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	<title>Dom Martinho do Carmo OSB &#8211; Mosteiro da Transfiguração</title>
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	<description>Em Vossa luz contemplamos a Luz</description>
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	<title>Dom Martinho do Carmo OSB &#8211; Mosteiro da Transfiguração</title>
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		<title>2º Domingo do tempo Comum &#124; Ano A</title>
		<link>https://www.transfiguracao.com.br/2o-domingo-do-tempo-comum-ano-a/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Dom Martinho do Carmo OSB]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 15 Jan 2023 13:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Homilias]]></category>
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					<description><![CDATA[Neste segundo domingo lemos todos os anos uma parte do testemunho de João Batista sobre Jesus segundo o Evangelho de São João. De fato, João não relata o batismo de Jesus feito por João Batista, que indica o início do ministério público de Jesus, como nos outros evangelhos, mas ele se debruça sobre o testemunho do Batista.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong>2º Domingo do tempo Comum | Ano A</strong><br>Is 49,3.5-6; Sl 39 (40); 1Cor 1,1-3; Jo 1,29-34<br><em>15 de janeiro de 2023</em></p>



<p><strong>Homilia</strong></p>



<p>Os Evangelhos dos domingos do Tempo Comum são extraídos a cada ano de um evangelista diferente: Mateus para o ano “A”, Marcos para o ano “B” e Lucas para o ano “C”. No entanto, neste segundo domingo, aquele que vem logo depois da festa do Batismo do Senhor, lemos todos os anos uma parte do testemunho de João Batista sobre Jesus segundo o Evangelho de São João. De fato, João não relata o batismo de Jesus feito por João Batista, que indica o início do ministério público de Jesus, como nos outros evangelhos, mas ele se debruça sobre o testemunho do Batista.</p>



<p>É um testemunho que não se dirige a ninguém em particular e, portanto, aplica-se a todos os homens e mulheres de todos os tempos: é-nos dito somente que &nbsp;<em>“João deu testemunho&#8230;”</em>. Anteriormente, àqueles que lhe perguntavam sobre o significado de seu batismo, João já havia dito: <em>“Há, entre os que me seguem (ou seja, entre os meus discípulos) alguém que é maior do que eu”</em>. Então, quando Jesus se aproxima, ele o reconhece e diz: <em>“Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo”</em>. O título de Cordeiro de Deus obviamente se refere ao cordeiro comido todos os anos durante a celebração da Páscoa e, além deste memorial, ao cordeiro cujo sangue havia marcado os umbrais das portas dos judeus no Egito, durante a noite da Fuga, e que salvou seus primogênitos. A expressão também pode fazer referência ao bode que era solto todos os anos no deserto, simbolicamente carregado pelo sacerdote com todos os pecados do povo.</p>



<p>Mas o que João Batista quer dizer com a expressão “o pecado do mundo”? Ele não diz “os pecados do mundo”, mas “o” pecado do mundo. Que pecado é esse? Traduzir invertendo palavras, dizendo: “que tira do mundo o pecado” também seria uma interpretação errada. “τήν ἁμαρτίαν τοῦ κόσμου” significa realmente “o pecado do mundo” e, de certa forma, “o pecado do mundo por excelência”. Mas, de que mundo se trata? Evidentemente do mundo de que acabamos de falar no Prólogo do Evangelho de São João: <em>“Ele estava no mundo, e o mundo foi feito por meio dele, mas o mundo não quis conhecê-lo”</em> (cf. Jo 1,10).</p>



<p>O “pecado do mundo” não é esta ou aquela transgressão, nem mesmo todas as transgressões. Ao contrário, é o mundo dos homens como um todo, na medida em que não recebe a mensagem de Cristo e não se deixa transformar por Ele. O “pecado do mundo” é o fato de que o nosso mundo, este que eu e vós vivemos, não é ordenado conforme o Evangelho. O pecado do mundo é que os pobres e os pequeninos sejam oprimidos, que tantos homens e mulheres sofram de fome, que tantas pessoas sejam expulsas de suas casas e países por causa da guerra, que os ricos se tornam mais ricos à custa dos pobres que se tornam mais pobres, que tantos doentes morram por falta de atendimento ou medicamentos, enquanto somas astronômicas são gastas no desenvolvimento de máquinas de morte. O pecado do mundo é a existência de guerras, o aborto, a pena de morte. É a violação de todos os direitos dos indivíduos e dos povos. O pecado do mundo é também o silêncio e a omissão culpáveis diante de todas essas injustiças e crimes.</p>



<p>É deste pecado que veio para libertar o mundo aquele que João reconheceu como o Cordeiro de Deus. Entretanto, após dois mil anos, o mundo ainda está em seu pecado. Mas nem tudo está perdido. <strong>Estamos</strong> todos neste mundo, é verdade; mas é possível que todos e cada um de nós <strong>não sejamos</strong> deste mundo. Como? Acolhendo o Filho de Deus, aceitando sua mensagem, deixando-nos transformar por Ele: <em>“a todos que O receberam, deu-lhes capacidade de se tornarem filhos de Deus”</em> (Jo 1,12).</p>



<p>João Batista foi capaz de reconhecer aquele que veio para libertar o mundo de seu pecado, porque seu coração era puro. Ele viu o Espírito Santo descer sobre a cabeça de Jesus, mesmo que logo depois isso o tenha levado a ter sua própria cabeça cortada. Peçamos a Deus para que tenhamos a lucidez de reconhecer tanto o pecado do mundo (em nós e ao nosso redor) quanto de reconhecer Aquele que nos liberta dele, mesmo quando essa lucidez pode ser perigosa e repleta de consequências em nossas vidas.</p>



<p class="has-text-align-right"><em>Dom Martinho do Carmo OSB</em></p>
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		<title>Batismo do Senhor</title>
		<link>https://www.transfiguracao.com.br/batismo-do-senhor/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Dom Martinho do Carmo OSB]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 09 Jan 2023 20:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Homilias]]></category>
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					<description><![CDATA[Caríssimos irmãos e irmãs tentemos brevemente ver o que a liturgia do Batismo do Senhor hoje nos ensina sobre a oração.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong>Batismo do Senhor</strong><br><strong><strong>Is 42,1-4.6-7</strong>; <strong>Sl 28(29)</strong>; <strong>Mt 3,13-17</strong></strong><br><em>9 de janeiro de 202</em>3</p>



<p>Caríssimos irmãos e irmãs tentemos brevemente ver o que a liturgia do Batismo do Senhor hoje nos ensina sobre a oração.</p>



<p>A oração – seja ela uma oração de adoração, súplica ou ação de graças – é uma atividade que rasga o véu que separa a criatura de seu criador, que abre uma brecha no muro que separa o tempo da eternidade. Vivemos em um tempo em que há um ontem, um hoje e um amanhã. Mas Deus vive em um presente eterno. Por meio da oração que nos coloca em comunhão com Deus, penetramos neste eterno presente de Deus. Isso só é possível porque ele mesmo fez o caminho inverso. O Filho de Deus fez-se um de nós. Veio no tempo e no espaço. E quando Ele pôs-se a rezar, rasgou-se o véu entre o tempo e a eternidade, entre o espaço dos homens e a onipresença de Deus, e então a voz do Pai que, desde toda a eternidade, gera o seu Filho, pôde dizer, no tempo da nossa história: “Hoje”, sim, “hoje eu te gerei”.</p>



<p>Esta voz do Pai acompanha a descida visível do Espírito Santo sobre Jesus. Quando rezamos, ou melhor, quando nos abrimos ao dom da oração, o céu se abre e o Espírito do Pai e do Filho desce sobre nós para orar em nós, capacitando-nos a dizer: “Abba, Pai”, e então a voz do Pai também nos diz: “Tu és o meu Filho, Hoje eu te gerei”. Tornamo-nos filhos adotivos no Filho amado, o primogênito de uma multidão de irmãos e irmãs. É o batismo no Espírito e no fogo que João Batista anunciou. Batismo de fogo porque queima em nós tudo o que é estranho a esta comunhão ou que a impede. Podemos então compreender o ensinamento dos grandes teólogos da era patrística e da Idade Média, que viam na liturgia da terra uma participação na liturgia celeste. Todos os bem-aventurados que passaram da vida presente para a vida eterna louvam incessantemente a Deus em Seu eterno hoje. As nossas liturgias e os nossos ofícios aqui na terra, apesar da sua pobreza e até apesar das nossas distrações, provocam esta abertura, este rasgo que nos faz entrever o céu e nos permite, por um instante, entrar neste mesmo hoje de Deus, onde tudo é presente. E é então que, graças ao dom do nosso Batismo, nossa liturgia aqui da terra torna-se contemporânea com a liturgia celeste.</p>
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		<title>Epifania do Senhor</title>
		<link>https://www.transfiguracao.com.br/epifania-do-senhor/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Dom Martinho do Carmo OSB]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 08 Jan 2023 13:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Homilias]]></category>
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					<description><![CDATA[Jesus é “descoberto” pelos Magos do Oriente, que lhe oferecem presentes reais antes de voltar para casa. Desses personagens, o Evangelho não diz mais nada; foi a piedade popular que, ao longo dos séculos, não cessou de ornar e acrescentar-lhes detalhes.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong>Epifania do Senhor – Solenidade</strong><br>Is 60,1-6; Sl 71; Ef 3,2-3a.5-6; Mt 2,1-12<br><em>8 de janeiro de 2023</em></p>



<p><strong>Homilia</strong></p>



<p>O Evangelho de Mateus é extremamente sóbrio sobre o nascimento de Jesus. Em seu primeiro capítulo, ele primeiro traça a árvore genealógica de José e, portanto, também a de Maria, uma vez que pertenciam à mesma tribo. Em seguida, vem o relato da aparição do anjo Gabriel a José, dizendo-lhe que não hesitasse em tomar Maria como esposa. Então, a partir do segundo capítulo, Jesus é “descoberto” pelos Magos do Oriente, que lhe oferecem presentes reais antes de voltar para casa. Desses personagens, o Evangelho não diz mais nada; foi a piedade popular que, ao longo dos séculos, não cessou de ornar e acrescentar-lhes detalhes.</p>



<p>Procuremos ver qual é a essência deste relato do evangelista Mateus. No centro da narrativa está a criança, com Maria, sua mãe. Os dois são inseparáveis, tanto pelo sangue quanto pela missão. José nem é mencionado; seu papel muito humilde e sua própria missão foram descritos no capítulo anterior. Ele tem a custódia e o cuidado da criança e da mãe, nada mais. Este menino, que é o Messias que as gerações esperavam, não é reconhecido pelos principais sacerdotes e pelos escribas do povo que o esperava. O rei Herodes, que exerce o poder civil de opressor, quer matar essa criança que corre o risco de ameaçá-lo, caso as alocuções dos magos tiverem algum fundamento. Essa criança, os Magos, sem nome e vindo de terras distantes, o adoram e depois voltam para casa. Mas eles não são ingênuos, pois são capazes de perceber a astúcia de Herodes e evitar cair em sua armadilha.</p>



<p>Os Magos permanecem um modelo de buscadores de hoje, como para os de todos os tempos. Buscadores que não se contentam tentando inventar sinais e símbolos, mas que sabem reconhecer o valor simbólico das coisas comuns. Buscadores loucos o suficiente para abandonar a segurança e o conforto de seus países e palácios, para seguir uma estrela que provavelmente não era muito diferente de todas as outras.</p>



<p>Eles não estão procurando por um sinal; eles estão procurando por alguém. Quando o sinal é visível, eles o seguem. Quando o sinal desaparece, eles se informam de outra maneira. E quando alcançam o objetivo, o sinal não importa mais. Em nenhum momento eles adoram a estrela. Ao vê-la, eles experimentam grande alegria. Quando ela para acima de uma casa, eles entram. E o que eles encontram? Uma realidade tão humilde e comum quanto possível: uma criança e sua mãe. E o que eles fazem? Eles se ajoelham e adoram. Assim, a narrativa de São Mateus parece ter prazer em enfatizar o contraste entre o caráter extraordinário do sinal que os conduziu até seu objetivo, e o caráter bastante comum da realidade que eles descobrem e adoram.</p>



<p>A aspiração de encontrar Deus foi colocada pelo Criador no coração de cada ser humano. As religiões podem servir como estrelas, nada mais. Certamente elas não têm o mesmo valor; mas nenhuma pode ser objeto de culto e adoração. Só pode ser adorado o Deus que se fez criança para se tornar um de nós e nos assumir a todos. Para ele convergem, através dos tempos, os povos de provenientes de todos os horizontes, conduzidos por bilhões de estrelas diferentes.</p>



<p>É este aspecto do mistério da Encarnação que celebramos hoje.</p>



<p>A última frase deste relato é misteriosa e provavelmente tem muitos significados que nunca terminaremos de descobrir. <em>“Avisados em sonho para não voltarem a Herodes, retornaram para a sua terra, seguindo outro caminho.”</em> O sonho, na Bíblia, nunca é apenas um sonho. É uma experiência espiritual através da qual alguém descobre a vontade de Deus sobre si, entrando profundamente dentro de si mesmo. Assim como não foi lendo os escritos judaicos, mas contemplando o céu estrelado que os Magos souberam do nascimento do Salvador, da mesma forma é através de uma experiência de interioridade que eles percebem a falsidade de Herodes e continuarão sua jornada sem se preocupar com o antigo Israel, voltando a seus próprios países, suas próprias culturas e suas próprias experiências espirituais, portadores da descoberta pessoal que fizeram da Salvação trazida por Deus a todas as nações.</p>



<p>Esses Magos não eram membros de uma seita religiosa engajada em uma busca espiritual. Eles eram simplesmente humanos, interessados ​​nos mistérios da natureza, especialmente interessados ​​na natureza humana; que, em suas observações das estrelas, acreditaram perceber o nascimento de um novo rei em um povo muito pequeno, o povo judeu. Eles não estão procurando o Messias, de quem provavelmente nada sabem. Eles estão simplesmente procurando por um rei recém-nascido. Quando o encontram, prestam suas homenagens a ele e vão embora. Este foi provavelmente o único contato deles com Jesus. Eles não se tornaram seus discípulos. Eram homens íntegros, honestos e sinceros. A salvação é para essas pessoas.</p>



<p>Para entrar em diálogo conosco, Deus não esperou que estivéssemos à altura da situação. Ele nos enviou seu Filho, seu Verbo, sua Palavra, quando éramos pecadores. Da mesma forma, ele nos pede para irmos a qualquer pessoa ao nosso redor, quer venham a nós ou não, gostem ou não de nós, tenham ou não as mesmas ideias. Ele também nos pede para respeitar cada ser humano – simplesmente porque é humano – quer tenha uma pertença religiosa diferente da nossa, ou mesmo que não tenha nenhuma, e quaisquer que sejam os crimes que tenha cometido ou com os quais possa ser acusado.</p>



<p>Antes de serem crentes ou ateus; ortodoxos, católicos ou protestantes; cristãos ou muçulmanos, sunitas ou xiitas; chinês, japonês ou ocidental; homens e mulheres são antes de tudo “seres humanos” criados à imagem de Deus e igualmente dignos do mais profundo respeito. Isso é o que Deus quis nos ensinar fazendo-se um de nós.</p>



<p class="has-text-align-right"><em>Dom Martinho do Carmo, OSB</em></p>
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		<title>Natal do Senhor &#8211; Missa do Dia</title>
		<link>https://www.transfiguracao.com.br/natal-do-senhor-missa-do-dia/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Dom Martinho do Carmo OSB]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 25 Dec 2022 21:40:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Homilias]]></category>
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					<description><![CDATA[A salvação que Jesus nos trouxe é o dom da vida eterna, a abertura que nos é feita das portas do Reino, uma vida além desta vida terrestre numa alegria sem fim. Mas será que devemos limitar a salvação a um futuro desconhecido, a um desígnio divino que só se realizará após a nossa morte?]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong>Natal do Senhor – Missa do Dia</strong><br><strong>Is 52,7-10; Sl 97; Hb 1,1-6; Jo 1,1-18</strong><br><em>25 de dezembro de 2022</em><br></p>



<p class="has-text-align-center"><strong>Homilia: Viver “HOJE” como pessoas salvas</strong></p>



<p>Irmãos e irmãs, nós ouvimos esta noite, o que o anjo proclamou aos pastores de Belém: “<em>Hoje, na cidade de Davi, nasceu para vós um Salvador</em>” (Lc 2,11). “Salvador” é exatamente o significado do nome de Jesus: “<em>Deus salva</em>”. Este menino deitado na manjedoura é o nosso Salvador, o Salvador tão desejado, tão esperado pelos patriarcas, pelos profetas e pelos sábios; ele é o “<em>Salvador do mundo</em>” (Jo 4,42). E, como talvez nós já saibamos, a salvação que Jesus nos trouxe é o dom da vida eterna, a abertura que nos é feita das portas do Reino, uma vida além desta vida terrestre numa alegria sem fim. Mas será que devemos limitar a salvação a um futuro desconhecido, a um desígnio divino que só se realizará após a nossa morte? Não, irmãos e irmãs! Se o Verbo se fez carne, é também para nos salvar naquilo que há de mais concreto em nossa atual existência. A salvação não é para amanhã, mas para hoje. Mas, hoje, do que Jesus nos salva?</p>



<p>Eu diria, a princípio, que Jesus <strong>nos salva do medo de nossa humanidade</strong>. Ou, em outras palavras, Jesus nos ensina a amar aquilo que somos. Fundamentalmente está inscrito no ser humano um medo de ser, simplesmente, aquilo que é. A cada dia, nós colidimos contra nossa condição de finitude. Sim, por natureza, somos criados, finitos, limitados. Rapidamente, aprendemos que nós não somos e nem podemos tudo. Tantas coisas nos escapam. Diante destas limitações propostas à nossa condição, é muito comum ver em algumas pessoas uma certa culpabilidade por não conseguir mudar, não progredir, não mais poder mais fazer algo que se fazia antes&#8230; é como se algumas pessoas achassem que seja um pecado ser humano! Mas, irmãos e irmãs, a salvação é Deus em nossa carne, é o infinito de Deus circunscrito em nossa finitude humana, é o próprio Deus nos dizendo: “Tu és precioso aos meus olhos e eu te amo como tu és”. São João nos diz: “<em>O Verbo se fez carne</em>” (Jo 1,14). Deus não poderia encontrar nada mais extraordinário do que assumir a nossa condição de criatura para nos ensinar a amar o que somos por natureza. Sim, nós somos fracos e vulneráveis, mas não há razão para lamentar, visto que a divindade habita em nós. O apóstolo Paulo compreendeu isso muito bem, quando disse: “<em>Sinto prazer nas fraquezas&#8230; Porque, quando sou fraco, então, é que sou forte</em>” (2Cor 12,10). Minha força, é o poder de Deus manifestado em minha carne, e isso se faz graças à Encarnação do Verbo de Deus.</p>



<p>A segunda dimensão da salvação resulta da primeira: <strong>Deus nos salva nos humanizando</strong>. Por natureza, somos seres de desejo. Mas, como é difícil viver como um ser de desejo! Corremos por todo lado investindo nosso desejo em coisas artificiais ou passageiras. E a nossa sociedade nos faz acreditar que ela pode satisfazer todos os nossos desejos. Talvez ela possa até satisfazer as nossas “necessidades”, mas certamente ela não pode satisfazer os nossos desejos. Isso porque, fundamentalmente, o desejo que habita o ser humano não tem objeto. É um desejo de infinito. E esse desejo é vital para o ser humano, pois ele é como que um vazio que nos faz ir adiante. E mais uma vez devemos nos lembrar: “<em>O Verbo se fez carne</em>”. Deus vem em nossa carne para assentar-se à beira do poço do nosso desejo (cf. Jo 4). Ele não vem nos tirar esse desejo – pois isso seria nos desumanizar –; mas vem preenchê-lo. Deus em nossa carne, é a fonte de vida eterna que vem ao encontro do nosso desejo de infinito. Ser salvo, é viver como homem e mulher de desejo, estando ligado à fonte que sacia e que é o próprio Deus. Ser salvo, é viver em paz com seu desejo, deixando-se conduzir, não pela cobiça da carne, mas pelo Espírito Santo que, pelo Batismo, habita em nós.</p>



<p>Finalmente, irmãos e irmãs, devemos compreender que Deus não nos salva “da” nossa carne. <strong>Ele nos salva “em” nossa carne</strong>. A salvação, é ser visitado, reerguido, recriado, glorificado “em” nossa carne. Se é importante para nós fazer, todos os anos, memória do nascimento do Salvador, isso é para nos lembrar que a salvação é permanente. É “agora” que Deus nos salva. É “hoje” que ele nasce em minha carne para me ensinar a amar minha humanidade e a viver genuinamente como ser humano. Estamos aqui muito longe de toda essa onda de movimentos “espiritualistas” que querem nos desumanizar, fazendo-nos pensar sermos anjos. Tais iniciativas só fazem aumentar uma culpabilidade desnecessária, pois somos limitados&#8230; “Quem quer ser anjo, acaba sendo a besta” (Pascal)&#8230; Por isso, sejamos felizes, irmãos e irmãs, por saber que o lugar da salvação é a nossa humanidade. O Verbo se fez carne, e pela Encarnação, Deus aboliu a barreira que separava o divino do humano, assim como na Cruz, ele aboliu a barreira do pecado que nos separava d’Ele. Deus, não querendo ver o ser humano separado dele, fez de nossa carne o lugar do encontro. Nossa carne não está mais do lado do pecado, mas do lado da glória. Doravante somos destinados a participar da Natureza divina (2Pe 1,4). São Paulo, mais uma vez, nos dá seu exemplo: “<em>Minha vida presente na carne</em> – ou seja, minha atual condição de ser humano –, <em>eu a vivo pela fé no Filho de Deus que me amou e se entregou por mim</em>” (Gl 2,20).</p>



<p>Viver como um ser salvo, é viver na escuta do Deus que habita em mim, é assumir meus limites naturais como sendo ocasiões de deixar Deus manifestar sua força na minha fraqueza, é deixar Deus visitar e curar todas as dimensões do meu ser, é escolher aquilo que honra minha humanidade, e lhe traz paz e alegria. “<em>Se alguém está em Cristo, é nova criatura; as coisas antigas já passaram; eis que se fizeram novas</em>” (2Cor 5,17). Assim, irmãos e irmãs, festejando o nascimento de nosso Salvador, nós festejamos nosso próprio nascimento para a vida nova em Deus, festejamos nossa salvação. Portanto, irmãos e irmãs, vivamos hoje e sempre como pessoas salvas! Amém!</p>



<p class="has-text-align-right"><em>Dom Martinho do Carmo, osb</em></p>
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		<item>
		<title>4º Domingo do Advento – Ano A</title>
		<link>https://www.transfiguracao.com.br/4o-domingo-do-advento-ano-a/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Dom Martinho do Carmo OSB]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 18 Dec 2022 12:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Homilias]]></category>
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					<description><![CDATA[O Filho de Deus não nasceu em nenhuma das superpotências de sua época, mas em um pequeno país que era desprezado e repetidamente invadido por das superpotências vizinhas.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong>4º Domingo do Advento – A</strong><br><strong>Is 7,10-14; Sl 23; Rm 1,1-7; Mt 1,18-24</strong><br><em>18 de dezembro de 2022</em></p>



<p><strong>Homilia</strong></p>



<p>Se o povo de Israel desempenhou um papel considerável na história antiga, certamente não foi por sua importância numérica ou militar, mas por sua posição estratégica. Israel era uma espécie de zona intermediária entre as grandes potências da época: primeiro entre a Assíria e o Egito, e depois entre a Pérsia e o Império Greco-Romano. Essas superpotências, cada uma por sua vez, viam como seu direito e dever atuar como polícia internacional e impor ou depor os líderes do povo de Israel. Na época do nascimento de Jesus, a Judéia estava sob a autoridade de um rei que era uma marionete dos romanos e a Galiléia sob um governador romano.</p>



<p>O Filho de Deus não nasceu em nenhuma das superpotências da época, mas em um pequeno país que era desprezado e repetidamente invadido por uma ou outra dessas superpotências.</p>



<p>Uma das coisas que todas as três leituras de hoje têm em comum é o título “Filho de Davi”, dado a Jesus e a José. Destaca-se assim o caráter profundamente humano da intervenção de Deus na história. O Filho de Deus não encarnou “do nada”. Ele se tornou um homem – um homem concreto – nascido em um momento particular da história da humanidade, em um determinado povo e em uma família muito específica. Esse ambiente particular o modelou, deu a Jesus as categorias de pensamento e de linguagem que lhe permitiram falar conosco usando um conjunto muito específico de imagens e conceitos próprios àquela cultura.</p>



<p>Sua missão foi realizada em uma vida humana muito comum. Uma criança nasce de uma mulher. Uma mulher muito jovem. Se Maria ficou noiva na idade habitual de sua sociedade, ou seja, no início da puberdade, ela devia ter entre 12 e 14 anos quando deu à luz Jesus. Seguindo os mesmos costumes, José devia ter entre 13 e 15 anos – não o velho barbudo de tantas representações artísticas. Essa criança cresceu e se tornou um adulto. Exerceu o ofício do pai. Um dia ele sentiu o chamado profético e pregou a boa nova em cidades e aldeias. As autoridades acharam isso embaraçoso, e se livraram dele como haviam feito com tantos outros. Não há nada realmente extraordinário em tudo isso. O mesmo, incluindo a morte, aconteceu com muitos outros. Ora, foi por meio dessa existência humana tão comum que o curso da história foi profundamente mudado e que a salvação foi alcançada.</p>



<p>Mateus, no Evangelho de hoje, assim como Paulo na carta aos Romanos, ou mesmo João no seu Prólogo, querem mostrar que este filho de Israel era mais do que um simples filho de Israel. Ele não era apenas um Judeu piedoso enviado ao povo judeu. Ele era o <em>Emanuel</em> (como ouvimos na primeira leitura de Isaías), o Deus-conosco, para cada ser humano e para todas as raças. Quando Mateus nos fala sobre o nascimento virginal, o que ele quer enfatizar não é tanto um evento milagroso, mas o fato de que Jesus é muito mais do que um filho de Israel. Sim, ele era judeu de nascimento. Sim, seus ancestrais eram judeus. Mas seu verdadeiro pai era Deus que, por meio dele, como havia feito por meio de Adão, deu à luz uma nova raça, uma raça na qual os laços de sangue pouco importavam.</p>



<p>O papel de José nessa história é uma espécie de expressão simbólica da decepção do povo judeu ao descobrir que o Messias não era sua propriedade exclusiva. O nascimento de Jesus põe fim ao domínio de uma raça sobre a outra, de uma cultura sobre a outra. A partir de Jesus, seja qual for a nossa cidadania política, quer pertençamos a um país muito pequeno ou a um Estado poderoso que possa atuar como uma polícia internacional, temos apenas uma cidadania que realmente importa: somos todos filhos e filhas de Deus. Todo o resto, como diria Paulo, numa expressão que só pode ser citada realmente em latim, é “<em>stercora</em>” (Fl 3,8: <em>“considero tudo como excremento, a fim de ganhar a Cristo”</em>).</p>



<p>Outra consequência de tudo isso é que Deus não é apenas “nosso” Deus, e Jesus não é apenas “nosso” Jesus. Ora, estamos acostumados a considerar Jesus como “nosso”; e, claro, como somos generosos, queremos partilhá-lo com os outros! Na realidade, não precisamos “compartilhá-lo&#8221; com os outros. Temos que “descobri-lo&#8221; nos outros. Ninguém – nem José, nem nós mesmos – pode reivindicar a posse de Jesus.</p>



<p>Isto é o que é absolutamente novo e original. Por que somos cristãos? Precisamente por causa desta finalidade: testemunhar a absoluta igualdade de todos os seres humanos; ajudar a humanidade a finalmente descobrir que ninguém pode, por qualquer motivo, dominar outra pessoa, seja no plano militar e político, seja no plano da religião.</p>



<p>Certa vez ouvi alguém censurar os católicos por quererem “monopolizar a festa de Natal&#8221;! – De fato, essa pessoa, em certo sentido, tinha razão… aliás, tinha mais razão do que imaginava: Em nome de Jesus, o “Emanuel”, ou o “Deus conosco”, quando dizemos “nós”, não podemos mais nos dirigir apenas aos cristãos apenas aos católicos. O “nós” do cristão deve, necessariamente, designar “todos nós” seres humanos, quem quer que sejamos, sem exceção. Esta é a grande novidade do Natal, que São José experimentou e que nós também devemos, pela graça de Deus, experimentar.</p>



<p class="has-text-align-right"><em>Dom Martinho do Carmo, osb</em></p>
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		<title>3º Domingo do Advento – A</title>
		<link>https://www.transfiguracao.com.br/3o-domingo-do-advento-a/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Dom Martinho do Carmo OSB]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 11 Dec 2022 13:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Homilias]]></category>
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					<description><![CDATA[Poderíamos nos perguntar se João realmente passou por um período de dúvida e incerteza... O texto do Evangelho não nos permite dar uma resposta certa a esta pergunta. Na realidade, esta resposta não é importante, porque o que está no centro deste relato, não é João com seus questionamentos, mas Jesus com a sua resposta.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong>3º Domingo do Advento – Ano A</strong><br><strong>Is 35, 1-6a.10; Sl 145; Tg 5, 7-10; Mt 11,2-11</strong><br><em>11 de dezembro de 2022</em></p>



<p><strong>Homilia</strong></p>



<p>Como vimos no Evangelho do domingo passado, João Batista havia chamado seus contemporâneos à conversão. Alimentado espiritualmente pelos escritos dos grandes profetas de Israel, ele havia anunciado a vinda da cólera divina, a vinda de um Messias que julgaria as nações, separaria os bons dos maus, e exterminaria estes últimos: <em>“O machado já está na raiz das árvores, e toda árvore que não der bom fruto será cortada e jogada no fogo”</em>.</p>



<p>Ora, no exato momento em que João anunciava este Messias, eis que um tal de Jesus vem ser batizado no meio da multidão. João tem então a clara revelação do Espírito Santo de que este Jesus é verdadeiramente o Messias, o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo. No momento em que ela lhe foi dada, esta revelação pareceu-lhe tão clara, tão evidente, que lhe pareceu exprimir uma verdade absoluta. Ora, eis que ele, João, que continuou a cumprir com coragem o seu papel de profeta, até repreendendo Herodes pela sua conduta, encontra-se na prisão, e o Messias nada faz para libertar o seu profeta. Além disso, este Messias não age como João havia previsto e anunciado. Ele não condena, ele não julga. Ele se contenta em anunciar o Reino de seu Pai. Ele é realmente o Messias? Devemos esperar por um outro que venha finalmente colocar ordem na sociedade e no Povo de Deus exterminando os pecadores? Então, João envia seus discípulos para perguntar a Jesus: <em>“És tu aquele que há de vir [aquele que eu anunciei] ou devemos esperar um outro?”</em></p>



<p>Poderíamos nos perguntar se João realmente passou por um período de dúvida e incerteza, ou se ele simplesmente queria que seus discípulos se tornassem discípulos de Jesus. O texto do Evangelho não nos permite dar uma resposta certa a esta pergunta. Na realidade, esta resposta não é importante, porque o que está no centro deste relato, não é João com seus questionamentos, mas Jesus com a sua resposta.</p>



<p>Temos aqui uma das mais belas páginas do Evangelho. A verdadeira questão é esta: “Quando Deus entra na história humana, quais são os sinais autênticos de sua ação? Se o Reino de Deus chegou, qual é a sua manifestação autêntica?”</p>



<p>No tempo de Jesus, muitas manifestações religiosas podiam ser consideradas como sinais da presença do Reino de Deus: acima de tudo, havia a Lei, havia o Templo, os sacrifícios, o culto oficial, as orações, o jejum, os preceitos do sábado, etc. Mas é notável que Jesus, em sua resposta, não menciona nenhum desses sinais tradicionais da presença de Deus, mas oferece como manifestações do reino fatos que aparentemente não têm nenhuma dimensão religiosa, eventos mundanos que não são mencionados em livros de teologia.</p>



<p>Primeiro, consideremos cuidadosamente as primeiras palavras de Jesus: <em>“Ide contar a João o que estais ouvindo e vendo”</em>. E o que eles ouvem e veem? Que as pessoas são libertas das velhas formas de escravidão, e que sua dignidade humana é restaurada: <em>“os cegos recuperam a vista, os paralíticos andam, os leprosos são curados, os surdos ouvem, os mortos ressuscitam e os pobres são evangelizados.”</em></p>



<p>Portanto, onde está o reino? Só sendo cego para não ver. Quando uma pessoa passa de uma condição menos humana para uma mais humana, aí se manifesta a ação de Deus, aí está o seu reino. Todo o resto é o que nos é dado por acréscimo. “O que vocês ouvem e veem&#8221;, diz Jesus. Se eu quiser saber que tipo de cristão eu sou, devo primeiro me perguntar, não quais são as palavras eu digo, mas se minhas ações ajudam aqueles que estão ao meu redor ou com quem eu entro em contato, a libertar-se gradualmente e cada vez mais de qualquer falta de liberdade, interna ou externa – de qualquer forma de opressão.</p>



<p>Como cristãos, ou seja, como discípulos de Cristo, somos chamados a proclamar a boa nova. Não há notícia que seja verdadeira se não relatar um fato real. Uma notícia que não corresponde a um fato é uma mentira. Temos a responsabilidade de tornar o Reino de Deus presente no mundo de hoje, onde estamos. Se proclamamos sua presença em palavras sem realizá-lo por meio de nossos atos, somos mentirosos. É isso que Jesus quer dizer quando acrescenta: <em>“Feliz aquele que não se escandaliza por causa de mim!”</em>.</p>



<p>Há algo de trágico na missão e no destino de João Batista. Ele foi o maior dos profetas, anunciou a vinda do Messias, reconheceu-o quando Ele veio, enviou-lhe os seus próprios discípulos, foi fiel até à morte em sua missão de chamar todos à conversão. Entretanto, parece que ele não percebeu a essência do que seria a missão de Jesus. Mas isso não chega a ser algo ruim. Podemos aprender muito com isso. Primeiro, que nenhum profeta, por mais autêntico que seja, pode afirmar possuir toda a verdade; ninguém pode pretender ser seguido cegamente. No que diz respeito a nós pessoalmente, cada um de nós, por mais seguros que estejamos de nossa fé e, talvez, de nossas experiências espirituais, ou mesmo místicas, por mais autênticas que sejam, sempre haverá seções inteiras da Verdade, que nos escaparão enquanto ainda estivermos nesta vida. E por isso devemos ter, como João Batista, a coragem de “duvidar” e questionar Jesus.</p>



<p></p>



<p>Tanto ao nível dos povos e de toda a humanidade como ao nível de cada indivíduo, todos os fanatismos são gerados por uma convicção excessiva de possuir a verdade ou de estar dentro dos seus direitos. A humanidade vive atualmente um período dramático de sua história em que uma orgia de violência está sendo gerada por tais fanatismos que, embora opostos, se alimentam. Rezemos ao Príncipe da Paz para que tire nossa pobre humanidade do caminho suicida que é o fanatismo, e nos guie no caminho da conversão, do diálogo e do perdão. <em>“Mostrai-nos, ó Senhor, vossa bondade”</em>. Amém. </p>



<p class="has-text-align-right"><em>Dom Martinho do Carmo, osb</em></p>
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		<title>1º Domingo do Advento – Ano A</title>
		<link>https://www.transfiguracao.com.br/1o-domingo-do-advento-ano-a/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Dom Martinho do Carmo OSB]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 27 Nov 2022 14:51:42 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Homilias]]></category>
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					<description><![CDATA[Durante os primeiros séculos após a morte de Jesus, os Cristãos estavam convencidos de que o Senhor voltaria a qualquer dia como Juiz do universo e poria fim à história. O primeiro século, em particular, foi vivido como um longo período de Advento, ou seja, como um longo período de espera pelo retorno do Senhor.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong>1º Domingo do Advento – A</strong><br>Sb 11,22-12,2;&nbsp;Sl&nbsp;144; 2Ts 1,11-2,2;&nbsp;Lc&nbsp;19,1-10<br><em>27 de novembro de 2022</em></p>



<p><strong>Homilia</strong></p>



<p>Caros irmãos e irmãs, o Evangelista São Mateus organiza seu Evangelho em torno de vários grandes discursos de Jesus. No início de seu Livro, dentro do que chamamos de&nbsp;<em>Sermão da Montanha</em>, onde as Bem-aventuranças são o ponto central, ele reúne vários ensinamentos de Jesus sobre a oração, a esmola, o jejum e muitos outros temas fundamentais. Depois, no final do Evangelho, quando Jesus já entrou em Jerusalém, expulsou os vendedores do Templo, e se confrontou violentamente com os Fariseus, sabendo que seu fim está próximo, Mateus relata, um após o outro, vários discursos de Jesus sobre o fim de toda vida humana, a começar pela sua.</p>



<p>Quando este texto do Evangelho foi escrito, a perseguição de Nero já havia acontecido, e vários Cristãos, incluindo Pedro e Paulo, caíram vítimas daquele que era reconhecido como “o Anticristo”. Jerusalém havia sido devastada e muitos Judeus foram mortos, e os que restaram foram novamente deportados, agora para a Grécia. Todos estes acontecimentos obrigaram os Cristãos a considerar com mais atenção do que nunca o sentido da história, e a reler o que os profetas haviam anunciado em textos como o de Isaías, que ouvimos hoje como primeira leitura.</p>



<p>Durante os primeiros séculos após a morte de Jesus, os Cristãos estavam convencidos de que o Senhor voltaria a qualquer dia como Juiz do universo e poria fim à história. O primeiro século, em particular, foi vivido como um longo período de Advento, ou seja, como um longo período de espera pelo retorno do Senhor. Esses Cristãos não tinham interesse em criar estruturas eclesiais, como as que seriam criadas mais tarde. Eles estavam convencidos de que o tempo em que viviam era como um arco e flecha apontados para o cumprimento definitivo da história.</p>



<p>Eis a primeira lição a ser lembrada: o Advento não é, definitivamente, um período de quatro semanas durante o qual leremos textos diferentes dos do resto do ano. O Advento na verdade é uma virtude, um “estado de vida” que consiste em interpretar tudo o que acontece em nossa vida cotidiana, olhando além do próprio nariz ou do próprio umbigo, e tentando ver tudo o que me acontece na perspectiva da minha história e do fim último para a qual minha vida está direcionada.</p>



<p>No texto que acabamos de ouvir, Jesus nos chama à uma atitude de “vigilância” e de “atenção”. É preciso viver com os olhos abertos e com as mãos erguidas em oração. É hora de fazer como Noé que, sabendo da chegada do dilúvio, se preparou para ele, apesar do deboche que lhe foi oferecido por seus contemporâneos.</p>



<p>Portanto, a vigilância, no espírito deste texto evangélico, não é uma espera passiva pelo retorno do Senhor numa oração de quietude. Vigilância é solidariedade com Jesus e participação em seu sofrimento e sua morte. Ele também é solidário com todos os desaventurados com quem escolheu se identificar, especialmente com todos aqueles que, como ele, são vítimas de violência.</p>



<p>Ora, no contexto dos inúmeros conflitos armados que ainda hoje desfiguram a humanidade, a profecia de Isaías (1ª leitura) ressoa como uma enorme reprovação, mas também como fundamento da nossa esperança. Eles&nbsp;<em>“transformarão suas espadas em arados e suas lanças em foices; não pegarão em armas uns contra os outros e não mais travarão combate”,</em>&nbsp;profetizou Isaías<em>.</em></p>



<p>Mas, por que é justamente o contrário dessa profecia que está se cumprindo diante de nossos olhos? Por quê? Talvez porque, coletivamente, não temos sido&nbsp;<em>vigilantes</em>. Não fomos solidários com Cristo agonizante. Não temos sido solidários com os pobres. Erguemos instituições que geram injustiça nas relações entre seres humanos, e dizemos “isso não é problema meu”. Talvez esteja-nos faltando atenção tanto para com o choro dos oprimidos, quanto para a arrogância dos opressores.</p>



<p>A visão de Isaías deve ser o fundamento da nossa esperança. Porque ela é, de fato, o anúncio da vinda do Messias. Ele já veio, está presente entre nós, e é o mestre da história. No entanto, ele respeita a nossa liberdade, ele até nos deixa cochilar, embora nos repreenda de vez em quando, como quando censurou os discípulos dormindo pouco antes de sua Paixão: “<em>Vós não fostes capazes de fazer uma hora de vigília comigo?”</em>&nbsp;(Mt&nbsp;26,40). Mas a vitória final de seu reino de paz, comunhão e harmonia está garantida,&nbsp;<strong>porque ela&nbsp;depende Dele&nbsp;e somente Dele. Mas&nbsp;<em>quando</em>&nbsp;essa vitória acontecerá, isso depende de nós</strong>; porque Ele escolheu realizar sua vitória por meio de nós; ele não quer nos salvar sem a participação de nossa liberdade. A profecia de Isaías, que é uma reprovação e uma fonte de esperança, é também uma&nbsp;<strong>responsabilidade</strong>&nbsp;e um chamado à vigilância. Cabe a cada um de nós corresponder a ela com obras de amor.</p>



<p>Caríssimos, estar vigilante não significa apenas não adormecer em descuidos, como no tempo de Noé. Significa também vigiar com Jesus, acompanhá-lo em sua subida à Jerusalém e à Cruz. Significa não o deixar sozinho diante de sua morte, pois ela é o ponto culminante de sua luta contra as estruturas injustas de nossa sociedade.</p>



<p class="has-text-align-right"><em>Dom Martinho do&nbsp;Carmo,&nbsp;osb</em></p>
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		<title>Cristo Rei &#8211; Ano C</title>
		<link>https://www.transfiguracao.com.br/cristo-rei-ano-c/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Dom Martinho do Carmo OSB]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 20 Nov 2022 13:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Homilias]]></category>
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					<description><![CDATA[O povo, a quem ele sempre manifestou unicamente a bondade de seu Pai, fica ali olhando, atordoado, sem saber o que pensar ou o que dizer. Acima de sua cabeça está um sinal sarcástico, escrito pelos ocupantes romanos, onde está escrito: “Este é o Rei dos Judeus". E todos os que falam o fazem para zombar dele. Todos menos um.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong>Cristo Rei &#8211; Ano C</strong><br>20 de novembro de 2022<br><em>Comunidade Anawin</em></p>



<p><strong>Homilia</strong></p>



<p>Caros irmãos e irmãs, a festa do Cristo Rei foi instituída numa época em que a Igreja, evitando as repúblicas instituídas no mundo ocidental, conservava uma nostalgia das monarquias que iam desaparecendo.</p>



<p>Entretanto, o rei que nos é apresentado no Evangelho de hoje não tem nada desse cheiro de triunfalismo. Ele não está vestido com roupas suntuosas e não se senta em almofadas de veludo bordadas a ouro. Ele é um rei nu, entronizado não num trono, mas em uma cruz. O povo, a quem ele sempre manifestou unicamente a bondade de seu Pai, fica ali olhando, atordoado, sem saber o que pensar ou o que dizer. Acima de sua cabeça está um sinal sarcástico, escrito pelos ocupantes romanos, onde está escrito: <em>“Este é o Rei dos Judeus&#8221;</em>. E todos os que falam o fazem para zombar dele. Todos menos um.</p>



<p>Os líderes do povo Judeu, assim como os soldados romanos e o primeiro dos dois ladrões o convidam a se salvar e descer da cruz. Como se ele tivesse vindo para se salvar e não para nos salvar. Eles não entenderam nada.</p>



<p>Apenas um entendeu: um pobre malfeitor, plenamente consciente de sê-lo, que não guarda rancor daqueles que o pregaram à cruz, pois reconhecia ter recebido a justa recompensa pelos crimes que cometeu. Sem nada a perder, ele tem tudo a ganhar. Ele não pede para ser salvo da morte. Ele não pede para descer milagrosamente de sua cruz.</p>



<p>Ele está ciente da enorme distância que existe entre Jesus e ele, já que lembra seu companheiro que Jesus não fez nada de errado, enquanto eles recebem o que merecem. Ao mesmo tempo, sente-se completamente à vontade com Jesus, visto que aceitou sofrer o mesmo destino que ele, e – algo inédito nos Evangelhos – lhe fala com grande familiaridade, cheio de ternura, usando o seu nome, Jesus (e não Mestre, Cristo, Rabi e nenhum outro título). E o que ele lhe pede? Simplesmente que Jesus se lembre dele quando entrares no seu reinado, mesmo que, obviamente, não tenha ideia do que será esse reinado, nem quando Jesus voltará.</p>



<p>&nbsp;Em sua resposta, Jesus faz outra de suas grandes revelações sobre a natureza do Reino de Deus – esse Reino que ele anunciou ao longo de sua pregação. <em>“Hoje”</em>, disse ele,<em> “estarás comigo no Paraíso”</em>. Unidos na morte, estarão igualmente unidos na verdadeira vida. Se unirmos esta revelação à outra feita por Jesus em outro momento, como aquela onde ele diz que <em>“o Reino de Deus está no meio de vós”</em>, compreenderemos que o Reino de Deus é plenamente realizado na pessoa de Jesus, e que se realiza, desde já, em todos os que estão unidos a Jesus na fé, na esperança e na caridade.</p>



<p>O rei que nos é apresentado na cruz nada tem a ver com os poderosos deste mundo, que geralmente impõem seu poder pela violência ou – mais comum em nossos tempos – pela ideologia. Jesus não recorre a nada disso; não pede que a vingança divina desça sobre seus perseguidores. Ao contrário, implora para que desça sobre eles a misericórdia: <em>“Pai, perdoa-lhes, eles não sabem o que fazem&#8221;.</em> Esta é a atitude de um verdadeiro homem livre. E o segundo malfeitor, a quem chamamos de “bom ladrão”, também é um homem livre.</p>



<p>Um psicólogo moderno, Erich Fromm, em sua obra intitulada “O medo da liberdade&#8221;, mostrou como o ser humano, quando se depara com sua solidão existencial, quando se percebe como um ser distinto de todos os outros e separado de todos os outros, muitas vezes oscila entre duas atitudes patológicas. A primeira é “fundir-se” (na fusão com o outro você desaparece) com os outros exercendo poder sobre eles; a segunda é abrir mão da própria liberdade numa “dependência fusional” (você depende do outro e não mais de você mesmo) com quem exerce o poder. Ora, isso é o contrário de liberdade! É o contrário de ser cristão&#8230;</p>



<p>Deus tendo-se revelado na cruz, em Jesus de Nazaré, não como o totalmente outro transcendente e todo-poderoso, mas como o Outro totalmente próximo e sem poder, fez o bom ladrão vencer o seu “medo da liberdade”. Ele pôde ser completamente livre, mesmo estando pregado na cruz; pôde dialogar com Jesus, o seu Deus, numa extraordinária liberdade e serenidade.</p>



<p>Que nesta Eucaristia este mesmo Jesus reine no coração de cada um de nós, nos liberte do nosso próprio “medo da liberdade” e nos permita chegar a uma liberdade que ao menos se aproxime um pouco mais daquele ladrão crucificado ao seu lado. Amém.</p>



<p class="has-text-align-right"><em>Dom Martinho do Carmo, osb</em></p>
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		<title>Solenidade de Todos os Santos</title>
		<link>https://www.transfiguracao.com.br/solenidade-de-todos-os-santos/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Dom Martinho do Carmo OSB]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 06 Nov 2022 13:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Homilias]]></category>
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					<description><![CDATA[Nós professamos: “Creio na Igreja, una, santa, católica e apostólica”. Mas, como podemos crer nesta definição de fé, quando a Igreja mais se parece com a Babilônia do que com a Jerusalém celeste? Como podemos acreditar na “comunhão dos santos”, igualmente contida no Credo, quando os membros da Igreja têm capacidade de pecar gravemente contra a dignidade humana e até contra a inocência das crianças? Será que, em vez de santa, a Igreja não seria pecadora?]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong>Solenidade de Todos os Santos</strong><br>Ap 7,2-4.9-14; Sl 23; 1Jo 3,1-3; Mt 5,1-12a<br><em>6 de novembro de 2021</em></p>



<p><strong>Homilia</strong></p>



<p>Caros irmãos e irmãs, em poucos instantes rezaremos: “Creio na Igreja, una, santa, católica e apostólica”. Mas, como podemos crer nesta definição de fé, quando a Igreja mais se parece com a Babilônia do que com a Jerusalém celeste? Como podemos acreditar na “comunhão dos santos”, igualmente contida no Credo, quando os membros da Igreja têm capacidade de pecar gravemente contra a dignidade humana e até contra a inocência das crianças? Será que, em vez de santa, a Igreja não seria pecadora? Diante dessa dolorosa constatação, é preciso sustentar a esperança, e manter unidas estas duas afirmações: a Igreja é santa, embora constituída por homens e mulheres pecadores. Pois, se o pecado vem dos homens, a santidade é um dom de Deus. Fora a Virgem Maria, nenhum dos membros da Igreja foi poupado do pecado. Aliás, – é preciso dizer! –, a Igreja nasceu do perdão. Após a sua ressurreição, Jesus confia a Pedro – que o havia negado – as chaves de seu Reino. E perguntou se Pedro o amava. Ora, como é possível que Cristo entregasse confiadamente algo tão importante a um homem pecador, a quem ele parecia nem ter certeza se o amava? “Pois é&#8230;” Deus confiou nos hesitantes apóstolos, e em nós também, que muitas vezes o negamos, o traímos. Deus tem fé em nós, no povo que escolheu para si, e nos comunica a sua santidade. Essa santidade é d’Ele! Não são nossas virtudes ou nossas boas obras que nos tornam santos; tudo o que fazemos de bom e de bem vem dele e somente dele, por meio de seu Espírito que habita em nós.</p>



<p>No livro do Apocalipse (1ª leitura), um dos Anciãos explica a João que os santos são “<em>os que vieram da grande tribulação</em>&#8220;, e que “<em>lavaram e alvejaram as suas roupas no sangue do Cordeiro</em>&#8221; (Ap 7,14). Ora, vejam só! É a Paixão de Cristo que nos lava de nossos pecados; é seu sangue que nos purifica e nos torna santos à sua imagem. Um sangue que nós derramamos fazendo sofrer, a Ele, Jesus, e a todos os inocentes que o seguem. Portanto, é justamente o perdão de Deus que torna a Igreja santa, e que a faz nascer para uma nova vida. Somente a misericórdia divina pode realizar um milagre como este de nos tornar novamente como crianças, tornando-nos novamente puros como o próprio Deus é puro. Mas claro que, para isso, é preciso nos converter, ou seja, colocar nossa esperança naquele que tudo pode fazer, inclusive tornar santos esses pecadores que somos.</p>



<p>Irmãos e irmãs, o Evangelho de São Mateus nos lembra que os santos são os “pobres em espírito”, os escolhidos por Deus apesar de seus pecados. Os santos são aqueles que sabem que são amados e salvos, e se deixam atrair por este amor que os faz irem muito além de si mesmos no dom de suas próprias vidas em favor do próximo, em favor do mundo. Os santos experimentam a carência, a pobreza, a aflição&#8230; Eles sabem que não são autossuficientes e que precisam de Deus e dos outros para viver. À imagem das Pessoas divinas, da Trindade Santa, eles são bem-aventurados na comunhão, no vivificante relacionamento com toda a criação. E é precisamente no âmago de suas carências que os santos experimentam a felicidade. Eles até podem, aqui na terra, sofrer, chorar, ter fome e sede de justiça, serem perseguidos&#8230;, mas já experimentam a felicidade do Reino dos Céus em suas vidas aqui na terra, porque, apesar de tudo, sabem que são amados por Deus, e isso lhes basta. Os santos não são pessoas solitárias, porque sabem que estão sempre em comunhão com a terra e o céu. Como disse o Papa Francisco na sua exortação apostólica GAUDETE ET EXSULTATE (n. 4), “<em>os santos, que já chegaram à presença de Deus, mantêm conosco laços de amor e comunhão</em>”<a href="#_ftn1"><sup>[1]</sup></a>. Ou seja, eles estão conosco e nos apoiam em todos os momentos quando os invocamos na caridade.</p>



<p>Avancemos, portanto, no caminho para a santidade, não sozinhos, mas juntos, pois é na comunhão da Igreja que somos salvos, que nos tornamos santos. Este é o mais belo rosto que podemos oferecer ao mundo, pois a nossa comunhão será o sinal e a antecipação da unidade do gênero humano desde sempre desejada por Deus. Que o Corpo e o Sangue de Cristo alimentem em nós o desejo de fazer parte dos bem-aventurados do céu. Peçamos a Deus que nos atraia a ele como um ímã, para que sejamos santos como ele mesmo é santo. E com a imensa multidão dos santos, não desanimemos diante de nosso pecado e de nossa pobreza. Deixemos que o Deus três vezes Santo tome posse de nossas vidas e nos faça bem-aventurados com ele. Amém.</p>



<p class="has-text-align-right"><em>Dom Martinho do Carmo, osb</em></p>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity"/>



<p><a id="_ftn1" href="#_ftnref1">[1]</a> <a href="https://www.vatican.va/content/francesco/pt/apost_exhortations/documents/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#Os_santos_que_nos_encorajam_e_acompanham" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><em>Gaudete et exsultate</em>: Exortação Apostólica sobre a chamada à santidade no mundo atual (19 de março de 2018) | Francisco, Pp (vatican.va)</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
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		<title>31º Domingo do Tempo Comum – Ano C</title>
		<link>https://www.transfiguracao.com.br/31o-domingo-do-tempo-comum-ano-c/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Dom Martinho do Carmo OSB]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 30 Oct 2022 13:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Homilias]]></category>
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					<description><![CDATA[A face – ou o rosto – de uma pessoa, particularmente os seus olhos, é o que mais revela o que essa pessoa carrega em seu coração. É lá que lemos o amor ou o ódio, a alegria ou a dor, a exaltação ou a aflição. Quando uma pessoa deseja ver a face de Deus, ela não quer conhecê-lo de forma abstrata, mas saber quem ele é para ele.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong>31º Domingo do Tempo Comum – Ano C</strong><br>Sb 11,22-12,2; Sl 144; 2Ts 1,11-2,2; Lc 19,1-10<br><em>30 de outubro de 2022</em></p>



<p><strong>Homilia</strong></p>



<p>O desejo de ver Deus percorre todo o Antigo Testamento. Vários profetas pediram explicitamente para ver o rosto de Deus.</p>



<p>A razão para isso é que a face – ou o rosto – de uma pessoa, particularmente os seus olhos, é o que mais revela o que essa pessoa carrega em seu coração. É lá que lemos o amor ou o ódio, a alegria ou a dor, a exaltação ou a aflição. Quando uma pessoa deseja ver a face de Deus, ela não quer conhecê-lo de forma abstrata, mas saber quem ele é para ele.</p>



<p>Ao mesmo tempo, o ser humano carrega certo medo do rosto de Deus, porque é pecador e, geralmente, nós nos tornamos cada vez mais consciente disso quando estamos diante de Deus. Havia, inclusive, no Antigo Testamento, a crença de que não se pode ver a face de Deus e continuar vivo. De alguns dos patriarcas e profetas, diz-se que não viram a face de Deus, mas viram a sua “glória&#8221; ou que o viram de costas e não de frente.</p>



<p>Com a Encarnação, porém, o rosto de Deus nos foi revelado e podemos vê-lo. São Paulo diz-nos que a glória de Deus resplandeceu no rosto de Cristo (cf. 2Cor 4,6), e que <em>“nele habita corporalmente toda a plenitude da divindade”</em> (Cl 2,9). Portanto, agora podemos ver a face de Deus e continuar vivos.</p>



<p>Temos no Evangelho de hoje o exemplo de alguém que queria ver o rosto de Deus: Zaqueu. Zaqueu não era exatamente um coroinha piedoso. Ele era um cobrador de impostos, aliás, o chefe dos cobradores de impostos de Jericó. Ele era conhecido na cidade como um pecador. No entanto, ele tinha um coração de criança, e em algum lugar desse coração havia um lugar de ternura. Ele sabia que Jesus ia passar por sua cidade, e queria tanto vê-lo, que esqueceu, por um instante, sua importância, correu como uma criança e subiu em uma árvore para vê-lo.</p>



<p>O que aconteceu então? – Os papéis foram invertidos. Enquanto que Zaqueu queria ver Jesus, foi Jesus quem viu Zaqueu e olhou para ele com olhos cheios de amor que o transformaram. Jesus olhou para Zaqueu no alto de seu figueira e lhe diz: <em>“Zaqueu, desce depressa! Hoje eu devo ficar na tua casa”</em>.</p>



<p>Zaqueu desceu, cheio de alegria, e declarou: <em>“Senhor, eu dou a metade dos meus bens aos pobres, e se defraudei alguém, vou devolver quatro vezes mais&#8221;</em>. Quando Jesus olha para alguém, ele o ama e esse amor o chama a crescer. Recordemos a história do jovem rico que Jesus conheceu pouco antes de seu encontro com Zaqueu. Ele queria saber o que fazer para ter a salvação eterna. Jesus olhou para ele e o amou. Ele então o chamou para crescer preocupando-se não apenas com a vida eterna, mas também com os pobres. <em>“Vende tudo o que tens e distribui aos pobres”</em> (Lc 18,22). Como ele queria ter a vida eterna após a morte, mas manter sua riqueza durante a vida presente, ele partiu muito triste. Zaqueu, ao contrário, tão logo é tocado pelo olhar de Jesus, preocupa-se com os pobres e com aqueles a quem prejudicou. E Jesus declara que a salvação (não uma salvação para depois, para após a morte, mas para hoje) já se tornou realidade para ele. <em>“<strong>Hoje</strong> – </em>disse Jesus<em> – a salvação entrou nesta casa &#8220;</em>.</p>



<p>É o que acontece também a nós cada vez que não nos contentamos apenas em querer ver Deus, mas ousamos expor-nos ao Seu olhar: ao mesmo tempo experimentamos alegria e chamado ao crescimento, que nada mais são que a própria <strong>conversão</strong>. Quando pessoas olham para nós, muitas coisas podem acontecer dentro de nós. Quando algumas pessoas nos veem, podemos nos sentir miseráveis, humilhados, deprimidos. Parece que algumas pessoas conseguem trazer à tona o que há de menos bom em nós. Mas existem outras pessoas que, quando olham para nós, acontece o contrário. Sentimo-nos aptos, encorajados, capazes de mudar e de crescer. Olhares que puxam à superfície o que há de melhor de nós. Está claro, no Evangelho desta manhã, que é desta segunda maneira que Jesus olhou para Zaqueu. E é assim que ele olha para nós.</p>



<p>Mantendo bem vivo o nosso desejo de ver Deus, exponhamo-nos aos seus próprios olhos e aceitemos que ele nos chama à conversão e nos traz alegria, assim como fez com Zaqueu. Ao mesmo tempo, em nossa vida cotidiana, olhemos para nossas irmãs e nossos irmãos da mesma forma que Jesus os olha. Nunca digamos com os fariseus: <em>“Ele foi ficar com um pecador!&#8221;</em>. Antes digamos com Jesus: <em>“Meu irmão, seja ele quem for, quando manifesta seu desejo de ver Jesus, Ele também é filho de Abraão”</em>.</p>



<p class="has-text-align-right"><em>Dom Martinho do Carmo, osb</em></p>
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