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	<title>Dom Paulo &#8211; Mosteiro da Transfiguração</title>
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	<description>Em Vossa luz contemplamos a Luz</description>
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	<title>Dom Paulo &#8211; Mosteiro da Transfiguração</title>
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		<title>DOMINGO DA RESSURREIÇÃO</title>
		<link>https://www.transfiguracao.com.br/domingo-da-ressurreicao-3/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Dom Paulo]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 06 Apr 2026 14:52:59 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Homilias]]></category>
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					<description><![CDATA[HOMILIA DOMINGO DA RESSURREIÇÃO DO SENHOR (Jo 20,1-9) D. Paulo DOMICIANO, OSB “No primeiro dia da semana, Maria Madalena foi ao túmulo de Jesus, bem de madrugada” (Jo 20,1); “Saíram, então, Pedro e o outro discípulo e foram ao túmulo” (20,3).&#160; Junto com Maria, as outras mulheres, Pedro e João,<a class="moretag" href="https://www.transfiguracao.com.br/domingo-da-ressurreicao-3/"> Read more</a>]]></description>
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<p>HOMILIA DOMINGO DA RESSURREIÇÃO DO SENHOR (Jo 20,1-9)</p>



<p>D. Paulo DOMICIANO, OSB</p>



<p>“No primeiro dia da semana, Maria Madalena foi ao túmulo de Jesus, bem de madrugada” (Jo 20,1); “Saíram, então, Pedro e o outro discípulo e foram ao túmulo” (20,3).&nbsp;</p>



<p>Junto com Maria, as outras mulheres, Pedro e João, somos nós hoje os peregrinos do oitavo dia, que saem à procura de Jesus. Aproximando-nos de um túmulo vazio com os perfumes de nossa boa vontade, nossa necessidade de respostas, a dor de nossas perdas… Mas o que encontramos é apenas um túmulo vazio. Este túmulo vazio não é prova da ressurreição… contudo, olhando para dentro e vendo as faixas de linho no chão, João “viu e acreditou” (20,8). Mas o que ele vê é justamente o contrário daquilo que ele acredita. Vê a ausência e acredita na presença do Senhor Ressuscitado.</p>



<p>Os discípulos testemunharam a Paixão, a morte e o sepultamento na Sexta-feira Santa. Mais tarde, viram Jesus nas diversas aparições após a Ressurreição, como contemplaremos nos Evangelhos desta semana. Mas ninguém estava presente no momento da Ressurreição. Ninguém “viu” esse momento tão crucial. A vida de Jesus pode ser objeto de conhecimento histórico e científico; pode ser interpretada pelo teatro, pelo cinema, pelas séries de TV, mas a Ressurreição não é nem pode ser objeto de conhecimento científico. Este evento só pode ser compreendido a partir do espaço vazio do sepulcro, o espaço de fé.</p>



<p>Diante da efusão de alegria dos aleluias que este dia nos inspira, o Evangelho da manhã de Páscoa nos convida a uma atitude silenciosa e contemplativa. A celebração da Ressurreição nos introduz em um sepulcro vazio e nos indica que para fazermos a experiência da ressurreição é preciso entrar neste espaço onde as palavras cessam e nossa expectativas humanas precisam ser despojadas.</p>



<p>O Senhor nos deixa alguns traços, algumas pistas de onde e como podemos encontrá-lo. Não é, decididamente, em um cenário de espetáculo, como a arte ao longo da história preferiu retratar este momento, mas dentro de um túmulo vazio. É lá, no íntimo de nós, onde cada um é habitado por suas próprias sombras e vazios, dúvidas e incoerências, medos e angústias, que o Senhor deseja fazer brotar a nova luz, a nova esperança, a nova alegria.</p>



<p>No Evangelho desta noite o anjo e o próprio Senhor Ressuscitado enviam as mulheres para anunciar aos outros discípulos: “Ide anunciar aos meus irmãos que se dirijam para a Galileia. Lá eles me verão” (Mt 28,10). Sim, o Senhor também nos indica a direção de nossa Galiléia para encontrá-lo, no cotidiano de nossa vida.</p>



<p>Tendo visitado o túmulo vazio, tendo aceitado entrar neste espaço sombrio de nosso coração, em silêncio e com fé, onde enterramos nosso velho homem, nossas ambições, nosso orgulho e vaidade, somos convidados a ir ao encontro do Ressuscitado na Galiléia de nosso cotidiano: no pão repartido, no olhar de compaixão, nos pés que precisam ser lavados, no ombro que é oferecido ao outro. Este caminho nos coloca na direção da vida nova e transfigurada que o Ressuscitado nos oferece hoje. Como ouvimos de São Paulo: “Se ressuscitastes com Cristo, esforçai-vos por alcançar as coisas do alto”. Ressuscitamos com Cristo em nosso batismo; ressuscitamos com Ele quando somos alimentados com seu Corpo e seu Sangue. Por isso, fomos capacitados a viver desde já a vida do alto, a vida dos filhos de Deus, reconhecendo nos espaços vazios de nossa vida a presença luminosa e transformadora de Jesus Ressuscitado.</p>



<p>Peçamos ao Senhor que a sua Ressurreição seja para nós a fonte de uma vida nova, de uma transformação profundo e duradoura em nosso ser, em nossas atitudes e escolhas de cada dia. Por isso, retomemos a nossa oração do início de nossa celebração: “Concedei que, celebrando a solenidade da sua ressurreição, renovados pelo vosso Espírito, ressuscitemos para a luz da vida”.</p>
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		<title>VIGÍLIA PASCAL</title>
		<link>https://www.transfiguracao.com.br/vigilia-pascal/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Dom Paulo]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 06 Apr 2026 14:51:35 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Homilias]]></category>
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					<description><![CDATA[D. Paulo DOMICIANO, OSB Não me canso de repetir a cada ano o quando é impactante para mim celebrar a Vigília Pascal, a “mãe de todas as vigílias”, como diz Santo Agostinho: há praticamente 2000 anos a Igreja se reúne todos os anos nesta noite santa para celebrar a Páscoa<a class="moretag" href="https://www.transfiguracao.com.br/vigilia-pascal/"> Read more</a>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>D. Paulo DOMICIANO, OSB</p>



<p>Não me canso de repetir a cada ano o quando é impactante para mim celebrar a Vigília Pascal, a “mãe de todas as vigílias”, como diz Santo Agostinho: há praticamente 2000 anos a Igreja se reúne todos os anos nesta noite santa para celebrar a Páscoa do Senhor, a noite da ressurreição, a noite da vida nova! E cabe a nós, hoje, como herdeiros deste tesouro, viver novamente os mistérios de nossa salvação através desta liturgia.</p>



<p>Estamos no coração da noite – este é o sentido de uma vigília &#8211; durante a passagem das trevas para a luz. Esta passagem é uma expressão simbólica da longa trajetória desde as trevas e o caos original do início do Gênesis até a luz de Cristo ressuscitado na manhã de Páscoa.</p>



<p>A longa sequência de leituras do Antigo Testamento, que acabam de ser proclamadas, não pretende ser um simples resumo da história da salvação – pois faltariam aqui episódios essenciais –, mas um caminho que nos conduz, pedagogicamente, a contemplar o modo de Deus agir entre nós através das várias passagens das trevas para a luz ao longo de toda a história da salvação. Esta história começa com a separação da luz das trevas no caos primordial. Depois, há a passagem do caos religioso das muitas religiões antigas para a luz da revelação de Deus a Israel. Segue-se a passagem do cativeiro no Egito para a libertação do Êxodo. Outra passagem muito mais importante vem a seguir: a do coração de pedra para o coração de carne animado pelo Espírito. E, finalmente, a grande passagem de Jesus, das trevas da morte para a luz da Ressurreição.</p>



<p>Isso nos mostra que a história humana e a história de cada um de nós se constitui de uma série de passagens das trevas para a luz, da tristeza para a alegria, do pecado para a vida. E deste modo, Deus vai realizando uma obra nova, uma nova criação em nossas vidas a cada uma dessas passagens, dessas pequenas páscoas. Contudo, nenhuma delas se compara à obra nova realizada por Cristo em sua Páscoa.</p>



<p>Neste sentido, gostaria de retomar com vocês a primeira oração da liturgia da Palavra, que segue imediatamente a leitura do relato da Criação e o canto do Salmo 103, onde rezamos:</p>



<p><em>Deus Eterno e todo-poderoso, que dispondes de modo admirável todas as vossas obras, dai aos que foram resgatados pelo vosso Filho a graça de compreender que o sacrifício do Cristo, nossa Páscoa, na plenitude dos tempos, ultrapassa em grandeza a criação do mundo realizada no princípio.</em></p>



<p>Temos aqui uma síntese e um anúncio da obra da Salvação: a Criação é uma obra maravilhosa, como ouvimos: “Deus viu que tudo era bom/belo”, o Genesis repete como um refrão. Estamos acompanhando a missão dos astronautas enviados à Lua e ficamos fascinados, como eles, certamente, com a beleza do universo, com sua imensidão e perfeita harmonia entre todos seus elementos. Mas a nova Criação inaugurada no Novo Adão, Cristo Jesus, é uma obra ainda mais maravilhosa, que <em>ultrapassa em grandeza a criação do mundo realizada no princípio</em>. Pelos sacramentos da Páscoa — batismo, crisma e eucaristia —, nos é dada a possibilidade de participar desta nova criação e de sermos, nós mesmos, recriados, <em>re-generados</em>, assumindo a vida nova de Cristo em nós. É o que São Paulo nos anuncia em sua carta ao Romanos: “Pelo batismo na sua morte, fomos sepultados com ele, para que, como Cristo ressuscitou dos mortos pela glória do Pai, assim também nós levemos uma vida nova” (Rm 6,4).</p>



<p>Mas como esta nova criação é possível? Na sequência ao relato da Criação, nós respondemos com o Salmo 103, suplicando ao Senhor para que envie sobre nós o seu Espírito: <em>Enviai, Senhor, o vosso Espírito e renovai a face da terra</em>. Não somente a face da terra, mas o nosso coração e toda a humanidade. Este renascimento se realiza em nós em nosso batismo, a obra mais maravilhosa que a própria obra da criação, pela ação do Espírito Santo que o Ressuscitado nos envia. Assim, nesta noite, nós temos a graça de renovar nossas promessas batismais, renovar nosso desejo de vivermos como filhos de Deus, conformados à Jesus Cristo, o Filho Único do Pai, sendo alimentados por seu Corpo e seu Sangue e renovados por seu Espírito.</p>



<p>Que o Senhor abra nossos corações e nossa inteligência para compreendermos a grandeza deste dom que nós recebemos. Seja este o motivo de nossa verdadeira alegria: sermos novas criaturas em Cristo. Assim como as mulheres que receberam o anúncio do anjo e do próprio Ressuscitado, que vem ao nosso encontro hoje, sejamos nós a correr para anunciar esta boa-nova ao mundo: “Alegrai-vos!”; “Não tenhais medo. Ide anunciar aos meus irmãos”. &nbsp;Aleluia!</p>
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		<title>CELEBRAÇÃO DA PAIXÃO DO SENHOR</title>
		<link>https://www.transfiguracao.com.br/celebracao-da-paixao-do-senhor/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Dom Paulo]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 06 Apr 2026 14:50:13 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Homilias]]></category>
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					<description><![CDATA[HOMILIA CELEBRAÇÃO DA PAIXÃO DO SENHOR D. Paulo DOMICIANO, OSB A Liturgia da noite de ontem nos introduziu no primeiro ato do drama divino da Paixão. Na Última Ceia, Cristo ofereceu sacramentalmente aos discípulos seu Corpo e seu Sangue, no pão e no vinho, antecipando a imolação sangrenta na cruz,<a class="moretag" href="https://www.transfiguracao.com.br/celebracao-da-paixao-do-senhor/"> Read more</a>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>HOMILIA CELEBRAÇÃO DA PAIXÃO DO SENHOR</p>



<p>D. Paulo DOMICIANO, OSB</p>



<p>A Liturgia da noite de ontem nos introduziu no primeiro ato do drama divino da Paixão. Na Última Ceia, Cristo ofereceu sacramentalmente aos discípulos seu Corpo e seu Sangue, no pão e no vinho, antecipando a imolação sangrenta na cruz, na Sexta-feira.</p>



<p>É na cruz que Jesus radicaliza a sua entrega ao Pai e seu sacrifício por nós. Como ouvimos no Evangelho de ontem, Ele nos amou até o fim. Ou seja, nos amou em excesso, sem medir consequências, sem nenhuma reserva; nos amou até a última gota de sangue, até o último suspiro, quando exclama do alto da cruz: “tudo está consumado” e entrega o seu Espírito nas mãos do Pai.</p>



<p>Contudo, este último suspiro não põe fim ao seu amor, mas o multiplica. Do lado aberto de Cristo na cruz jorram sangue e água, sinais do Batismo e da Eucaristia, origens da Igreja. Assim, a cruz de Cristo se torna para nós o lugar e a fonte de onde brotam a abundância deste amor que se oferece até o fim, da libertação e da vida nova para nós conquistadas.</p>



<p>É por isso que ontem cantávamos a bela antífona de entrada: “Nós, porém, devemos gloriar-nos na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo; nele está a salvação, nossa vida e ressurreição; por ele somos salvos e libertos” (Cf. Gl 6, 14).</p>



<p>Cruz e salvação, morte e ressurreição, fracasso e glória se conjugam no mistério da cruz de Cristo. Nesta celebração da Paixão do Senhor, somos chamados a ir além para reconhecer, por trás das aparências de fracasso, a vitória de um amor que se deixa aniquilar sem, no entanto, deixar-se vencer. Por isso, as palavras da Carta aos Hebreus tocam diretamente o cerne de nossa busca por uma resposta a tanto amor: “Aproximemo-nos então, com toda a confiança, do trono da graça, para conseguirmos misericórdia e alcançarmos a graça de um auxílio no momento oportuno” (Hb 4,16).</p>



<p>A escuta do relato da Paixão de nosso Senhor nos impele a nos aproximar da cruz, o trono da graça de Cristo, do qual esperamos receber a misericórdia e a força que nos capacitam a dar uma resposta de amor semelhante a daquele que nela está assentado. Nós adoramos esta cruz, a abraçamos e beijamos, como sinal de nosso desejo de assumir em nossa vida a nossa própria cruz, apesar de nossas fraquezas e infidelidades.</p>



<p>O crucificado não nos dá uma resposta prontas aos paradoxos que nos afligem nesta vida, mas Ele os assume sobre si. Ele “tomava sobre si nossas enfermidades e sofria, ele mesmo, nossas dores” (Is 53, 4), nos anuncia o profeta. Deste modo, não nos oferece respostas, mas nos abre à possibilidade de encontrar sentido em nossas dores e angústias, nas divisões e traições, nas injustiças e humilhações, nos sofrimentos e na morte.</p>



<p>A última palavra para todos estes paradoxos não é o desespero, mas um grito de confiança levado ao máximo limite nos lábios do Salvador: “Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?”. “Confiança que resiste até quando tudo se cala” (pp Leão XIV). Por isso, peçamos ao Senhor que aumente em nós esta ousadia da confiança, a ousadia do amor e da fé, para que, unidos a Cristo, abracemos a nossa cruz e o sigamos em sua Páscoa.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
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		<item>
		<title>QUINTA-FEIRA SANTA: IN COENA DOMINI</title>
		<link>https://www.transfiguracao.com.br/quinta-feira-santa-in-coena-domini/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Dom Paulo]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 06 Apr 2026 14:48:12 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Homilias]]></category>
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					<description><![CDATA[HOMILIA DA QUINTA-FEIRA SANTA: IN COENA DOMINI (Jo 13,1-15) D. Paulo DOMICIANO, OSB A solene liturgia desta noite abre o Tríduo Pascal, os três dias pascais, em que celebramos os mistérios da vida de Jesus Cristo, sua paixão, morte e ressurreição. Os ritos litúrgicos que realizamos não são, como disse<a class="moretag" href="https://www.transfiguracao.com.br/quinta-feira-santa-in-coena-domini/"> Read more</a>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>HOMILIA DA QUINTA-FEIRA SANTA: IN COENA DOMINI (Jo 13,1-15)</p>



<p>D. Paulo DOMICIANO, OSB</p>



<p>A solene liturgia desta noite abre o Tríduo Pascal, os três dias pascais, em que celebramos os mistérios da vida de Jesus Cristo, sua paixão, morte e ressurreição. Os ritos litúrgicos que realizamos não são, como disse no Domingo de Ramos, encenações piedosas, mas a atualização dos eventos de nossa salvação, de modo que nos tornamos participantes do mistério de Cristo. Esta é a dinâmica litúrgica e sacramental que fundamenta nossas liturgias pascais.</p>



<p>O Tríduo Pascal, celebrado durante estes três dias, não se trata de uma fragmentação da Páscoa cristã das origens, que era celebrada em uma única noite de Páscoa, mas podemos considerá-lo como três atos de uma única e mesma “ópera” da Salvação. Esta dissociação é apenas aparente, pois, na realidade, a missa da Ceia desta noite, bem como a Sexta-feira Santa, a noite da ressurreição e o dia de domingo, formam uma única Solenidade, um único Mistério pascal (<em>sacramentum paschale</em>).</p>



<p>Esta liturgia de hoje é mais do que o aniversário da Última Ceia, mais do que uma homenagem ao sacramento da Eucaristia e ao sacerdócio cristão. É a entrada do Salvador na sua Páscoa: <em>Era antes da festa da Páscoa. Jesus sabia que tinha chegado a sua hora de passar deste mundo para o Pai </em>(Jo 13, 1). Sua hora finalmente chegou; a hora de dar a sua vida e realizar a sua Páscoa para nos salvar, amando-nos “até o fim” (Jo13,1), sem nenhuma reserva ou condição. Deste modo, a sua Páscoa, é também a nossa Páscoa, a nossa passagem do pecado para a graça, da morte para a vida nova em Deus.</p>



<p>A Igreja revive esta Páscoa em mistério, ou seja, através do sacramento; através da liturgia, ela renova a Última Ceia, a refeição que o Senhor fez com os seus discípulos no limiar da noite, antecipando, desde modo, a sua entrega na cruz, e inaugurando a Páscoa da nova Aliança: Cristo instituiu ali os santos mistérios do seu corpo entregue e do seu sangue derramado; ao mesmo tempo, investiu os seus Apóstolos para prolongar na história este mistério sacramentalmente até a sua volta, confiando-lhes o mandato: <em>Fazei isto em memória de mim</em> (cf. 1Cor 11, 24.25).</p>



<p>Curiosamente, nesta celebração, o mistério da Eucaristia não nos é proposto pelo Evangelho, mas pela leitura da carta de São Paulo aos Coríntios (1Cor 11,23-26). O Evangelho nos recorda outro mistério de Cristo: o lava-pés, que é o sacramento do serviço. Assim, temos duas ações de Jesus, ou dois sinais, que antecipam o mistério de sua entrega ao Pai por nós.</p>



<p>Jesus confia hoje aos seus apóstolos e a toda a Igreja &#8211; nós aqui reunidos hoje &#8211; o mandato de repartir o pão e o cálice, como Ele fez, em sua memória. Mas também lhes dá o mandato de despojarem-se, abaixarem-se e servirem-se uns aos outros: “Dei-vos o exemplo, para que façais a mesma coisa que eu fiz” (Jo 13,15).</p>



<p>Jesus nos entrega esses dois sacramentos hoje, antecipando o seu Mistério de amor, como antídotos para as doenças da divisão e da guerra, da sede de poder e de vingança. Abaixar-se para servir, oferecer-se a si mesmo como alimento e sustento ao outro: é este modo novo de viver que o Senhor nos convida a partilhar com Ele nesta Ceia Sagrada. “Dei-vos o exemplo, para que façais a mesma coisa que eu fiz” (Jo 13,15).</p>



<p>Aproximemo-nos desta mesa santa hoje com o desejo seguir os passos do Senhor em seu Mistério Pascal, configurando a nossa vida com a sua vida. Ele que nos ensina este único mandamento: amar até o fim e sem medida.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
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		<title>5º Domingo da Quaresma</title>
		<link>https://www.transfiguracao.com.br/5o-domingo-da-quaresma/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Dom Paulo]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 24 Mar 2026 22:00:16 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Homilias]]></category>
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					<description><![CDATA[D. Agostinho FAGUNDES, OSB Meus caros irmãos em Cristo,a liturgia deste V Domingo da Quaresma nos convida à esperança, à confiança de que o Senhor é capaz de transformar em vida, em recomeço, em reencontro todas as nossas experiências de morte – sejam elas físicas, espirituais, existenciais.Na primeira leitura deste<a class="moretag" href="https://www.transfiguracao.com.br/5o-domingo-da-quaresma/"> Read more</a>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>D. Agostinho FAGUNDES, OSB</p>



<p>Meus caros irmãos em Cristo,<br>a liturgia deste V Domingo da Quaresma nos convida à esperança, à confiança de que o Senhor é capaz de transformar em vida, em recomeço, em reencontro todas as nossas experiências de morte – sejam elas físicas, espirituais, existenciais.<br>Na primeira leitura deste dia o povo de Deus encontra-se em solo estrangeiro, exilados na Babilônia,<br>experimentando uma verdadeira desolação: fora da terra que havia sido dada por Deus, sem o Templo de<br>Jerusalém, lugar principal do culto e dos sacrifícios, e vivendo tudo isso como um sinal de que eles haviam rompido a Aliança de Amor com o Deus Vivo e, por isso, Ele os havia abandonado à própria sorte. Em meio a esse sofrimento, o profeta afirma que o próprio Deus os levantará da morte, infundindo neles a força de Seu Espírito para que possam voltar à vida.<br>Então o salmo retoma esta reflexão, afirmando que no Deus Vivo encontra-se toda a graça e redenção, e<br>que o povo de Israel aguarda ansiosamente a manifestação da salvação de Deus. Pois Ele está sempre próximo, e ouve o clamor e a prece de seus filhos, sem ficar continuamente nos acusando por causa de nossos pecados, fraquezas e fracassos. Somos pecadores, mas reafirmarmos nossa esperança em sua misericórdia: Ele virá nos perdoar e salvar.<br>Na segunda leitura, São Paulo nos afirma que embora estejamos marcados, por causa do pecado, pela<br>mortalidade, pela caducidade, o Espírito de Deus habita em nós, permitindo-nos viver orientados por Sua Força, movidos por Seu Amor, de tal modo que possamos viver conforme o chamado de Deus porque cremos que fomos justificados em Jesus Cristo. Na cruz do Cristo Jesus se manifestou a justiça de Deus. E tal como Deus o levantou da morte pelo poder do Espírito, assim também fará conosco. E essa experiência também se dá a cada dia, à medida que rompemos com o egoísmo e somos capazes, por dom de Deus, de gerarmos vida ao redor de nós à medida que nos colocamos a serviço de nossos irmãos.<br>Então chegamos ao Evangelho deste domingo que, ao narrar a ressurreição de Lázaro, torna-se imagem<br>bastante vívida de tudo o que ouvimos nas leituras anteriores e cantamos no Salmo Responsorial. Lázaro, amigo de Jesus, morre. E Jesus Cristo, no quarto dia, chega à casa de suas irmãs. O que Jesus Cristo demandava de todos aqueles que o seguiam e com quem se encontrava era a fé: crer em Jesus Cristo, aquele que foi enviado pelo Pai e a quem o Pai sempre escuta, é passar da morte para a vida. E a revivificação de Lázaro será o sinal de que Ele é verdadeiramente aquele que vence a morte. Ele já a vencera em outros momentos – lembremo-nos do filho da viúva de Naim e da filha de Jairo. Mas será a sua própria Ressurreição que estabelecerá sua vitória final.<br>O Cordeiro de Deus, o cordeiro pascal, tira o pecado mundo ao dar a sua vida por nós, por amor a nós, e ser Ressuscitado pelo poder de Deus. Muitas vezes, de dentro de nossas cavernas morais e existenciais, do mais profundo de nosso coração atribulado e sem esperança, cansado, mergulhado no próprio egoísmo e mediocridade, escutamos o Cristo Jesus nos chamando pelo nosso próprio nome e convidando-nos a “vir para fora”. É a Sua Palavra que nos tira da morte, da incredulidade, do fechamento em nós mesmos e em nosso próprio pecado. Lázaro é símbolo da nossa humanidade enferma, necessitada da força vital que nos vem do Cristo Jesus. É o seu amor por nós, seus discípulos, que nos tira de uma vida sem sentido e nos mostra que Deus quer nos dar a vida em plenitude. Importa atentar, ainda, neste relato evangélico, para as palavras de Marta: “Senhor, já cheira mal. Está morto há quatro dias”. Basta recordar-nos de que, ao recitarmos o Credo, dizemos que o Senhor Jesus Cristo “ressuscitou ao terceiro dia”. O que o evangelista quer destacar apontando para o quarto dia é que antes de Jesus Cristo, toda a humanidade estava condenada à morte. Agora, Ele, que é a Ressurreição e a Vida, as transmite a todos aqueles que aderem a Ele pela fé. O quarto dia era símbolo da morte sem esperança. Agora, a nossa vida está no Cristo, o Filho do Deus Vivo, em quem cremos e esperamos.<br>Terminemos ouvindo as palavras de Santo Atanásio em sua Homilia sobre a ressurreição de Lázaro:<br>Eu sou a voz da vida que ressuscita os mortos. Eu sou o doce perfume que dissipa o mau cheiro.<br>Eu sou a voz da alegria que dissipa a tristeza e a dor […]. Eu sou o auxílio para os tristes. Os alegres me pertencem, pois eu sou a alegria do mundo inteiro. Alegrem-se todos os meus amigos, pois eu me alegrarei com eles! “Eu sou o pão da vida.”<br>Que o Deus Vivo continue nos sustentando em nosso caminho penitencial rumo à celebração pascal</p>
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		<title>4º Domingo da Quaresma</title>
		<link>https://www.transfiguracao.com.br/4o-domingo-da-quaresma/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Dom Paulo]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 15 Mar 2026 22:41:03 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Homilias]]></category>
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					<description><![CDATA[HOMILIA DO IV DOMINGO DA QUARESMA – Jo 9, 1 &#8211; 41 D. Afonso VIEIRA, OSB O Evangelho de hoje é mais uma belíssima catequese batismal que nos prepara para a santa Páscoa. No Domingo passado, no Evangelho da Samaritana, vimos que o Senhor Jesus é o Messias que dá<a class="moretag" href="https://www.transfiguracao.com.br/4o-domingo-da-quaresma/"> Read more</a>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>HOMILIA DO IV DOMINGO DA QUARESMA – Jo 9, 1 &#8211; 41</p>



<p>D. Afonso VIEIRA, OSB</p>



<p>O Evangelho de hoje é mais uma belíssima catequese batismal que nos prepara para a santa Páscoa. No Domingo passado, no Evangelho da Samaritana, vimos que o Senhor Jesus é o Messias que dá a verdadeira água do Espírito Santo, água que jorra para a Vida eterna. Neste hoje, “ao passar, Jesus viu um homem cego de nascença”. Esse homem, simboliza os judeus; pode simbolizar também a humanidade toda, pois, enquanto não encontramos o Cristo Jesus, enquanto não somos dados à luz no Batismo, somos cegos, nascemos cegos, somos “filhos da ira”, como dizia o Apóstolo São Paulo (Ef 2,3)! Nunca esqueçamos que cristãos nos tornamos pela fé e o Batismo! Ninguém nasce cristão, ninguém nasce filho de Deus. O único modo de vir a sê-lo é pelo Batismo!<br>Os discípulos, apegados a uma crença popular antiga, tão combatida por Jeremias (31,29s) e Ezequiel (18,1-32), pensavam que o cego estivesse pagando pelos pecados seus ou dos seus antepassados: “Quem pecou para que nascesse cego: ele ou seus pais?” Não há resposta, não há explicação! Os segredos da vida pertencem a Deus! “Bendito sejas Tu, Senhor, nosso Deus, que guardas os segredos!” Se crermos no Seu amor, se nos abandonarmos nas Suas mãos, a maior dor, o mais inexplicável sofrimento pode ser confortado pela certeza de que Deus está conosco e nos fortalece: “Nem ele nem seus pais pecaram: isso serve para que as obras de Deus se manifestem nele!” Até na dor e no sofrimento Deus Se revela presente quando somos abertos à Sua Presença… Na Sua luz, contemplamos a luz da Vida: “Enquanto estou no mundo, Eu sou a luz do mundo!” Mas, o nosso mundo se fecha na sua racionalidade cega e orgulhosa, na sua medida estreita que tudo deseja engaiolar no limite da limitada racionalidade humana, tão prepotente quanto estreita…<br>O nosso Jesus, cospe no chão e faz lama. A saliva, para os judeus, continha o espírito da pessoa; simboliza, então, como a água, o dom do Espírito. Ao colocar a lama feita de Sua saliva infundida no barro, Jesus como que repete o gesto do Senhor Deus no Gênesis, criando o homem do pó da terra e insuflando em suas narinas o Sopro da vida! Depois, o nosso Salvador ordena: “Vai lavar-te na piscina de Siloé!” É a piscina do Enviado de Deus, do Messias, imagem da piscina do nosso Batismo, na qual somos iluminados pelo Senhor que é luz do mundo! Por isso o homem vai e retorna vendo: “Fui, lavei-me e recobrei a vista!”<br>Eis o que é o cristão, o discípulo de Cristo: aquele que, por natureza, era cego, foi lavado na piscina batismal e voltou vendo! Não somos do mundo, como o Senhor não é do mundo; Ele nos separou do mundo. Agora, curado da cegueira, aquele que fora iluminado pode ver Jesus, o Cristo do Pai; pode ver com a fé, ver a realidade mais profunda, ver que Ele é o Senhor, Filho de Deus: ‘Quem é, Senhor para que eu creia Nele?’ Jesus disse: ‘Tu O estás vendo; é Aquele que está falando contigo!’ Para isso te curei, para isso fiz-te enxergar! “’Eu creio, Senhor!’ E prostrou-se diante de Jesus!”<br>Também nós, fomos iluminados pelo Cristo no Batismo. Na Igreja Antiga, um dos nomes do sacramento batismal era “photismós”, iluminação, porque, renascidos em Cristo, os cristãos, curados da cegueira do pecado e da morte, passam a ver a Luz verdadeira! Para nós valem as palavras de São Paulo: “Outrora éreis treva, mas agora sois luz no Senhor! Vivei como filhos da luz! Não vos associeis às obras das trevas!”<br>Eis, queridos irmãos, que iluminados por Cristo não podemos pensar como o mundo, sentir como o mundo, agir como o mundo! De modo algum podemos ser reféns das modas do mundo ou procurar os aplausos do mundo! Devemos viver na luz e ser luz para o mundo! Mas, não é fácil; não basta querer! Sem a graça do Senhor, nada conseguiremos, a não ser sermos infiéis! Por isso a necessidade dos exercícios quaresmais; por isso a oração, a penitência, a esmola e a caridade fraterna, por isso a necessidade da confissão de nossos pecados! Não nos esqueçamos, que não poderemos zombar de Cristo, pois, seremos julgados na Sua luz: “Eu vim a este mundo para exercer um julgamento, a fim de que os que não veem vejam e os que veem se tornem cegos!” – Eu vim para revelar a luz aos humildes, aos que se abrem à Minha Palavra e à Minha Presença, e vim revelar a cegueira do mundo confiado na sua própria razão, na prepotência de seus próprios caminhos! Porque este mundo diz que vê, que sabe, que está certo, seu pecado permanece; somente se abrir-se para a luz do Cristo, somente se entrar pelo caminho da conversão sincera, rompendo com o pecado, caminhará na luz e enxergará de verdade!<br>E nós, irmãos, caminhamos na Luz ou permanecemos nas trevas? Que o Senhor ilumine a nossa vida e nos faça, na Sua Luz, vermos a luz. Amém!</p>
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		<title>2º Domingo da Quaresma</title>
		<link>https://www.transfiguracao.com.br/2o-domingo-da-quaresma/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Dom Paulo]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 08 Mar 2026 14:47:05 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Homilias]]></category>
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					<description><![CDATA[HOMILIA DO 2º DOMINGO DA QUARESMA (Mt 17, 1-9) ANO A D. Afonso VIEIRA, OSB Irmãos e irmãs, nesse segundo domingo da quaresma, a Palavra de Deus nos convida a com fé, escutar a voz de Deus, e nos colocar a caminho, sem reticências ou pretensões, na direção que Ele<a class="moretag" href="https://www.transfiguracao.com.br/2o-domingo-da-quaresma/"> Read more</a>]]></description>
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<p>HOMILIA DO 2º DOMINGO DA QUARESMA  (Mt 17, 1-9) ANO A</p>



<p>D. Afonso VIEIRA, OSB</p>



<p>Irmãos e irmãs, nesse segundo domingo da quaresma, a Palavra de Deus nos convida a com fé, escutar a voz de Deus, e nos colocar a caminho, sem reticências ou pretensões, na direção que Ele nos indicar. Pode ser que, à luz de nosso pensamen  to, os caminhos que Deus nos aponta pareçam estranhos; mas eles conduzem à vida verdadeira e eterna. Vemos no Evangelho que Jesus pede aos discípulos que confiem n’Ele e que ousem segui-l’O no caminho de Jerusalém. Esse caminho, embora passe pela cruz, conduz à ressurreição, à vida nova e eterna. Aos discípulos, assustados, Deus confirma a essa verdade: “Este é o meu Filho muito amado, no qual pus toda a minha complacência. Escutai-O”. E nós; ousaremos também nós seguir Jesus no caminho de Jerusalém?</p>



<p>O episódio da transfiguração de Jesus situa-se praticamente no final da “etapa da Galileia”. Durante os três anos que Jesus esteve a pregar ali, o Senhor havia pregado com palavras (Mt 5-7; 13) e com gestos poderosos (8,1-9,34) a chegada do Reino de Deus. Ao longo desse tempo, Jesus esteve sempre acompanhado por um grupo de discípulos, tinha escutado o chamamento de Jesus (Mt 4,18-22; 10,1-10,42) e que tinha decidido segui-l’O. Esses discípulos, depois de tudo o que tinham visto e escutado enquanto acompanhavam Jesus pelas vilas e aldeias da Galileia, estavam convencidos que Ele era realmente o Messias que Israel esperava (Mt 16,13-20). No trecho que acabamos de ouvir, Jesus, acompanhado por Pedro, Tiago e João, subiu ao “monte”. A narração do que aconteceu nesse dia naquele monte vai ser construída a partir de elementos simbólicos tirados do Antigo Testamento. O monte nos situa num contexto de revelação: é sempre num monte que Deus Se revela; e, em especial, é num monte (o Sinai) que Ele faz uma aliança com o seu Povo e dá a Moisés as tábuas da Lei. A mudança do rosto e as vestes de brancura resplandecente recordam o resplendor de Moisés, ao descer do Sinai (Ex 34,29), depois de se encontrar com Deus. Além disso, o branco é a cor de Deus: indica que estamos no âmbito do divino.</p>



<p>A nuvem, por sua vez, indica a presença de Deus, pois, era na nuvem que Deus manifestava a sua presença, quando conduzia o seu Povo através do deserto (Ex 40,35; Nm 9,18.22; 10,34), e Moisés e Elias, as duas figuras do Antigo Testamento que também aparecem no cenário da transfiguração de Jesus, representam a Lei e os Profetas (que anunciam Jesus e que permitem entender Jesus). São personagens que, de acordo com a catequese judaica, deviam aparecer no “dia do Senhor”, quando se manifestasse a salvação definitiva (Dt 18,15-18; Mal 3,22-23). As tendas que Pedro pretende montar serão talvez uma forma de referir a “esperança” dos discípulos, assustados com as implicações do seguimento de Jesus. O “medo” que toma conta dos discípulos é a reação habitual do homem diante da manifestação da grandeza, da omnipotência e da majestade de Deus (Ex 19,16; 20,18-21). Mas o elemento mais significativo é, sem dúvida, “a voz” que vem da “nuvem”. Essa “voz” dirige-se aos discípulos e declara solenemente: “Este é o meu Filho muito amado, no qual pus toda o meu agrado. Escutai-O”.</p>



<p>O próprio Deus “apresenta” Jesus e garante que Ele é “o Filho” que veio ao encontro dos homens com um mandato do Pai. E o testemunho de Deus sobre Jesus completa-se com o imperativo “escutai-o”. Os discípulos ficam assim prevenidos de que devem escutar e acolher as indicações de Jesus, segui-l’O sem hesitações e sem medos pois o caminho que Ele propõe está de acordo com o Deus. A glória de Deus que se manifesta em Jesus, as “vestes de uma brancura refulgente” (lembram as “túnicas brancas como a neve” do “anjo do Senhor que, na manhã de Páscoa, apareceu às mulheres que tinham ido procurar Jesus ao túmulo – Mt 28,2-3). Os discípulos são, assim, convidados a olhar para depois da cruz e a descobrir que, no final do caminho de Jesus, não está o fracasso, mas está a ressurreição, a vida plena, a vitória sobre a morte.</p>



<p>Mateus, na linha do que Marcos já tinha feito (Mc 9,2-10), pegou em todos estes elementos e com eles construiu a sua fala, na qual, Jesus é apresentado, antes de mais nada, como o Filho, o Eleito, em quem se manifesta a glória do Pai. Ele não é um visionário que vive iludido e que não tem os pés na terra; nem é um revolucionário com sede de protagonismo que se aproveita, em benefício do seu projeto político, de um grupo de discípulos ingénuos… Jesus é o Filho de Deus, enviado aos homens para lhes propor a salvação e a Vida verdadeira. Tudo o que Ele diz e propõe está de acordo com o projeto salvador de Deus. Os discípulos devem escutá-lo, levar a sério as suas indicações, mesmo quando Ele propõe um caminho de morte, de dom da vida até às últimas consequências (Mt 16,24-28). Jesus é o Messias libertador e salvador esperado por Israel, anunciado pela Lei (Moisés) e pelos Profetas (Elias). Ele veio concretizar as promessas que, ao longo da história da salvação, Deus fez ao seu Povo.</p>



<p>Finalmente, Jesus é o novo Moisés, Aquele através de quem Deus dá ao seu Povo a nova Lei e através de quem propõe aos homens uma nova Aliança. Da ação libertadora de Jesus, o novo Moisés, irá nascer um novo Povo de Deus. Guiado por Jesus, esse Povo caminhará pelo deserto da cruz e da morte até chegar à Terra Prometida, onde encontrará Vida em abundância. “Não conteis a ninguém esta visão, até o Filho do Homem ressuscitar dos mortos” (vers. 9) é a ordem do Senhor. É provável que só mais tarde, após a ressurreição de Jesus, tenha resultado claro para os discípulos o que tinham experimentado no monte da transfiguração. Mas, desde aquele “momento” com Jesus constituiu para os discípulos uma injeção de esperança e deu-lhes o ânimo de que necessitavam para seguirem atrás de Jesus no caminho para Jerusalém.</p>



<p>Meus irmãos e irmãs, quem morre com Cristo, com Cristo ressuscitará. Quem luta com Ele, com Ele triunfará. Esta é a mensagem de esperança que a cruz de Jesus contém, e nos exorta à fortaleza na nossa existência. A cruz cristã não é um objeto qualquer ou um adorno para usar, mas a cruz cristã é um apelo ao amor com que Jesus se sacrificou para salvar a humanidade do mal e do pecado. Neste tempo da Quaresma, contemplamos com devoção a imagem do crucifixo, Jesus na cruz, pois ele é o símbolo da nossa fé, morto e ressuscitado por nós. Façamos com que a Cruz marque as etapas do nosso itinerário quaresmal para compreender cada vez mais a gravidade do pecado e o valor do sacrifício com o qual o Redentor nos salvou, a todos nós.</p>
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		<title>3º Domingo da Quaresma</title>
		<link>https://www.transfiguracao.com.br/3o-domingo-da-quaresma/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Dom Paulo]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 08 Mar 2026 14:44:49 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Homilias]]></category>
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					<description><![CDATA[HOMILIA DO III DOMINGO DA QUARESMA – A (Jo 4,5-42) D. Paulo DOMICIANO, OSB A cada ano, os dois primeiros domingos da Quaresma nos remetem aos episódios da tentação de Jesus no deserto e o da Transfiguração sobre o monte, como uma síntese de todo o caminho quaresmal, onde atravessamos<a class="moretag" href="https://www.transfiguracao.com.br/3o-domingo-da-quaresma/"> Read more</a>]]></description>
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<p>HOMILIA DO III DOMINGO DA QUARESMA – A (Jo 4,5-42)</p>



<p>D. Paulo DOMICIANO, OSB</p>



<p>A cada ano, os dois primeiros domingos da Quaresma nos remetem aos episódios da tentação de Jesus no deserto e o da Transfiguração sobre o monte, como uma síntese de todo o caminho quaresmal, onde atravessamos o deserto da provação e da conversão para subir o monte, onde seremos iluminados pela visão da face de Deus.</p>



<p>A partir do 3º domingo, de acordo com cada ciclo de leituras, a liturgia nos convida a prosseguir o nosso itinerário quaresmal sob um enfoque particular, acentuando um aspecto próprio para cada ano. As leituras para o Ano A, que estamos vivendo, enfocam principalmente os efeitos da graça batismal em nossa vida, evocando a cada semana, consecutivamente, o mistério da água (3º Dom), da luz (4ºDom), da ressurreição e da vida (5º Dom). Por isso a liturgia deste período se orienta para a preparação dos catecúmenos que receberão o Batismo e, ao mesmo tempo, para a redescoberta e aprofundamento de nosso próprio Batismo, cujas promessas renovaremos na Vigília pascal.</p>



<p>Na liturgia de hoje temos o tema da água e da sede, evocando assim a água do Batismo, a água do Espírito, a água que brota do lado de Cristo, o verdadeiro rochedo, de onde brota a água viva.</p>



<p>Na 1ª leitura o povo no deserto reclama de sede e o Senhor lhes dá água que brota do rochedo. O rochedo representa a segurança, a firmeza, o apoio de Deus para seu povo. Dele brota a água, o elemento vital para todos os seres vivos. A importância deste texto está na releitura que S. Paulo dele faz na I Cor 10, 4, onde compara o rochedo do deserto a Cristo. É Ele o rochedo novo de onde brota a água que nos lava e sacia nossa sede.</p>



<p>Essa água, que brota de Cristo, nós a recebemos no Batismo e é sinal do Espírito, que foi derramado em nossos corações, como ouvimos na 2ª leitura. Cumpre-se assim o que Jesus anuncia à samaritana do Evangelho: “A água que eu lhe der se tornará nele uma fonte de água que jorra para a vida eterna” (Jo 4, 14).</p>



<p>Há em nosso interior uma fonte, a fonte do Espírito, que jorra incessantemente e, como um rio, desagua na vida eterna. Mas é preciso sempre cavar essa fonte para que não seja obstruída pelas coisas e preocupações do mundo, por nosso pecados e resistências, como pedras que sufocam uma nascente. Como um eco da voz do Pai, que ouvimos no último domingo, que nos ordenava a ouvir a voz do Filho amando, o salmo 94, que cantamos hoje, nos convida a “ouvir” a sua voz com docilidade – “Hoje não fecheis o vosso coração, mas ouvi a voz do Senhor!”. Esta atitude, oposta a do povo murmurador no deserto, nos permite redescobrir a fonte que nos habita e identificar quais as pedras que a estão cobrindo e impedindo que ela jorre e sacie a nossa sede, nos dando vida nova.</p>



<p>São Paulo nos diz que o encontro com essa fonte nos dá a paz: “Justificados pela fé, estamos em paz com Deus”. É dessa paz que todo o mundo está sedento e é urgente que a façamos brotar de nossos corações.</p>



<p>Como a samaritana do Evangelho, precisamos reconhecer que nossa busca interminável por uma água que sacie nossa sede de vida só encontra seu fim em Cristo, pois a sede do ser humano é muito profunda e não se sacia com qualquer fonte encontrada pelo caminho. Mas quando bebemos da água oferecida por Jesus, a água do Espírito, uma fonte começa a jorrar em nosso coração.</p>



<p>A samaritana, imediatamente vai anunciar esta “boa notícia” aos seus irmãos, provavelmente, também sedentos de paz, de alegria, de força. É este também um aspecto fundamental da vocação batismal: o testemunho. Esta fonte que jorra em nosso peito pela graça do batismo não pode ser contida, precisa se multiplicar e saciar a sede daqueles que ainda a desconhecem.</p>



<p>Participando da Eucaristia, o Senhor, o doador da água viva, quer revitalizar em nós a fonte do Espírito. Ele também se dirige a cada um de nós, como fez com a samaritana, pedindo: “Dá-me de beber”. Aquele que é a fonte de água viva tem sede de nós, de nossa fé. Se, ao longo da vida, permitimos que se depositassem tantas coisas que bloqueiam esta nossa fonte interior, hoje o Senhor quer nos ajudar a desenterrá-la para que volte a jorrar, nos dando vida abundante, paz, coragem e alegria.</p>



<p></p>
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		<title>1º Domingo da Quaresma</title>
		<link>https://www.transfiguracao.com.br/1o-domingo-da-quaresma-2/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Dom Paulo]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 08 Mar 2026 14:38:31 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Homilias]]></category>
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					<description><![CDATA[HOMILIA DO 1º DOMINGO DA QUARESMA &#8211; ANO A D. Agostinho BARCELOS, OSB Meus caros amigos,a liturgia de hoje nos convida a nos colocarmos sob a proteção de Nosso Deus, confiantes de que Ele nossustentará em meios às nossas tentações e tribulações de nossa vida, especialmente neste Tempo quaresmal. Talcomo<a class="moretag" href="https://www.transfiguracao.com.br/1o-domingo-da-quaresma-2/"> Read more</a>]]></description>
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<p>HOMILIA DO 1º DOMINGO DA QUARESMA &#8211; ANO A</p>



<p>D. Agostinho BARCELOS, OSB</p>



<p>Meus caros amigos,<br>a liturgia de hoje nos convida a nos colocarmos sob a proteção de Nosso Deus, confiantes de que Ele nos<br>sustentará em meios às nossas tentações e tribulações de nossa vida, especialmente neste Tempo quaresmal. Tal<br>como ouvimos no Evangelho, é um tempo de prova mas também de abrir-nos ao Espírito de fidelidade que<br>habita em nós e nos fazer desejar viver a vida de Deus.<br>A primeira leitura da Celebração Eucarística deste domingo nos é bem familiar. Esse relato do Gênesis<br>sobre a queda de Adão e Eva, a transgressão à Palavra de Deus, é extremamente rico. Deus é a origem absoluta<br>da vida humana, e é justamente o Seu sopro – o seu Espírito – que dá vida ao homem. O texto fala da beleza<br>que atrai o nosso olhar – pois Deus faz brotar da terra belas árvores – e dos frutos que nosso paladar deseja. Mas<br>também há um limite que precisa ser seguido, há uma Palavra a ser observada e ela garante a vida. Então a<br>serpente sorrateiramente afirma que Deus mente, e que assim fazia para privar o homem e a mulher de algo que<br>eles ainda não têm. A semente da desconfiança é lançada ao coração do homem, e ela é capaz de solapar<br>facilmente qualquer relação de amor, de amizade. Adão e Eva se abrem à mentira e farão a experiência da morte<br>da relação com Deus antes da morte entrar no mundo. Talvez o sentido do paladar tenha sido usado nesse relato<br>justamente porque aquilo que comemos, que mastigamos, entra para dentro de nosso corpo de um modo bem<br>concreto, material. E, dessa forma, nos revela que naquele diálogo entre a serpente e Eva, algo entrou para o<br>interior do homem. Ao longo de nossa vida precisamos continuamente olhar para dentro de nós, pois às vezes<br>reconhecemos que aquela semente ainda está lá, dentro de nós, nos amargurando e murmurando interiormente:<br>“Se Deus existisse, Ele teria… se Deus se importasse, Ele não permitiria…”<br>O salmo que cantamos é a nossa resposta à Palavra que ouvimos. “Piedade, ó Senhor, tende piedade”<br>porque, ao olhar para o caminho de Adão e Eva, posso reconhecer aquele pecado ressoando em minha vida.<br>A segunda leitura é a uma mensagem de esperança. Sim, a morte entrou no mundo pela transgressão de<br>Adão, mas Deus preparou sua salvação em Cristo Jesus. Se em Adão houve um rompimento, em Cristo houve<br>uma reintegração definitiva, plena da misericórdia do Deus Vivo. A obediência do Cristo é a fonte que nos<br>liberta de nós mesmos, e das nossas tentativas de construir nossa vida à margem de Deus. Para o cristão, Deus<br>não é um adendo, mais um elemento que ele deve agregar à sua vida. Não! Cristo é o próprio fundamento da<br>vida, Aquele que não somente nos ensina a viver como filhos de Deus, mas nos dá a Graça de sermos e agirmos<br>como filhos por meio de Seu Espírito.<br>Então chegamos ao Evangelho, que nos permitiria uma grande diversidade de reflexões. Quem conduziu<br>Jesus ao deserto foi o Espírito, pois é Ele que sustenta o Cristo em seus momentos de provação. O Espírito é a<br>presença viva do amor de Deus Pai no coração do Cristo e também nos nossos. E Ele impulsiona também a nós<br>para o deserto. Ou seja, o Espírito desperta em nosso íntimo o desejo de estar a sós com Deus. Nos mostra como<br>é necessário abrir tempo e espaço para esse encontro em nossas vidas. Faz com que nos distanciemos da correria<br>da vida para podermos viver, de fato. Pois muitas vezes acabamos por nos desumanizar e nos afastar de Deus, de<br>nós mesmos e dos outros. O deserto nos humaniza porque nos ajuda a reencontrar o que há de mais verdadeiro<br>e de mais profundo em nós – nos permite pesar e reavaliar todas as coisas. E, quem sabe, recomeçar de um outro<br>modo, numa nova perspectiva. Porque o diabo, “aquele que divide”, está sempre próximo de nós. E é o Espírito<br>quem nos permite perceber sua presença e nos ajuda a discernir o que convém abraçar e o que precisa ser<br>deixado para trás. Ler esse Evangelho à luz do relato do Gênesis nos permite compreender melhor o sentido da<br>atitude de Jesus de jejuar durante quarenta dias e quarenta noite. Enquanto o comer do fruto da árvore do bem<br>e do mal tornou-se expressão do rompimento com Deus, aqui o jejum torna-se expressão do absoluto de Deus,<br>da busca do “único necessário”, tornando-se um convite para darmos a Deus o lugar que lhe é devido. O relato<br>evangélico também nos diz que o diabo pôs Jesus Cristo “sobre a parte mais alta do Templo” e “para um monte<br>muito alto”. Conosco ele faz o mesmo, porque o maligno gosta de nos seduzir por meio da altura, e desperta em<br>nós a sensação de que estamos sobre os outros, de que podemos mais que eles, ou sabemos mais, ou<br>influenciamos mais – para usar um termo tão atual. Por isso importa “vigiar e orar” para não nos enganarmos.<br>Que o Cristo, nossa vida e nossa paz, continue nos sustentando em nossa caminhada quaresmal.</p>
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		<title>6º Domingo do Tempo Comum</title>
		<link>https://www.transfiguracao.com.br/6o-domingo-do-tempo-comum/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Dom Paulo]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 15 Feb 2026 16:13:47 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Homilias]]></category>
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					<description><![CDATA[HOMILIA VI DOMINGO DO TC/ A (Mt 5, 17-37) D. Paulo DOMICIANO, OSB Depois de proclamar as Bem-aventuranças e declarar que somos sal e luz do mundo, Jesus entra, propriamente, no “Sermão da Montanha”, nos ensinando, então, como sermos sal e luz. Jesus não veio para abolir a Lei dada<a class="moretag" href="https://www.transfiguracao.com.br/6o-domingo-do-tempo-comum/"> Read more</a>]]></description>
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<p>HOMILIA VI DOMINGO DO TC/ A (Mt 5, 17-37)</p>



<p>D. Paulo DOMICIANO, OSB</p>



<p>Depois de proclamar as Bem-aventuranças e declarar que somos sal e luz do mundo, Jesus entra, propriamente, no “Sermão da Montanha”, nos ensinando, então, como sermos sal e luz.</p>



<p>Jesus não veio para abolir a Lei dada por Deus a Moisés, negando o valor das Escrituras vividas até então por Israel. Ao contrário, Ele vem para cumpri-la integralmente, interpretando e revelando a intenção original do Pai.</p>



<p>Diferente dos mestres da Lei, Jesus não apenas repete as Escrituras ou cria novas exigências; Ele a vive em sua integralidade, pois Ele é a Palavra viva do Pai, que se fez carne. Sua interpretação provoca um choque em seus ouvintes, habituados a considerar que bastaria cumprir rigorosamente os preceitos divinos para ser considerado justo.</p>



<p>De fato, isso já é alguma coisa… cada um de nós sabe o quanto custa buscar ser justo, ser correto no agir e no cumprir de nossos deveres e obrigações para com a sociedade e para com a religião. Mas hoje o Senhor nos põe em alerta: para entrar no Reino dos Céus não é suficiente ser um bom cumpridor de regras, ainda que sejam os mandamentos de Deus. Ele nos declara: “Se a vossa justiça não for maior que a justiça dos mestres da Lei e dos fariseus, vós não entrareis no Reino dos Céus.” Jesus nos mostra que não basta cumprir as normas, as leis, para não pecar. O pecado nasce em nossa intenção em realizá-lo; muitas vezes não matamos, não roubamos, não traímos declaradamente, mas o fazemos em nossas intenções interiores ou através de nossa dissimulação, de gestos e palavras que camuflam nossas verdadeiras intenções, e nos enganamos a nós mesmos.</p>



<p>Através dessas antíteses entre “assim foi dito” e “mas eu vos digo”, Jesus nos revela o verdadeiro e profundo sentido dos mandamentos de Deus e ao mesmo tempo nos desmascara. Ele faz a nossa máscara de “devotos cumpridores da lei” se quebrar e nos coloca diante de nossa crua realidade: não somos justos. Somente Ele é justo, porque vem para cumprir integralmente toda a Lei, assumindo todas as suas consequências de viver segundo a vontade de Deus. Ele faz isso não para nos humilhar ou dar uma lição, mas para nos anunciar a Boa nova libertadora, para nos abrir este caminho de justiça, que somente Ele poderia abrir para nos conduzir ao Reino dos Céus. Jesus nos faz o dom de sua própria justiça através do mistério pascal nos introduzindo em sua justiça, derramando sobre nós o seu Espírito, que grava em nosso coração a nova Lei, inspirando-nos e capacitando-nos a viver e agir como Ele mesmo.</p>



<p>A Palavra de Jesus se apresenta para nós hoje como um remédio contra toda duplicidade de nosso coração, toda falsa intenção, toda camuflagem de bondade aparente: “Seja o vosso &#8216;sim&#8217;: &#8216;Sim&#8217;, e o vosso &#8216;não&#8217;: &#8216;Não&#8217;. Tudo o que for além disso vem do Maligno”. O maligno é o mentiroso, o pai da mentira (cf. Jo 8,44). Jesus, ao contrário, é o verdadeiro (cf Jo 14,6), Ele é o “Amém de Deus” (cf Ap 3,14), que nos abre o caminho da verdade de Deus e nossa própria verdade, modelando o nosso coração para sermos homens e mulheres inteiros, íntegros, segundo o Espírito; capazes de viver os mandamentos a partir do coração e não de modo exterior apenas.</p>



<p>É muito oportuno ouvirmos este Evangelho às portas da Quaresma. Por isso, gostaria de convidá-los a relê-lo calmamente e em oração, fazendo um exame de consciência profundo para identificar quais são aquelas duplicidades, aqueles comportamentos hipócritas, mascarados, que insistirmos em manter só para parecermos bonzinhos e honestos, mentindo para os outros e para nós mesmos. É uma bela oportunidade para entrarmos neste tempo propício de conversão, que é a Quaresma, com esta disposição de mudança concreta, com um desejo renovado de sermos mais autênticos em nosso seguimento de Jesus Cristo, como seus discípulos, sendo sal e luz do mundo.</p>
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