas, por isso as cura, as alimenta com sua Palavra e cuida delas. A solução proposta pelos discípulos, por mais razoável que pareça, ou seja, mandá-las ir à cidade comprar o que precisassem, ainda é uma solução limitada e humana. Esta solução apresentada por eles é mais do que nunca a solução que consideramos como a única para resolver tantos de nossos problemas: comprar. Ao invés disso, Jesus propõe uma outra alternativa: “Eles não precisam ir embora. Dai-lhes vós mesmos de comer!”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O desafio proposto pelo Evangelho é passar do &#8220;poder de compra&#8221; para a &#8220;alegria de dar&#8221;, e isso em todos os níveis da nossa vida relacional, da qual o alimento é um símbolo forte e expressivo.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Jesus quer que seus discípulos ultrapassem o limite da mera “preocupação” com o próximo para uma verdadeira “compaixão”, entrando na lógica do seu amor; deste amor que nada pode apagar ou separar, como ouvimos de São Paulo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Eles ficam chocados com a proposta de Jesus, como, provavelmente, nós mesmos ficamos. Olham para si mesmos e constatam a sua indigência, sua pobreza e incapacidade frente a tamanho desafio. Mas não é só para isto que Jesus quer que eles olhem… quer que eles se deem conta dos recursos que possuem, mesmo que escassos. Todos nós temos algo que pode ser colocado à disposição da obra de Deus, que pode ser multiplicado. De nossa parte, somos convidados a apresentar o que temos e Ele, por sua vez, completará aquilo que nos falta. Assim, não há ninguém tão rico que não precise de nada, como também não há ninguém tão pobre que não possa oferecer algo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Sem dúvida o aspecto miraculoso da multiplicação dos pães e dos peixes nos encanta neste episódio. Mas precisamos contemplar um milagre mais profundo e discreto que acontece neste episódio e que precisa acontecer hoje em nosso interior: o milagre da confiança em Jesus, que nos capacita a depositar em suas mãos os nossos cinco pães e os dois peixes que temos: sinal de nossa pobreza, mas tantas vezes, sinal de nossa ilusão de segurança material e de nosso apego egoísta. Este milagre desencadeia outros milagres: o milagre da generosidade e o da partilha, que nos introduzem na lógica da compaixão, na dinâmica do Reino de Deus. Estes milagres são os mais grandiosos aqui… e, por isso, os que mais desafiam a nossa fé.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Que através da participação da Eucaristia, onde o Senhor não multiplica simplesmente um pão material, mas nos sacia com o pão da vida, nos eduque para discernirmos o que realmente nos faz viver e nos eduque para a generosidade e a partilha de nosso pouco, que pode se transformar no muito daqueles que nada têm.&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
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		<item>
		<title>14º Domingo do Tempo Comum</title>
		<link>https://www.transfiguracao.com.br/14o-domingo-do-tempo-comum-2/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Dom Paulo]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 06 Jul 2026 19:09:28 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Homilias]]></category>
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					<description><![CDATA[XIV DOMINGO DO TC – A (Mt11,25-30) D. Paulo DOMICIANO, OSB O anúncio do Evangelho deste domingo é de uma surpreendente atualidade! Nele o Senhor convida a todos nós para nos aproximarmos dele: “Vinde a mim, todos vós, que estais cansados e fatigados sob o peso dos vossos fardos, e [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"><strong>XIV DOMINGO DO TC – A (Mt11,25-30)</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">D. Paulo DOMICIANO, OSB</p>



<p class="wp-block-paragraph">O anúncio do Evangelho deste domingo é de uma surpreendente atualidade! Nele o Senhor convida a todos nós para nos aproximarmos dele: “Vinde a mim, todos vós, que estais cansados e fatigados sob o peso dos vossos fardos, e eu vos darei descanso”. É uma palavra atual, pois, segundo o filósofo sul-coreano Byung-Chul Han, vivemos em uma “sociedade do cansaço”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Já escrevia o grande poeta português Fernando Pessoa no início do século passado:</p>



<p class="wp-block-paragraph">“O que há em mim é sobretudo cansaço —</p>



<p class="wp-block-paragraph">Não disto nem daquilo,</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nem sequer de tudo ou de nada:</p>



<p class="wp-block-paragraph">Cansaço assim mesmo, ele mesmo,</p>



<p class="wp-block-paragraph">Cansaço.”</p>



<p class="wp-block-paragraph">Vivemos correndo de um lado para outro, sempre atrás de alguma urgência, constantemente acelerados. São inúmeras as solicitações que nos cercam – trabalho, família, filhos, amigos, problemas do dia-a-dia – além de situações realmente difíceis de sofrimentos e de lutas intensas que surgem em nosso caminho. Contudo, além desses desafios concretos que se apresentam, temos uma capacidade surpreendente para criarmos solicitações desnecessárias, a capacidade de criar problemas, de inventar necessidades. “A subtileza das sensações inúteis, /As paixões violentas por coisa nenhuma”, continua o nosso poeta. Esta busca por “coisa nenhuma”, progressivamente, esgota nossas forças, gerando um cansaço que não sabemos sequer de onde vem; trata-se de uma falta de energia vital. Não se trata do cansaço que é resultado do trabalho duro e dedicado ou das lutas impostas pela vida; não é fruto de doação e empenho, mas somente um cansaço por falta de energia, falta de sentido, um cansaço da vida. É um cansaço de estarmos cansados, simplesmente.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Sim, muitas vezes a vida se torna um fardo a ser carregado. Pode ser um fardo de coisas muito concretas, como disse: um sofrimento, uma perda, uma doença, um conflito com alguém, o excesso do trabalho para manter a família. Pode ser também um fardo de necessidades que criamos, que assumimos desnecessariamente, de coisas que nos negamos a resolver. Mas enfim, porque tudo isso se torna um peso? Porque a vida se torna tão complicada e pesada às vezes? Porque permitimos que a vida deixe de ser vida e se transforme em puro cansaço, em frustração, em peso? Tornamos nossa vida complicada, nos tornamos pessoas complicadas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Independente de qual seja o nosso peso, o nosso fardo, o nosso cansaço, o Senhor nos propõe um caminho de libertação: o caminho da simplicidade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;“Vinde a mim, todos vós, que estais cansados e fatigados sob o peso dos vossos fardos, e eu vos darei descanso. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração, e vós encontrareis descanso”. Ele nos convida a fazermos uma troca: entregamos o nosso peso, o nosso fardo, qualquer que seja, e Ele nos dá o dele, que é suave e leve.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por que insistir em continuar a querer carregar sozinhos o fardo de nossa vida, sem Cristo, sem o seu socorro? Tenhamos a simplicidade, a humildade de reconhecer que precisamos da ajuda de Jesus. Hoje ele nos convida a entrarmos em sua escola, a escola da simplicidade – “aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração” – para termos um coração simples, desarmado, livre dos pesos e rancores que acumulamos ao longo da vida.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O Senhor se alegra em ver em nós esta disposição para a mudança, pois somente os pequenos, os simples de coração são capazes de contemplar a vida, não como um fardo, com cansaço, mas como um dom de alegria. “Eu te louvo, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste estas coisas aos sábios e entendidos e as revelaste aos pequeninos”. Que Ele faça o nosso coração ser como o Dele: simples, manso e humilde.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
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		<item>
		<title>Santíssima Trindade</title>
		<link>https://www.transfiguracao.com.br/santissima-trindade-3/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Dom Paulo]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 02 Jun 2026 21:56:10 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Homilias]]></category>
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					<description><![CDATA[HOMILIA SOLENIDADE DA SANTÍSSIMA TRINDADE D. Afonso VIEIRA, OSB A Solenidade que hoje celebramos não é um convite a decifrar o mistério que se esconde por detrás de “um Deus em três pessoas”; mas é um convite a contemplar o Deus que é amor, que é família, que é comunidade [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">HOMILIA SOLENIDADE DA SANTÍSSIMA TRINDADE</p>



<p class="wp-block-paragraph">D. Afonso VIEIRA, OSB</p>



<p class="wp-block-paragraph">A Solenidade que hoje celebramos não é um convite a decifrar o mistério que se esconde por detrás de “um Deus em três pessoas”; mas é um convite a contemplar o Deus que é amor, que é família, que é comunidade e que criou os homens para os fazer comungar nesse mistério de amor. Na primeira leitura, o Deus da comunhão e da aliança, quer estabelecer laços familiares com o homem, se auto apresentando, Ele é clemente e compassivo, lento para a ira e rico de misericórdia. Na segunda leitura, Paulo expressa &#8211; através da fórmula litúrgica “a graça do Senhor Jesus Cristo, o amor do Pai e a comunhão do Espírito Santo estejam convosco” &#8211; a realidade de um Deus que é comunhão, que é família e que pretende atrair os homens para essa dinâmica de amor, e no Evangelho, João nos convida a contemplar um Deus cujo amor pelos homens é tão grande, a ponto de enviar ao mundo o seu Filho único; e Jesus, o Filho, cumprindo a vontade do Pai, fez da sua vida um dom total, até à morte na cruz, a fim de oferecer aos homens a vida definitiva. Nesta fantástica história de amor (que vai até ao dom da vida do Filho único e amado), mostra-se a grandeza do amor de Deus.<br>Depois de explicar a Nicodemos que o Messias tem de “ser levantado ao alto”, como “Moisés levantou a serpente” no deserto, a fim de que ‘todo aquele que n&#8217;Ele acredita tenha vida definitiva” (Jo 3,14-15), Jesus explica como é que a cruz se insere no projeto de Deus. A explicação vem em três passos…<br>O primeiro (vers. 16) refere-se ao significado último da cruz. Esse Homem que vai ser levantado na cruz veio ao mundo, incarnou na nossa história humana, correu o risco de assumir a nossa fragilidade, partilhou a nossa humanidade; e, como consequência de uma vida gasta a lutar contra as forças das trevas e da morte que escravizavam os homens, foi preso, torturado e morto numa cruz. A cruz é o último ato de uma vida vivida no amor, na doação, na entrega. Deus comporta-Se como Abraão, que foi capaz de desprender-se do próprio filho por amor (no caso de Abraão, amor a Deus; no caso de Deus, amor aos homens) … A cruz é, portanto, a expressão suprema do amor de Deus pelos homens. Aí temos o incomensurável amor de Deus por essa humanidade a quem Ele quer oferecer a salvação. Os homens aprendem que a vida definitiva está na obediência aos planos do Pai e no dom da vida aos homens, por amor.<br>O segundo (vers. 17) deixa claro que a intenção de Deus, ao enviar ao mundo o seu Filho único. Jesus veio ao mundo porque o Pai ama os homens e quer salvá-los. O Messias não veio com uma missão judicial, nem veio excluir ninguém da salvação. Pelo contrário, Ele veio oferecer aos homens &#8211; a todos os homens &#8211; a vida definitiva, ensinando-os a amar sem medida e dando-lhes o Espírito que os transforma em Homens Novos. Deus enviou o seu Filho único ao encontro de homens pecadores, egoístas, autossuficientes, a fim de lhes apresentar uma nova proposta de vida… E foi o amor de Jesus &#8211; bem como o Espírito que Jesus deixou &#8211; que transformou esses homens egoístas, orgulhosos, e os inseriu numa dinâmica de vida nova e plena.<br>O terceiro (vers. 18) descreve as duas atitudes que o homem pode tomar, diante da oferta de salvação que Jesus faz. Quem aceita a proposta do Senhor, adere a Ele, recebe o Espírito, vive no amor e na doação, escolhe a vida definitiva. A salvação ou a condenação não são, nesta perspectiva, um prémio ou um castigo que Deus dá ao homem pelo seu bom ou mau comportamento; mas são o resultado da escolha livre do homem, face à oferta incondicional de salvação que Deus lhe faz. A responsabilidade pela vida definitiva ou pela morte eterna não recai assim sobre Deus, mas sobre o homem.<br>De acordo com a perspectiva de João, também não existe um julgamento futuro, no final dos tempos, no qual Deus pesa na sua balança os pecados dos homens, para ver se há de os salvar ou condenar. O juízo realiza-se aqui e agora e depende da atitude que o homem assume diante da proposta de Jesus. Em resumo: porque amava a humanidade, Deus enviou o seu Filho único ao mundo com uma proposta de salvação. Essa oferta nunca foi retirada; continua aberta e à espera de resposta. Diante da oferta de Deus, o homem pode escolher a vida eterna, ou pode excluir-se da salvação. Nós, que cremos, devíamos ser as testemunhas desse Deus que é amor; e as nossas comunidades cristãs ou religiosas deviam ser a expressão viva do amor trinitário.<br>A celebração da Solenidade da Trindade não pode ser a tentativa de compreender e decifrar essa estranha charada de “um em três”. Mas deve ser, sobretudo, a contemplação de um Deus que é amor e que é, portanto, comunidade. Dizer que há três pessoas em Deus, como há três pessoas numa família &#8211; pai, mãe e filho &#8211; é afirmar três deuses e é negar a fé; inversamente, dizer que o Pai, o Filho e o Espírito são três formas diferentes de apresentar o mesmo Deus, como três fotografias do mesmo rosto, é negar a distinção das três pessoas e é, também, negar a fé. A natureza divina de um Deus amor, de um Deus família, de um Deus comunidade, expressa-se na nossa linguagem imperfeita das três pessoas. O Deus família torna-se trindade de pessoas distintas, porém unidas. Chegados aqui, temos de parar, porque a nossa linguagem finita e humana não consegue “dizer” o indizível, não consegue definir o mistério de Deus, um Amor, que se tornou pessoa, derramado sobre nós, para que pudéssemos viver como filhos de Deus. Deste modo, entendemos porque, hoje, a liturgia nos faz viver a solenidade da Santíssima Trindade: Pai, Filho e Espírito Santo, uma espécie de síntese e, sobretudo, meta do caminho até agora percorrido.</p>
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